O Santos conseguiu uma estabilidade interessante nos últimos jogos e afastou uma sensação de crise incômoda neste início de temporada, mas a inesperada eliminação nas quartas de final do Paulistão provocaram o retorno de críticas pesadas aos jogadores e à comissão técnica. Com a derrota por 2 a 1 diante do Novorizontino, o Peixe viu sua maior chance de título da temporada ruir em uma questão de minutos, sem conseguir ao menos ser muito competitivo diante do time que teve a melhor campanha na fase inicial.
Santos acabou sendo menos letal que o Novorizontino
Cabe ressaltar que o técnico Enderson Moreira montou um sistema muito sólido, alternando entre o 4-2-3-1 e uma linha defensiva de cinco quando pressionado. A equipe permitiu que o Santos tivesse a bola (cerca de 60% de posse), mas impediu espaços pelo corredor central. Diante desse cenário, precisamos falar sobre Rômulo: o camisa 10 teve papel fundamental, e além de marcar o primeiro gol aos 47′ do primeiro tempo após jogada de Tavinho, ele conectou as transições rápidas que expuseram a lentidão da recomposição santista.
O Santos entrou com força máxima, incluindo a primeira titularidade de Neymar no ano, mas o time sofreu com a falta de equilíbrio. Em busca de uma oportunidade na Seleção Brasileira, o veterano tentou centralizar as ações, mas a falta de ritmo de jogo foi evidente, errando passes cruciais (um deles originou o primeiro gol do adversário) e com muitas dificuldades para recompor, deixando o lado esquerdo vulnerável. Certamente, foi um desempenho que deixou Carlo Ancelotti ainda mais convicto para deixá-lo de fora da convocação para os amistososde março.
A entrada de Gabriel Bontempo no segundo tempo mudou a dinâmica do Santos, pois o jovem trouxe a agressividade que faltava e marcou o gol de empate aos 19′, aproveitando uma sobra após jogada de Gabigol. No entanto, o sistema com Adonis Frías e Luan Peres sofreu com as bolas cruzadas e as jogadas de linha de fundo do Novorizontino.
A equipe de Vojvoda foi reativa por necessidade, mas não conseguiu sustentar o empate que levaria a decisão para os pênaltis. O gol da vitória dos mandantes, marcado por Léo Naldi aos 50′ do segundo tempo, foi fruto de uma pressão final em que o Novorizontino demonstrou melhor preparo físico e mental para os minutos decisivos. Ou seja, o Novorizontino avançou porque jogou como uma unidade compacta e conseguiu executar bem suas chances de finalização. O Santos, apesar de ter mais volume no segundo tempo e peças de elite pagou o preço pela desorganização defensiva e erros individuais na saída de bola.
Eliminação do Santos expôs atuação instável de Neymar
Aos 45 minutos do primeiro tempo, Neymar tentou uma saída de bola curta no campo de defesa e errou o passe rasteiro, entregando a bola para Tavinho, que serviu Rômulo para abrir o placar. Esse lance foi o “divisor de águas” tático, forçando o Santos a se expor ainda mais. A boa notícia para o santista é que ele aguentou os 90 minutos, algo que não acontecia desde sua lesão. No entanto, a falta de explosão nas jogadas de um contra um foi nítida, sendo neutralizado em várias ocasiões pela dobra de marcação do Novorizontino, deixando uma sensação bem negativa.
Imagem: Gazeta Press