A Roma vive um momento delicado fora de campo. Mesmo com os avanços na gestão desde que os Friedkins assumiram o clube, em 2020, os números ainda não fecham como deveriam. De acordo com informações do jornal “Gazzetta dello Sport”, o clube giallorosso precisa levantar cerca de 90 milhões de euros até junho do próximo ano para não infringir as regras do Fair Play Financeiro da UEFA — que permitem perdas de até 60 milhões de euros num ciclo de três temporadas.
O déficit já havia sido reduzido nas últimas janelas, mas não o suficiente para garantir tranquilidade. As alternativas para gerar receita incluem desde novas parcerias comerciais até avanço em competições. Uma boa campanha na Serie A, que garanta premiação e maior visibilidade, somada a uma trajetória mais longa na Europa League, seria um alívio importante para os cofres. Além disso, a diretoria corre atrás de um novo patrocinador máster para substituir o contrato com a Riyadh Season, que rendia 12 milhões anuais.
Vendas dolorosas à vista para a Roma
Se, ainda assim, a conta não fechar, a saída será dolorosa: vender jogadores. E não jogadores periféricos, mas peças valiosas do elenco. Já nesta temporada, o clube resistiu à saída de Manu Koné para a Inter, numa operação que teria ajudado a reduzir parte do buraco financeiro. No entanto, o nome do meio-campista francês segue como um dos mais cobiçados da Roma. Com um valor de mercado estimado em 43,2 milhões de euros, segundo dados de mercado, ele é o ativo mais valioso do elenco.
Koné se consolidou como titular da seleção francesa e tem mercado aquecido em clubes de elite da Europa, especialmente na Premier League. Arsenal e Liverpool são apontados como interessados antigos, e um acordo em 2026 parece praticamente inevitável. A questão é se a Roma será capaz de segurá-lo até lá ou se vai precisar abrir mão dele já nas próximas janelas para aliviar as contas.
Matías Soulé e outros ativos preciosos
Outro nome que atrai olhares é Matías Soulé. O ponta argentino de 22 anos teve desempenho sólido na temporada passada, com cinco gols e cinco assistências, e nesta já balançou as redes uma vez. Com um valor de mercado na casa dos 34,7 milhões de euros, ele se tornou um dos principais ativos negociáveis do clube. Sua capacidade de drible e versatilidade tática fazem dele uma peça interessante para mercados como o italiano, o espanhol e, claro, o inglês.
Na frente, Artem Dovbyk também figura entre os mais valiosos, mesmo com uma passagem até agora irregular no Estádio Olímpico. O atacante ucraniano chegou a ser sondado por clubes da Premier League no último verão e esteve envolvido em rumores de uma troca com Santiago Giménez, do Milan. Embora a operação não tenha avançado, é um indício de que a Roma está aberta a movimentações envolvendo o camisa 9.
Defesa também na vitrine
Não são apenas os jogadores de meio e ataque que podem render cifras importantes. Na zaga, Evan Ndicka desponta como um dos mais procurados. Desde as últimas janelas já circulavam rumores de que a Roma não descartava propostas pelo defensor devido às dificuldades financeiras. Arsenal e Manchester United foram citados entre os interessados, e a cada mercado seu nome volta ao radar.
A possível saída de Ndicka traria um duplo desafio: reforçar o caixa, mas fragilizar ainda mais um setor que, na temporada passada, já sofreu com falta de profundidade. O dilema ilustra bem o que será o próximo verão para o clube romano: equilibrar finanças sem desmontar completamente o projeto esportivo.
Desafio para a diretoria e para De Rossi
Para o técnico Daniele De Rossi (ou qualquer outro à frente do time), o cenário é ingrato. É preciso montar uma equipe competitiva e, ao mesmo tempo, lidar com a iminência de perder jogadores importantes. A sensação é de um equilíbrio frágil: cada resultado em campo pode significar mais receitas ou mais pressão por vendas.
Os Friedkins conseguiram, em parte, estabilizar a Roma após anos de gestão turbulenta, mas o clube ainda não atingiu um patamar sustentável o suficiente para resistir a oscilações de receita. Sem avanços esportivos ou novos patrocinadores, o “fire sale” — aquela liquidação forçada — se torna cada vez mais provável. Para os rivais europeus, pode ser uma oportunidade de mercado; para a Roma, um risco de perder competitividade num momento chave do projeto.

