Pode até parecer exagero à primeira vista, mas não é: Mohamed Salah vai deixar o Liverpool como um dos maiores jogadores da história da Premier League e, para muitos, o melhor da última década.
O anúncio da saída ao fim da temporada, sem custos, encerra um ciclo de nove anos que mudou completamente o patamar do clube inglês. E também consolidou o egípcio como um daqueles nomes que não dá pra discutir sem elevar o tom.
De “rejeitado” a referência absoluta
Quando Mohamed Salah voltou à Inglaterra em 2017, vindo da Roma, ainda existia uma certa desconfiança. Afinal, sua primeira passagem pelo Chelsea não tinha sido exatamente brilhante, algo que dá para considerar até bem longe disso.
Mas Jürgen Klopp enxergava algo diferente. O treinador alemão já acompanhava Salah desde os tempos de Basel e acreditava que estava diante de um jogador pronto para dar o salto. Spoiler: ele estava mais do que certo.
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Logo na primeira temporada, Salah não apenas correspondeu, ele simplesmente explodiu. Igualou recordes históricos do clube ainda antes do fim do ano e virou protagonista imediato. Aquela contratação que parecia “boa” rapidamente se transformou em uma das mais impactantes da história recente do futebol europeu.
Salah e seus números de outro planeta
Se a gente fosse resumir a passagem de Mohamed Salah por números, já seria suficiente para colocá-lo entre os gigantes. São 255 gols em 435 jogos pelo Liverpool, o que o coloca no top 3 de maiores artilheiros da história do clube. E esse número ainda pode aumentar antes da despedida.
Na Premier League, o impacto é ainda mais absurdo. Apenas Alan Shearer, Wayne Rooney e Harry Kane marcaram mais gols na competição. E aqui entra um detalhe importante: Salah não é um centroavante clássico. Ele joga aberto, vindo da direita.
Ou seja, o cara compete com camisas 9 históricos… sendo ponta. Não é normal.
E se gols já impressionam, o combo completo é ainda mais assustador. Somando gols e assistências, ele simplesmente dominou a liga nos últimos anos. São 281 participações diretas em gols, mais de 100 à frente do segundo colocado, Heung-Min Son.
Sim, é um abismo.
O jogador que redefiniu o Liverpool moderno
Não dá pra contar a história recente do Liverpool sem colocar Mohamed Salah no centro de tudo. Desde sua chegada, o clube voltou a ganhar a Premier League, algo que não acontecia há 30 anos. E isso sem falar na conquista da UEFA Champions League e outros títulos importantes.
Mas mais do que troféus, Salah ajudou a construir uma identidade. Aquele Liverpool intenso, vertical, agressivo, muito disso passa por ele.
Jürgen Klopp foi fundamental nesse processo, claro. Ajustou o time, colocou Sadio Mané pela esquerda e deu a Salah o protagonismo pelo lado direito. Depois, já com Arne Slot, houve uma adaptação: menos responsabilidade defensiva e mais foco naquilo que ele faz melhor, decidir jogos.
Resultado? Temporadas históricas, incluindo uma com 47 participações em gols, uma das maiores da história da liga.
Consistência absurda (e um físico de ferro)
Se tem uma coisa que diferencia os grandes dos lendários, é consistência. E nisso, Mohamed Salah sobra.
Desde 2017/18, pouquíssimos jogadores atuaram tanto quanto ele. Nomes como Jordan Pickford e James Tarkowski são exceções, mas ambos são defensores, o desgaste é outro.
Salah, como atacante, manteve nível altíssimo por praticamente uma década inteira. Mesmo em temporadas consideradas “abaixo”, seus números ainda estavam entre os melhores da liga.
É aquele padrão que a gente só percebe quando acaba: o cara fazia parecer normal meter 25, 30 participações em gols por temporada.
O declínio… e a despedida
Claro, o tempo chega para todo mundo. Próximo dos 34 anos, Mohamed Salah já não mantém exatamente o mesmo nível físico de antes.
A queda, ainda que pequena, ficou mais visível recentemente. E também houve fatores externos: mudanças no elenco, saída de peças importantes como Trent Alexander-Arnold e até alguns atritos internos, especialmente com Arne Slot.
Por um momento, parecia que a história poderia terminar de forma meio amarga. Mas o futebol, às vezes, gosta de corrigir seus roteiros.
Após a Copa Africana de Nações, Salah voltou ao time, recuperou protagonismo e ganhou a chance de se despedir dentro de campo, como merece.
Um legado que vai além dos números
No fim das contas, Mohamed Salah deixa o Liverpool como ídolo máximo de uma geração. Um jogador que não só empilhou estatísticas, mas mudou o rumo de um clube inteiro.
Na discussão sobre os maiores da história da Premier League, o nome dele já está garantido. Se é top 5, top 3 ou até o melhor… aí vai da opinião de cada um.
Mas uma coisa é certa: durante anos, enquanto muita gente brigava por espaço, Salah jogava em outra prateleira.
E isso, convenhamos, é coisa de lenda.
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