Foi anunciado pelo UFC o confronto entre o brasileiro Mauricio Ruffy e o estadunidense Bobby Green. Ocorrerá no dia 8 de março, em Las Vegas, no UFC 313 (cujo main event será a luta entre Alex Pereira x Magomed Ankalaev).
A luta em si promete e animou os fãs, pois ambos são strikers pouco ortodoxos e costumam dar show. No entanto, quais são as implicações de uma vitória para o brasileiro? Existe alguma chance de disputa de cinturão após uma vitória?
Disputa de cinturão
Ruffy traz muitas esperanças para o futuro do país na divisão peso leve, mas é preciso entender que ele ainda está distante de disputar o cinturão. Especialmente ao levarmos em consideração que os leves são uma das categorias mais disputadas e recheadas de talento no esporte.
Tanto o brasileiro quanto o americano não estão atualmente ranqueados na divisão. Uma vitória até poderia elevar Ruffy ao top 15 do ranking (embora isso seja improvável), mas provavelmente serão necessárias pelo menos mais três boas vitórias para alcançar um title shot.
Apesar de uma vitória não garantir o title shot, essa luta é muito importante para o brasileiro. Destacamos duas razões.
Velha guarda vs nova geração
É comum que o UFC promova confrontos entre veteranos e promessas. Entre outras razões, a organização busca preservar lutadores mais jovens, ao evitar que um confronto entre promessas necessariamente acabe com uma delas sendo derrotada. Com isso o UFC estaria, em alguma medida, preservando o futuro da categoria.
A luta entre Ruffy e Green é um bom exemplo disso. Ruffy é uma grande promessa da divisão. Green tem 38 anos e nada menos do que 26 lutas na organização. É um verdadeiro confronto de gerações.
Vencer um veterano é quase que um passo necessário para uma promessa se provar no UFC. Veja, por exemplo, que o parceiro de treino do Ruffy, Carlos Prates, teve que vencer o veterano Neil Magny para sacramentar seu lugar no top 15 dos meio-médios. Há diversos outros exemplos disso.
A má notícia para o Ruffy é que perder para um veterano é praticamente um “balde de água fria” na promessa. Veja, por exemplo, quantos passos para trás o Raul Rosas Jr. teve que dar ao perder para o mais experiente Christian Rodriguez. Pense, também, em quantos passos para trás Payton Talbott dará após sofrer uma derrota dura para o veterano Raoni Barcelos esse ano.
A segunda má notícia para o Ruffy é que na divisão dos leves as promessas têm se dado mal contra os veteranos ultimamente. Basta ver que Justin Gaethje arruinou os planos da promessa Rafael Fiziev e que Dustin Poirier jogou a sensação francesa Benoit Saint Dennis vários lugares para baixo no ranking.
É uma tarefa difícil, mas necessária e de validação para Mauricio Ruffy.
Ruffy quer manter o hype
Com três vitórias adicionais consecutivas pode ser que Ruffy dispute o cinturão, mas isso não é garantido na talentosa divisão dos leves.
No entanto, o brasileiro tem algo que pode garantir um title shot mais rápido do que o normal: hype.
Não me entenda errado: Ruffy é um bom lutador. Mas é inegável que ele tem aquela coisa “extra”, que poucos sabem explicar e que não se justifica pelos fatos. Reflita, por exemplo, que Ruffy com uma vitória na organização já foi comparado ao astro Conor McGregor. Só o fato de estarmos discutindo uma disputa de cinturão, com ele fora do top 15, já explica muita coisa.
Para manter o hype, Ruffy precisa vencer. Em vencendo, o hype eleva a velocidade com a qual o brasileiro sobe no ranking.
Na última luta, Mauricio venceu, mas fez uma luta dura com um lutador que poucos esperavam que pudesse competir com o brasileiro. Isso já reduziu um pouco do seu hype. Imagina o que ocorreria com uma derrota para Green.
Por fim, uma menção honrosa: vale citar um exemplo do que é conquistar o topo da divisão dos leves na velocidade dos “reles mortais”. Grant Dawson tem 11 vitórias, 1 derrota e 1 empate na divisão e é apenas o número 15 da categoria. Só o fato de Ruffy estar na boca do gol do top 15, com apenas duas vitórias na organização, já mostra o poder do “hype”.