George Russell, da Mercedes, marcou a pole position para o GP da Austrália, que abre a temporada 2026 da Fórmula 1, na madrugada deste sábado (07). O primeiro treino classificatório do novo regulamento viu um pouco de tudo: surpresas positivas, negativas, bandeiras vermelhas e uma inesperada batida de Max Verstappen.
O companheiro do inglês na Mercedes, Andrea Kimi Antonelli, fechou a dobradinha da equipe alemã, confirmando o favoritismo sugerido após a pré-temporada. Na ausência de Verstappen, foi Isack Hadjar quem colocou a Red Bull nas posições ponteiras, com a melhor posição de largada da carreira em terceiro lugar.
Gabriel Bortoleto extraiu o máximo de sua Audi e conquistou uma vaga no Q3, mas um problema eletrônico o impediu de disputar a sessão final. O brasileiro largará em 10º.
Confira como foi o treino que definiu o grid de largada da primeira etapa da temporada.

Verstappen bate forte no Q1; Stroll e Sainz ficam de fora
A primeira sessão começou com duas baixas — que poderiam ter sido três. Carlos Sainz e Lance Stroll sequer saíram dos boxes por problemas no carro, e Antonelli ainda não tinha o carro completamente consertado após bater no TL3.
O italiano da Mercedes se beneficiou de uma bandeira vermelha para ter tempo suficiente de ir à pista. A interrupção foi causada por uma rara batida de Verstappen, que teve uma falha nas rodas traseiras na frenagem da curva 1, rodou e bateu no muro.
Após a pancada, o tetracampeão saiu se queixando de dores nas mãos por não ter soltado o volante no momento da perda de controle. O carro não ficou tão afetado quanto poderia, dada a velocidade em que vinha o holandês.
Uma das surpresas foi Fernando Alonso, que conseguiu superar os problemas crônicos da unidade de potência da Honda e colocou a Aston Martin na antepenúltima posição entre os classificados, à frente das duas Cadillac.
Chamou a atenção o fato de a Ferrari poupar pneus macios e andar apenas com os médios no Q1, aproveitando-se da larga vantagem das quatro forças — Ferrari, Mercedes, McLaren e Red Bull — sobre as demais.
Os eliminados foram Alonso, Sergio Pérez, Valtteri Bottas, Verstappen, Sainz e Stroll. O canadense da Aston Martin é dúvida para a corrida de domingo. Não tendo fechado nenhum dos treinos livres dentro do limite mínimo de 107%, ele precisaria de uma autorização especial para correr.
A sessão foi liderada por Russell, seguido por Oscar Piastri e Lewis Hamilton.
Bortoleto avança ao Q3; Alpine e Haas decepcionam
As surpresas positivas do Q2 foram Bortoleto e a dupla da Racing Bulls, Arvid Lindblad e Liam Lawson. O brasileiro bateu seu companheiro de equipe Nico Hülkenberg na disputa interna, ficou na 10ª posição e se tornou o primeiro piloto da Audi a ir ao Q3 em sua trajetória recém-iniciada na Fórmula 1.
A equipe satélite da Red Bull tem sido a força mais significativa do fim de semana em Melbourne. Lindblad se classificou em oitavo, seguido de Lawson em nono. Por pouco o britânico não causou um incidente forte no retorno ao pit lane.
Do outro lado da moeda estão Alpine e Haas. Na pré-temporada, ambas figuravam como as potências do meio do pelotão, mas a expectativa não se concretizou em realidade, ao menos no treino para o GP da Austrália.
Oliver Bearman foi a melhor Haas, em 12º, uma posição à frente de seu companheiro Esteban Ocon. Já a dupla da Alpine ficou apenas na 14ª posição, com Pierre Gasly, e na 16ª, com Franco Colapinto. Os quatro ficaram fora da última sessão de classificação, junto da Williams de Alexander Albon (15º).
Apesar do resultado excepcional de Bortoleto, o brasileiro teve um problema ao voltar para os boxes e sua Audi parou na entrada, sem possibilidade de religamento. Com isso, precisou de ajuda externa para recolher o carro e não pôde participar do Q3, mas manteve a 10ª posição.
De acordo com a jornalista Julianne Cerasoli, o motor de Bortoleto entrou em “falso neutro”. A equipe forneceu instruções para tentar reiniciar o sistema, mas não funcionou.
Novamente, Russell colocou a Mercedes na ponta antes da sessão definitiva, seguido por Charles Leclerc e Antonelli.
Russell crava pole position e Hadjar surpreende
Chegada a hora decisiva do treino de classificação, os carros foram à pista para os 12 minutos de Q3. Antes que alguém pudesse dar uma volta competitiva, a bandeira vermelha foi agitada com nove minutos para o final. A Mercedes esqueceu de retirar os resfriadores do carro de Antonelli, que caíram sobre a pista.
Para piorar a situação de risco, Lando Norris passou por cima da peça, espalhando estilhaços ao longo do trecho entre as curvas 2 e 3 e danificando levemente a asa dianteira de sua McLaren.
Após a breve interrupção para a limpeza da pista, a sessão recomeçou. O líder após o primeiro stint foi Russell, com cerca de meio segundo de vantagem para o vice-líder provisório Norris.
A um minuto e meio do fim, Antonelli veio para sua única volta rápida e assumiu a ponta, mas sua liderança durou pouco. Logo em seguida veio Russell com três setores roxos para desbancar o italiano e cravar a pole position, por dois décimos de vantagem sobre o companheiro de equipe.
Esta foi a oitava pole de Russell na Fórmula 1. A última havia sido no GP de Singapura de 2025, prova vencida pelo inglês.
A disputa foi acirrada pela terceira posição, com Leclerc, Piastri e Hadjar na briga. O francês da Red Bull passou por último e garantiu a melhor qualificação de sua carreira, abrindo a segunda fila em terceiro lugar.
Na sequência, Leclerc, Piastri, Norris, Hamilton, Lawson, Lindblad e Bortoleto fecharam o top 10, respectivamente.