O Santos vive mais uma temporada cercada por dúvidas, ansiedade e aquela sensação constante de que o time está tentando apagar incêndio enquanto alguém continua brincando com fósforo dentro da Vila Belmiro. E o pior: o cenário para a sequência do ano não parece exatamente animador.
O Peixe continua acumulando problemas estruturais dentro e fora de campo. Agora, além da necessidade clara de reformular o elenco, o clube ainda corre o risco de perder algumas das poucas peças que realmente vêm funcionando na temporada.
E sinceramente? Isso pode ser perigosíssimo pensando na luta para permanecer na Série A.
Saída de Gabriel Brazão é apenas um dos problemas do Santos
Segundo informações da TNT Sports, Gabriel Brazão está sendo preservado pelo Santos e pode ser negociado na próxima janela de transferências. O goleiro possui contrato até o fim de 2028, mas já despertou interesse do futebol europeu, principalmente do Besiktas. Além disso, o nome do jogador também chegou a ser ligado ao Flamengo, embora o atleta tenha recusado as investidas.
E aqui existe um problema enorme para o Santos.
Brazão virou um dos jogadores mais importantes do elenco. Em vários momentos da temporada, foi literalmente ele quem evitou resultados ainda piores para o clube. Enquanto o sistema defensivo colecionava falhas, buracos de posicionamento e atuações assustadoras, o goleiro aparecia salvando o time.
Perder um goleiro confiável em meio a uma temporada turbulenta nunca é simples. Perder quando você praticamente não tem estabilidade defensiva beira o desespero esportivo.
E o mais preocupante é que a possível saída de Brazão talvez seja apenas o começo.
Neymar, Bontempo e a possibilidade do Santos desmontar suas poucas coisas boas
Outro nome que pode deixar o clube é Neymar, tem enormes chances inclusive. O retorno do camisa 10 movimentou o futebol brasileiro e trouxe holofotes gigantescos para a Vila Belmiro, mas existe uma sensação cada vez maior de que essa passagem pode estar perto do fim.
O principal objetivo de Neymar neste retorno sempre pareceu muito claro: chegar bem fisicamente para a Copa do Mundo de 2026. E justamente por isso, permanecer em um ambiente extremamente desgastante, com calendário pesado, gramados ruins, pressão absurda e problemas físicos constantes talvez não seja exatamente o cenário ideal.
Além disso, o próprio Santos vive problemas físicos preocupantes ao longo da temporada, algo que já vem sendo debatido internamente e também pela torcida. Para um jogador historicamente marcado por lesões nos últimos anos, continuar nesse contexto pode não fazer sentido.
Se Neymar sair, o Santos perde não apenas qualidade técnica, mas também impacto financeiro, midiático e psicológico. A presença dele muda completamente o tamanho do clube nas conversas do futebol brasileiro.
Outro jogador que começa a despertar atenção é Gabriel Bontempo. Depois de passar bastante tempo no banco de reservas, o jovem finalmente ganhou espaço e virou um dos poucos respiros positivos da equipe. Com personalidade, intensidade e qualidade técnica, Bontempo começou a mostrar justamente aquilo que o torcedor santista cobra há anos: jogadores úteis e com fome dentro de campo.
E claro, quando um jovem aparece bem em um clube desesperado financeiramente, o mercado automaticamente presta atenção.
O problema é que o Santos parece caminhar para aquele cenário clássico de clubes em crise: vender as poucas peças boas para tentar sobreviver financeiramente, enquanto continua preso a contratos ruins e jogadores que pouco acrescentam.
O elenco do Santos precisa de uma limpeza pesada
Hoje, o Santos possui carências extremamente claras no elenco. E algumas delas são quase gritantes.
As laterais talvez sejam o maior símbolo do fracasso recente do planejamento. Mayke, Escobar e Igor Vinícius simplesmente não conseguiram entregar o nível necessário até aqui. Seja defensivamente, seja ofensivamente, o setor virou um problema constante.
O Santos também parece ter apenas um zagueiro realmente confiável no elenco, se tratando de Adonís Frias. Isso é extremamente perigoso num Brasileirão longo, físico e desgastante. Basta uma suspensão ou lesão para o sistema inteiro desmoronar, porque Zé Ivaldo e Luan Peres andam suando sangue para ter a segunda vaga, e isso não é pelo fato de ambos estarem apresentando um nível altíssimo dentro das quatro linhas…
Além disso, o meio-campo carece de criatividade, intensidade e capacidade de controlar jogos. Em muitos momentos, o time parece espaçado, lento e incapaz de sustentar posse de bola minimamente organizada. Falta alguém capaz de conectar setores sem transformar cada saída de bola numa aventura de sobrevivência.
E no ataque, o clube também precisa urgentemente de um ponta que consiga desequilibrar individualmente. O Santos até possui jogadores esforçados, mas poucas peças realmente assustam adversários no um contra um.
Só que contratar virou quase um quebra-cabeça impossível. O clube não vive grande situação financeira e precisará ser extremamente criativo no mercado. Apostar em oportunidades, jogadores livres, empréstimos e nomes subvalorizados provavelmente será o caminho.
Mas antes de contratar, o Santos também precisa liberar espaço.
O Santos precisa parar de insistir em peças que claramente não funcionam
Existe uma sensação crescente entre torcedores de que o elenco santista ficou inchado com jogadores que não entregam retorno técnico proporcional ao investimento.
Nomes como Zé Ivaldo, Mayke, Rincón, Rony, Moisés, Lautaro Díaz, Thaciano e Robinho Jr. convivem constantemente com críticas da torcida.
Alguns por desempenho abaixo, outros por questões físicas, outros simplesmente porque nunca conseguiram justificar o investimento realizado. E o problema disso é simples: enquanto o Santos mantém contratos altos e espaço ocupado por atletas que pouco resolvem, fica cada vez mais difícil trazer jogadores realmente úteis para elevar o nível do elenco.
O Peixe hoje parece um time tentando sobreviver semana após semana, sem conseguir construir uma identidade sólida. E no Brasileirão, isso costuma ser perigosíssimo.
Porque diferente de outros anos, o futebol brasileiro está cada vez mais competitivo financeiramente. Permanecer na Série A exige elenco funcional, profundidade e organização mínima. Coisas que o Santos, sinceramente, ainda parece muito longe de possuir.
Foto: Getty Images