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Santos precisa encerrar a “missão Neymar 2026” e reformular elenco

O Santos vive hoje um dos momentos mais perigosos para qualquer clube grande: aquele em que a esperança começa a atrapalhar mais do que ajudar. Porque o Peixe ainda parece preso a uma ideia que já deveria ter acabado há algum tempo: a “missão Neymar 2026”.

Desde o retorno de Neymar ao futebol brasileiro, criou-se uma sensação de que o clube precisava montar um elenco experiente, competitivo imediatamente e preparado para “aproveitar a janela” do camisa 10 antes da Copa do Mundo. Na teoria, parecia até compreensível. Na prática? O resultado foi um elenco pesado, caro, fisicamente desgastado e que claramente não acompanha mais o ritmo que o futebol moderno exige.

E talvez o maior problema seja justamente esse: o Santos começou a tomar decisões pensando em proteger Neymar, quando deveria estar pensando em proteger o próprio futuro.

O Santos melhorou coletivamente, mas isso não esconde os problemas

É importante deixar uma coisa clara: o time mostrou evolução coletiva recentemente. A equipe está mais organizada, compete melhor fisicamente em alguns momentos e parece ter encontrado uma estrutura minimamente funcional em comparação ao caos visto anteriormente.

Só que evolução coletiva não significa que o elenco esteja saudável, e muito menos que consiga jogar bem o tempo inteiro, essa realidade foi muito bem respondida ao serem massacrados pelo Coritiba neste último fim de semana por 3 a 0 na Neo Química Arena.

Existe uma diferença importante entre um time organizado e um elenco bem montado. E o Santos ainda está longe da segunda opção. A sensação é que o clube acumulou jogadores experientes demais, lentos demais ou fisicamente comprometidos demais para sustentar uma equipe intensa durante uma temporada inteira.

Em alguns jogos isso até funciona, especialmente quando Neymar consegue controlar ritmo, acelerar jogadas e dar aquela sensação de que tudo pode acontecer a qualquer momento. Só que futebol não se constrói mais apenas em volta de lampejos técnicos. Principalmente no Brasileirão atual, onde intensidade virou praticamente obrigação.

A “missão Neymar” virou uma armadilha

Talvez o maior erro do Santos tenha sido transformar Neymar numa espécie de projeto esportivo completo. O clube parece ter tomado várias decisões pensando exclusivamente em criar um ambiente confortável para o camisa 10. O problema é que isso trouxe consequências perigosas para o restante do elenco.

Porque enquanto o futebol brasileiro acelerava fisicamente, o Santos começou a montar um grupo mais velho, menos dinâmico e extremamente dependente de encaixes específicos para funcionar. E isso aparece claramente em campo.

Quando o jogo desacelera, Neymar encontra espaços, controla posse e consegue elevar tecnicamente a equipe. Mas quando a partida vira trocação física, pressão alta e intensidade constante, o Santos sofre demais. Não por falta de vontade. Por limitação física mesmo. E isso não é coincidência.

O Santos precisa reformular o elenco urgentemente

Se o clube realmente quiser construir algo sustentável para os próximos anos, algumas decisões difíceis precisam acontecer. E sinceramente? Já passaram da hora.

Nomes como Mayke, Escobar, Willian Arão, Zé Rafael, Tomás Rincón, Moisés, Rony, Thaciano e Lautaro Díaz representam exatamente esse perfil de elenco que talvez já não faça sentido para o momento atual do clube, ou são nomes que não se encaixaram ao estilo do grupo, ou só não consegue entregar a altura, o tempo passou.

Alguns pela idade. Outros pelo encaixe técnico. Outros simplesmente porque entregam muito menos do que custam esportivamente. E aqui entra um ponto importante: reformular não significa sair dispensando todo mundo aleatoriamente. Mas significa entender que o Santos precisa voltar a construir um elenco mais jovem, mais físico e mais sustentável.

Hoje, o time parece constantemente no limite. Isso já ficou evidente em várias partidas recentes, ainda mais com o Peixe se prestando a atuar em três vertentes, na Sul-Americana, Copa do Brasil e no Brasileirão. Em jogos mais intensos, o Santos frequentemente perde força ao longo dos minutos, baixa linhas cedo demais e começa a depender excessivamente de momentos individuais.

É um comportamento típico de equipes que sentem desgaste físico acumulado.

Neymar não pode ser o centro absoluto do planejamento

E talvez essa seja a parte mais difícil para o torcedor aceitar. O Santos precisa parar de montar o clube inteiro ao redor da ideia de Neymar, do hipotético Neymar que tem enormes chances de não jogar mais pela equipe alvinegra praiana depois da convocação da Seleção Brasileira.

Isso não significa diminuir a importância do camisa 10. Muito pelo contrário. Neymar continua sendo o jogador mais talentoso do futebol brasileiro em atividade e ainda consegue decidir partidas praticamente sozinho quando está saudável. Só que o clube não pode mais viver em função de uma esperança emocional.

Porque existe uma realidade dura aí: fisicamente, Neymar também já não consegue sustentar sequência pesada de jogos como antigamente. O próprio Santos já precisou administrar minutos, intensidade e até calendário pensando nisso.

Ou seja: insistir num elenco envelhecido para tentar “maximizar” uma janela curta talvez esteja apenas atrasando uma reconstrução inevitável. O Santos precisa começar a pensar no que será o clube daqui dois, três ou quatro anos e não apenas no próximo jogo do Neymar.

O futebol moderno pede outra intensidade

Existe uma característica clara nos melhores times do futebol atual: intensidade. Os grandes elencos hoje conseguem pressionar alto, acelerar transições, sustentar fisicamente jogos frenéticos e ainda manter qualidade técnica. O Santos, em muitos momentos, parece exatamente o oposto disso.

Quando enfrenta equipes mais intensas, sofre. Quando precisa reagir fisicamente, sofre. Quando o jogo exige velocidade constante, sofre. E isso não se resolve apenas com ajuste tático. Resolve-se com perfil de elenco.

Talvez seja justamente por isso que a reformulação precise começar imediatamente. O Santos não pode continuar acumulando peças que fazem sentido apenas num futebol mais lento e controlado, porque o Brasileirão atual raramente oferece esse cenário.

O Santos precisa escolher entre nostalgia e futuro

No fundo, o debate inteiro talvez se resuma a isso. O Santos quer continuar vivendo da nostalgia em torno de Neymar ou quer realmente construir um projeto competitivo para os próximos anos?

Porque as duas coisas nem sempre caminham juntas.

A “missão Neymar 2026” parecia sedutora emocionalmente. Só que futebol moderno cobra preço alto de decisões emocionais. E o Santos começa a perceber isso dentro de campo.

O clube ainda possui talento, camisa pesada e uma base historicamente forte. Continua sendo uma das instituições mais importantes do futebol brasileiro. Mas precisa urgentemente voltar a pensar como um clube que quer crescer esportivamente e não apenas sobreviver em volta de uma grande estrela.

Foto: Reprodução/X