Ambos do Chelsea, Liam Rosenior e Robert Sánchez. Foto: Reprodução/Daily Mail.
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Rodízio no gol vira problema no Chelsea e aumenta pressão sobre Rosenior

A pressão sobre Liam Rosenior no comando do Chelsea cresce a cada rodada e um dos principais alvos de crítica é a indefinição no gol. Desde que assumiu a equipe, o treinador inglês optou por não estabelecer um titular absoluto, criando um rodízio entre Robert Sánchez e Filip Jørgensen. Antes disso, ainda sob o comando de Enzo Maresca, Sánchez era dono da posição durante praticamente toda a sua passagem de 18 meses pelo clube.

A mudança começou após a derrota por 2 a 1 para o Arsenal, quando o espanhol teve atuação abaixo do esperado e passou a dividir espaço com Jørgensen.

Rodízio e instabilidade

O dinamarquês, de 23 anos, teve desempenho seguro na vitória sobre o Aston Villa, mas voltou a ser questionado logo na sequência. Um erro na saída de bola contribuiu diretamente para o terceiro gol do Paris Saint-Germain na derrota por 5 a 2, no Parc des Princes — resultado que praticamente encerrou as chances do Chelsea na UEFA Champions League.

Pouco depois, Jørgensen sofreu uma lesão na virilha, abrindo espaço para o retorno de Sánchez. O resultado foi um cenário de instabilidade: cinco trocas de goleiro em seis partidas. A rotação reacendeu o debate sobre a eficácia dessa estratégia, principalmente em uma posição que depende diretamente de confiança e sequência.

Mais do que o gol: problemas estruturais

A indefinição no gol é apenas parte de um cenário mais amplo. Outras decisões de Rosenior também vêm sendo questionadas, como a improvisação de Mamadou Sarr na lateral direita — que resultou em erro logo no início da derrota por 3 a 0 para o PSG.

Além disso, a condução do “huddle” pré-jogo pelo capitão na derrota por 1 a 0 para o Newcastle United gerou desconforto interno e críticas públicas. Dentro de campo, o impacto é claro: o Chelsea acumula três derrotas consecutivas e apresenta uma defesa cada vez mais vulnerável.

Quem deve ser o titular?

Sánchez pode argumentar que perdeu espaço em um momento injusto. O goleiro terminou a última temporada em alta, sendo peça importante na classificação do Chelsea para a Champions e na conquista do Mundial de Clubes.

O clube chegou a avaliar a contratação de Mike Maignan, do AC Milan, mas recuou diante do custo elevado e da avaliação de que não haveria um salto técnico imediato. A decisão parecia correta — até a chegada de Rosenior coincidir com a pior fase do espanhol.

Na derrota por 3 a 2 para o Arsenal, pela semifinal da Copa da Liga, Sánchez falhou em bolas cruzadas que resultaram em dois gols, reacendendo dúvidas sobre sua consistência. Também surgiram questionamentos sobre o impacto da nova abordagem do treinador. No Strasbourg, Rosenior utilizava goleiros mais participativos na saída de bola — característica que favorece Jørgensen.

Números que explicam o dilema

Os dados ajudam a entender o impasse:

Jørgensen (com a bola):

  • 85,3% de acerto nos passes

Sánchez (com as mãos):

  • +7,5 gols evitados (xG)

Jørgensen:

  • saldo negativo (-0,4) no mesmo indicador

Ou seja, há um contraste claro: Jørgensen oferece mais qualidade na construção, só que Sánchez entrega mais segurança defensiva. Além disso, a falta de sequência pode estar prejudicando o dinamarquês, que soma apenas quatro partidas e ainda busca ritmo.

Rosenior defende sua estratégia

“É mais sobre minha decisão para cada jogo. Quero competição em todas as posições. A diferença é que o goleiro está sempre a um erro dessa situação.” — argumentou o comandante

O problema é que os erros têm sido frequentes — especialmente de Sánchez, que acumula 18 falhas que resultaram em finalizações e oito que terminaram em gol em 101 jogos. O cenário levanta uma questão inevitável: o Chelsea hoje tem um goleiro confiável o suficiente para assumir o posto de titular absoluto?

E o retorno de Jørgensen?

Jørgensen deve desfalcar o Chelsea contra o Everton neste sábado, após passar por uma pequena cirurgia na virilha, em Munique. A expectativa é de retorno após a pausa para jogos internacionais. Mesmo assim, o goleiro — que chegou a considerar propostas de empréstimo de West Ham United e Beşiktaş — segue confiante em conquistar espaço sob o comando de Rosenior.

No fim das contas, o problema do Chelsea vai além da escolha entre Sánchez e Jørgensen. A rotação no gol expõe um dilema maior: falta de definição, perda de confiança e um sistema defensivo que ainda não se sustenta. E, enquanto isso não for resolvido, a pressão sobre Rosenior tende apenas a aumentar.

Créditos da foto de capa: Reprodução/Daily Mail.