Com direito a pintura e superioridade tática, o Santos venceu o Corinthians, por 3 a 1, na Vila Belmiro. Os gols da vitória foram marcados por Zé Rafael, Álvaro Barreal e Benjamin Rollheiser, de pênalti, enquanto Raniele descontou. Com o resultado, o Peixe ganha um alívio na missão de evitar o rebaixamento, enquanto o Timão chega a 12ª derrota no torneio. Confira como foi a partida válida pela 28ª rodada:
Antes da bola rolar…
No lado do Peixe, Juan Pablo Vojvoda optou por manter o meio-campo que vinha atuando nas últimas partidas. Com a lesão de Victor Hugo, o técnico preservou Barreal na função central. Já Bontempo e Arão, outras opções para o setor, começaram no banco de reservas.
Os desfalques do Santos foram Neymar (lesão no reto femoral da coxa direita), Tomás Rincón (edema na panturrilha esquerda) e Tiquinho Soares (suspenso pelo terceiro cartão amarelo). Em contrapartida, a comissão técnica comemorou os retornos de Mayke e Victor Hugo, recuperados de contusões.
Pelo lado do Corinthians, Lucas Silvestre — que substituiu Dorival Júnior, suspenso — promoveu três mudanças na equipe titular. Devido às suspensões de Hugo Souza e Matheus Bidu e à ausência de José Martínez, o treinador escalou Felipe Longo no gol, além de Fabrizio Angileri e Hugo para as funções na lateral e no meio-campo, respectivamente.
Outro desfalque foi André Ramalho, ainda em recuperação de um estiramento na coxa direita. O zagueiro já iniciou o processo de transição física e deve retornar em breve.
A torcida corintiana, por sua vez, aguardava ansiosamente as voltas de Rodrigo Garro e Memphis Depay. O argentino, embora recuperado de uma lesão na panturrilha, segue aprimorando o condicionamento físico. Já o holandês retornou da seleção e foi poupado, ficando no banco, assim como Garro. A boa notícia ficou por conta de André Carrillo, totalmente recuperado de uma lesão no tornozelo e novamente relacionado para o clássico.
Antes da bola rolar, o Corinthians realizou uma campanha contra o feminicídio. Os jogadores entraram em campo com uma camisa especial, estampando frases que lembravam casos de assassinatos de mulheres ainda sem solução — uma ação importante e necessária.
Domínio santista na Vila
O início de jogo não poderia ser melhor para o Santos. Logo na primeira cobrança de escanteio, Álvaro Barreal levantou na área e Zé Rafael desviou de cabeça para o fundo das redes, abrindo o placar na Vila Belmiro. Um gol simbólico: o primeiro do camisa 6 com a camisa santista, coroando o bom momento que vive sob o comando de Vojvoda.
Com a vantagem, o Santos apresentou um futebol envolvente, com posse de bola e troca de passes de alto nível. O time iniciava as jogadas quando Barreal recuava para buscar o jogo ou quando João Schmidt atuava como primeiro passador. Zé Rafael, destaque do meio-campo, fazia o jogo girar, participava das construções e aparecia na área para finalizar. A liberdade criativa do Peixe contrastava com a dificuldade corintiana em se encontrar em campo.
A pressão alta santista também foi determinante. O time de Vojvoda abafava a saída de bola adversária com intensidade, obrigando o Corinthians a se desfazer rapidamente da bola. A cena mais emblemática veio de uma furada grotesca de Angileri, que arrancou risadas da torcida na Vila.
O Timão pouco produzia. Mal passava do meio de campo e sofria com o esquema de três zagueiros, que se mostrou um erro estratégico. O sistema exige defensores com boa qualidade de passe — característica que os titulares corintianos não apresentaram. Assim, quando conseguiam sair jogando, faltavam opções para dar sequência às tramas ofensivas, e os santistas recuperavam a bola com facilidade.
Superior em todos os aspectos — técnico, físico e tático —, o Santos ampliou a vantagem aos 38 minutos, quando Barreal marcou um golaço, coroando um primeiro tempo impecável. O placar poderia ser ainda mais elástico se Lautaro Díaz e Guilherme tivessem calibrado a pontaria nas chances que criaram.
Timão reage, mas Santos confirma a vitória
Percebendo que a formação inicial comprometia a saída de bola, Lucas Silvestre tratou de redesenhar o time. André Luiz e Kayke entraram com a missão de dar nova energia e mais poder de fogo ao ataque corintiano. A leitura foi correta, mas insuficiente para evitar o terceiro gol santista.
Logo no início da etapa complementar, Breno Bidon cometeu pênalti em cima de Zé Rafael, que novamente aparecia como elemento surpresa na área. Na cobrança, Rollheiser bateu com categoria e ampliou para o Peixe. A festa foi intensa — com aplausos de Neymar, presente nas tribunas da Vila Belmiro. Mas a comemoração durou pouco: Raniele diminuiu para o Corinthians em uma jogada de bola parada, explorando justamente o ponto que parecia mais promissor para o time visitante.
O gol deu ânimo ao Timão, que passou a se reorganizar. Lucas Silvestre lançou mão de suas principais armas: Memphis Depay e Rodrigo Garro — ambos titulares, mas que começaram no banco por motivos físicos (o argentino voltando de lesão e o holandês, de compromissos com a seleção). A entrada da dupla surtiu efeito imediato: o Corinthians passou a ter mais posse de bola, volume ofensivo e fluidez nas jogadas de ataque. Yuri Alberto, até então isolado, finalmente ganhou companhia na linha de frente.
Na metade do segundo tempo, o Santos começou a demonstrar sinais de desgaste — algo natural para uma equipe que impõe tanta intensidade. O cansaço permitiu ao adversário ocupar mais o campo de ataque e controlar a posse de bola. Houve, então, uma inversão momentânea de domínio, e o segundo gol corintiano quase saiu: Gustavo Henrique acertou o travessão em uma cabeçada perigosa, em lance que por pouco não recolocou o Timão na partida.
Atento, Vojvoda reagiu rápido. Reforçou o setor de marcação com Victor Hugo e Willian Arão, e devolveu criatividade ao meio-campo ao acionar Robinho Júnior e Gabriel Bontempo. O Santos retomou o controle e administrou o resultado até o apito final — ainda que tenha sofrido mais do que gostaria na etapa complementar.
O Peixe confirmou o ótimo momento sob o comando de Vojvoda, enquanto o Timão mostrou poder de reação, mas pecou pela inconsistência defensiva e pela demora em se encontrar taticamente no jogo. Fim de jogo: Santos 3×1 Corinthians.
Próximos jogos de Santos e Corinthians
O Santos, apesar da vitória, se manteve na 16ª posição da tabela. No entanto, abriu seis pontos da zona da degola. O Alvinegro Praiano está com 31 pontos e na próxima rodada recebe o Vitória, na segunda-feira (20), às 21h30 (de Brasília). O confronto com o rubro-negro baiano é fundamental para a missão de evitar o rebaixamento e começar a olhar para cima no campeonato.
Derrotado, o Corinthians está na 12ª colocação, com 33 pontos somados — apenas dois de distância em relação aos rival da Baixada Santista. Pela 29ª rodada do Brasileirão, o time de Parque São Jorge encara o Atlético Mineiro no sábado (18), às 18h30, na Neo Química Arena.
Créditos da foto de capa: Jota Erre/AGIF — Reprodução.