É difícil imaginar nos dias de hoje, mas, no passado, a Fórmula 1 promovia diversas corridas extracampeonato. Isto é, provas disputadas entre carros e pilotos da categoria que não valiam pontos para o Mundial. A última delas ocorreu em 1983, em Brands Hatch, e foi vencida por Keke Rosberg, campeão de 1982 e pai de Nico Rosberg.
O site Autosport reuniu os resultados dessas provas fora do calendário em um experimento para descobrir quem teria sido campeão em cada temporada caso elas contassem pontos para um campeonato alternativo, excluindo os Grandes Prêmios oficiais da Fórmula 1.
Clark tetracampeão; Brabham, Moss e Stewart seriam tri

O maior nome no hall dos campeonatos extraoficiais de Fórmula 1 seria Jim Clark. O britânico é apontado por muitos como um dos melhores pilotos da história da categoria, embora seu nome não seja tão popular entre as novas gerações.
Em uma Fórmula 1 com calendários menos inchados e marcados por pouca confiabilidade, Clark estabeleceu na década de 1960 um recorde de pole positions (33) que só seria quebrado por Ayrton Senna em 1989. Ele foi bicampeão mundial de Fórmula 1.
No experimento, seu número de títulos dobraria. Ele venceria quatro campeonatos extraoficiais consecutivos, de 1962 a 1965. No ano do tri, sua vantagem para o vice Graham Hill seria de apenas um ponto.
Outro dado curioso é que Stirling Moss, amplamente reconhecido por ser o maior piloto a nunca ter sido campeão de Fórmula 1, teria três troféus em seu nome. Um contraste merecido para o piloto que somou 14 vitórias e 24 pódios em 66 corridas ao longo dos anos 1950.
Além de Moss, Jack Brabham e Jackie Stewart também conquistariam três títulos no experimento.
McLaren se junta a campeões pouco conhecidos

Alguns nomes menos conhecidos do grande público figuram na lista, como Roy Salvadori, Louis Rosier, Maurice Trintignant e Jean Behra. O primeiro deles aliou consistência a duas vitórias em Goodwood e Aintree, circuitos britânicos, para vencer em 1955.
Bruce McLaren se juntaria a Moss no grupo de grandes pilotos que nunca venceram um Mundial. Fundador da equipe que leva seu sobrenome, ele venceria uma única prova extracampeonato, em Brands Hatch, suficiente para coroá-lo “campeão” em 1968.
A partir de 1964, o número de corridas fora do calendário mundial diminuiu gradualmente. Com exceção de 1979, todas as temporadas a partir de 1977 contaram com apenas uma prova extra.
Todos os campeões extracampeonato da Fórmula 1
| Temporada | Piloto | Corridas | Pontuação |
|---|---|---|---|
| 1950 | Juan Manuel Fangio | 17 | 47,5 |
| 1951 | Louis Rosier | 13 | 44 |
| 1952 | Piero Taruffi | 6 | 23,5 |
| 1953 | Giuseppe Farina | 4 | 17 |
| 1954 | Maurice Trintignant | 19 | 49 |
| 1955 | Roy Salvadori | 14 | 35,5 |
| 1956 | Stirling Moss | 10 | 31,5 |
| 1957 | Jean Behra | 11 | 55,5 |
| 1958 | Stirling Moss | 6 | 16,5 |
| 1959 | Jack Brabham | 5 | 26 |
| 1960 | Innes Ireland | 6 | 25 |
| 1961 | Stirling Moss | 21 | 75 |
| 1962 | Jim Clark | 20 | 58,5 |
| 1963 | Jim Clark | 14 | 53 |
| 1964 | Jim Clark | 8 | 24 |
| 1965 | Jim Clark | 6 | 24 |
| 1966 | Jack Brabham | 4 | 18 |
| 1967 | Jack Brabham | 7 | 28 |
| 1968 | Bruce McLaren | 3 | 15 |
| 1969 | Jackie Stewart | 3 | 13 |
| 1970 | Jackie Stewart | 3 | 15 |
| 1971 | Jackie Stewart | 8 | 18 |
| 1972 | Emerson Fittipaldi | 7 | 42 |
| 1973 | Peter Gethin e Jackie Stewart | 2 | 9 |
| 1974 | Emerson Fittipaldi | 3 | 13 |
| 1975 | John Watson | 3 | 11 |
| 1976 | James Hunt | 2 | 18 |
| 1977 | James Hunt | 1 | 9 |
| 1978 | Keke Rosberg | 1 | 9 |
| 1979 | Niki Lauda | 3 | 11 |
| 1980 | Alan Jones | 1 | 9 |
| 1981 | Carlos Reutemann | 1 | 9 |
| 1983 | Keke Rosberg | 1 | 9 |
Foi utilizado o mesmo sistema de pontuação vigente no Campeonato Mundial de Pilotos (8-6-4-3-2 + 1 ponto pela volta mais rápida) de 1950 a 1958 e depois (8-6-4-3-2-1) em 1959. A pontuação para o vencedor subiu para nove pontos de 1960 até 1983.
(Foto principal:)



