Iga Swiatek Roland Garros
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Roland Garros: quem são as favoritas para o título da chave feminina?

Em mais um texto antes de Roland Garros, trazemos agora um panorama sobre as favoritas ao troféu na chave feminina. Com uma Iga Swiatek dominante no saibro, talvez você não se surpreenda com algumas das escolhas aqui apresentadas (ou com a ordem delas), mas como esta é uma lista puramente pessoal, o dileto leitor tem o direito de concordar ou discordar do que quiser.

Confira a lista das favoritas para Roland Garros:

5) Danielle Collins

Contaremos a maior história de 2024, desde o começo. No Aberto da Austrália, disputado em janeiro deste ano, Collins abriu uma larga vantagem, chegando a ter o serviço para eliminar a melhor jogadora do mundo, Iga Swiatek. Porém, começou a entregar pontos fáceis e acabou deixando a polonesa chegar. Iga levou o segundo set, empatou o jogo e a venceu de virada.

Após o jogo, uma transtornada Danielle Collins anunciou que se aposentaria ao final de 2024, uma decisão que assustou muita gente (incluindo este que vos escreve). Surpreendentemente, após o anúncio, Collins passou a jogar o melhor tênis de sua vida, ganhando títulos importantes e ostentando uma sequência de 22 partidas de invencibilidade, justamente no crepúsculo de sua carreira. Agora, uma boa campanha em Roland Garros pode tirá-la da aposentadoria?

Pontos Fortes: A “Danimal” vem com números incríveis neste ano. Natural da Flórida, conquistou o título do WTA 1000 de Miami, praticamente no quintal de casa, além de atingir o melhor ranking da carreira, justamente no último ano. Collins tem mostrado muita consistência nos golpes de quadra, com destaque para os inside outs, que bate bem em ambos os lados. Desde Miami (onde bateu, simplesmente, Elena Rybakina na final), somente uma jogadora foi capaz de domar a “Danimal”, Aryna Sabalenka, em Madri.

Pontos Fracos: Como ela mesma disse no podcast de Andy Roddick (ótima recomendação para você, fã de tênis), Collins é uma pessoa doce e calma fora de quadra, mas um furacão competitivo dentro dela. O temperamento de Danielle já a prejudicou em diversas oportunidades, e o episódio no Australian Open deste ano foi só o mais recente. Embora já tenha sido vice-campeã, Danielle Collins ainda busca seu primeiro Grand Slam aos 30 anos de idade. Não costuma ir muito longe, mas tem mostrado potencial para isso neste ano.

4) Coco Gauff

A atual campeã do Aberto dos EUA, Cori Gauff, já se provou como o maior talento americano desta geração (entre homens e mulheres). Com um estilo de jogo bem variado, com muitas trocas de efeitos, orquestrados pela grande inteligência da jovem, Gauff costuma dar muita dor de cabeça a qualquer rival, de qualquer tipo, principalmente no saibro de Roland Garros, onde apareceu para o mundo.

Na conquista em Nova York, destaca-se a grande melhora no saque de Cori, muito graças ao trabalho com Andy Roddick (olha ele aparecendo novamente aqui), para melhorar este fundamento com um dos maiores especialistas em saque de todos os tempos. Para Roland Garros, isso pode fazer a diferença.

Pontos Fortes: Gauff é uma das atletas mais talentosas que apareceram nos últimos anos, inegavelmente. Ela tem um diferencial sobre muitos tenistas americanos: entende muito de saibro! Já foi vice-campeã de Roland Garros há dois anos, com apenas 19 anos. Tem todas as ferramentas do mundo para repetir a dose.

Pontos Fracos: Por mais que as piores exibições já não sejam mais visíveis, o lado mental de Cori Gauff ainda pode voltar a assombrá-la. Já teve problemas de foco quando estava triste ou com raiva, e isso já a prejudicou muito em jogos importantes. Não vem de boa fase em quadra, o que se confirma quando vemos que não fez mais nenhuma grande apresentação após o US Open vencido.

3) Elena Rybakina

Rybakina é a jogadora com mais vitórias no circuito em 2024 chegando em Roland Garros. E até duas semanas atrás, era a que tinha mais títulos também (ultrapassada por Iga Swiatek). A cazaque vem mostrando, principalmente em pisos rápidos, que é uma potência de primeiríssima qualidade, com suas combinações de forehands e backhands profundos. Não se distrai muito com os holofotes, embora seja parte de peças publicitárias com muita frequência. Não costuma aparecer na mídia pelos motivos errados.

Pontos Fortes: Elena tem um estilo de força, mas com uma cadência elegante em seus golpes. Não costuma perder a cabeça e distribuir bolas rápidas sem direção, como se espera de alguém que foca neste tipo de estilo. Tem no saque uma de suas principais armas, mas as primeiras bolas também merecem louvor pela consistência e precisão.

Pontos Fracos: De uns anos para cá, Elena tem sofrido com alguns episódios de doenças, que sempre aparecem em torneios grandes, como em Roland Garros no ano passado e em Roma neste ano (onde defendia o título). Essa falta de jogos recentes pode torná-la uma incógnita no Aberto Francês, pois não se sabe em que condição Elena chega, dadas as poucas performances na terra batida em 2024.

2) Aryna Sabalenka

A bielorrussa, ex-número 1 do ranking, vem jogando muito bem no piso lento de saibro antes de Roland Garros, vencendo algumas especialistas na superfície para chegar a duas decisões de WTA 1000 em semanas seguidas. Sabalenka tem mostrado um ótimo relacionamento com sua equipe pessoal. Se comunica bem durante as partidas, brinca nos treinos e entrevistas, e traz frequentes melhorias ao seu jogo. Um dos frutos colhidos disso foi o bicampeonato do Australian Open, em janeiro.

Pontos Fortes: Assim como Rybakina, Sabalenka tem um estilo focado em força. Porém, a bielorrussa prefere a ofensividade total na linha de base, o que a difere da rival cazaque. Tem como característica acelerar o jogo de quadra a velocidades extremas, além de usar muito de sua energia em seus saques, o que a faz ser uma das líderes em aces na WTA. Se tiver o espaço que busca, Sabalenka com certeza empurrará a oponente cada vez mais para fora da quadra, tornando-se uma das forças mais dominantes do esporte.

Pontos Fracos: Lembre-se das duas finais seguidas de WTA 1000 citadas anteriormente. Em ambos os torneios (Madri e Roma), Sabalenka foi vice-campeã para a mesma oponente, Iga Swiatek. Nos dois jogos, Sabalenka foi vítima do ritmo imposto pela polonesa, perdendo-se completamente, especialmente no torneio italiano. A maior barreira a ser ultrapassada por Sabalenka em Roland Garros é Swiatek.

Além disso, pode sucumbir se deixar levar por um possível descontrole mental, pois às vezes tende a perder a paciência durante o saque, o que a faz bater muitas duplas faltas. O estilo de força bruta, algumas vezes, a faz exagerar e errar bolas fáceis.

1) Iga Swiatek

Não tem jeito. Era óbvio que ela estaria aqui. E você já esperava vê-la como principal candidata pelo número de vezes que Iga Swiatek foi citada neste texto como a maior barreira a ser superada pelas rivais. Iga já venceu Roland Garros três vezes e tem tudo para se tornar a versão feminina de Rafael Nadal, criando uma verdadeira dinastia no saibro francês. Continua investindo pesado na parte psicológica de sua equipe, não só para ganhar mais torneios, mas também para se sentir bem e não cair nos problemas de burnout e saúde mental que assolam muitas tenistas. É louvável de sua parte dar uma atenção especial ao assunto.

Pontos Fortes: Como uma autêntica saibrista (não a limite a isso) e dona de Roland Garros, Iga usa muitos efeitos verticais, abusando de topspins e backspins, ocasionalmente se rendendo a giros laterais também. Iga tem um trabalho de pernas que beira a perfeição, tornando seu jogo um pesadelo para qualquer uma em seu caminho. Além de Roland Garros, também busca a conquista do ouro olímpico em Paris (que também será disputado no complexo de Roland Garros) daqui a poucos meses.

Pontos Fracos: Realmente, dá trabalho procurar pontos fracos no jogo de Iga em pisos lentos. Mas um fator a melhorar é sua capacidade de alcançar bolas cruzadas que vão longe. Às vezes, Swiatek parece desistir muito cedo desse tipo de golpe, o que a faz perder pontos cruciais. Embora já venha mudando isso há um tempo, seu saque ainda não é um dos melhores do mundo, como deveria ser o serviço de uma número 1.

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