Santos começa a viver mais um episódio que escancara os problemas da atual gestão esportiva do clube. A possível saída de Zé Rafael, que perdeu espaço completamente com o técnico Cuca e já foi oferecido até para o São Paulo, representa muito mais do que apenas uma contratação que não funcionou.
Ela simboliza uma política de mercado que parece ter sido feita sem lógica esportiva, sem encaixe tático e, principalmente, sem responsabilidade financeira.
Porque olhando friamente para o elenco santista hoje, fica difícil entender qual foi exatamente o planejamento do clube nos últimos meses. O Santos gastou alto em jogadores que ou não agregaram dentro de campo, ou chegaram já cercados de dúvidas físicas, técnicas ou até de encaixe no sistema.
E pior: vários deles recebem salários extremamente elevados para o atual contexto financeiro do clube, principalmente para o que andam apresentando dentro das quatro linhas.
Segundo informações do jornalista Lucas Musetti, Zé Rafael sequer vem sendo relacionado por Cuca nas últimas partidas. O volante, que chegou cercado de expectativa por seu histórico no Palmeiras, virou praticamente uma peça descartável em poucos meses.
O Santos acumulou apostas caras e pouco retorno técnico
Existe uma diferença enorme entre contratar jogadores experientes e montar um elenco baseado apenas em nomes conhecidos. E o Santos parece ter cruzado essa linha em vários momentos.
Quando Zé Rafael chegou, existia uma expectativa compreensível. Afinal, estamos falando de um jogador multicampeão, acostumado a disputar títulos grandes e que durante anos foi extremamente útil no Palmeiras. Só que o Santos ignorou alguns sinais claros.
O volante já vinha apresentando problemas físicos constantes, além de uma queda de intensidade que pesa muito para sua função. Em um time desorganizado, sem controle de posse e pressionado emocionalmente, um jogador nessa situação dificilmente conseguiria render.
E aí entra o principal problema do Santos: várias contratações seguiram exatamente essa lógica.
Rony chegou custando caro e sem conseguir justificar o investimento. O atacante entrega intensidade e correria, claro, mas o Santos precisava de muito mais lucidez ofensiva e capacidade de construção. Em vários jogos, parece apenas um jogador correndo em meio ao caos coletivo.
Mayke foi outro movimento que levantou questionamentos físicos desde o começo. Um lateral experiente, mas que já vinha sofrendo com problemas físicos recorrentes nos últimos anos, estamos falando de um profissional que recebe 1 milhão de reais por mês, e não entrega o nível esperado, muito menos algo próximo disso.
Thaciano talvez represente um dos casos mais curiosos. Porque é um atleta útil em contextos específicos, principalmente em times organizados taticamente. Só que o Santos claramente não vive esse cenário. Resultado: virou mais uma peça perdida em um elenco sem identidade. E a lista continua.
O elenco parece montado sem qualquer linha de raciocínio
O mais preocupante no Santos atual não é apenas errar contratações. Todo clube erra. O problema é a quantidade de erros concentrados em um período tão curto.
Zé Ivaldo não conseguiu transmitir segurança defensiva em praticamente momento nenhum. Willian Arão chegou cercado de expectativa pela experiência, mas também sem conseguir mudar o nível do meio-campo. Jogadores como Bilal, Luizão, Duarte, Moisés e Caballero praticamente não conseguiram justificar espaço dentro do elenco.
E aí o cenário fica perigoso financeiramente.
Porque muitos desses atletas custaram caro não apenas na contratação, mas principalmente em salários. O Santos montou uma folha pesada para um elenco que, dentro de campo, raramente consegue entregar desempenho minimamente proporcional ao investimento.
Isso ajuda a explicar por que o clube parece constantemente preso em ciclos de reformulação. Toda janela vira quase um desespero por soluções rápidas, enquanto o elenco segue acumulando peças sem encaixe claro.
O projeto Neymar também expôs vários problemas do Santos
O momento atual também conversa diretamente com outro debate que ganhou força recentemente: a chamada “missão Neymar”.
O Santos tentou reconstruir relevância rapidamente através de impacto midiático, nomes conhecidos e movimentações de mercado que gerassem repercussão. Só que futebol raramente funciona apenas na base da nostalgia ou do peso dos nomes.
Dentro de campo, o time segue apresentando problemas físicos, baixa intensidade e enorme dificuldade coletiva. Algo que já vinha sendo apontado inclusive nas campanhas recentes da equipe, especialmente em competições continentais.
E talvez esse seja o ponto mais preocupante: o Santos parece ter perdido clareza sobre o próprio projeto esportivo.
O clube quer apostar em jovens? Quer montar um elenco experiente? Quer um time físico? Técnico? Reativo? Protagonista? Hoje, honestamente, parece difícil responder.
Cuca agora precisa administrar um elenco cheio de problemas
No meio desse cenário inteiro, Cuca tenta encontrar soluções rápidas para um elenco claramente desequilibrado.
E talvez o treinador tenha percebido exatamente aquilo que parte da torcida já vinha enxergando: algumas dessas peças simplesmente não funcionam juntas. Não por falta de qualidade individual necessariamente, mas porque o elenco foi montado quase como uma coleção de oportunidades de mercado, sem pensar em coerência tática.
A situação de Zé Rafael acaba virando um símbolo perfeito disso tudo.
Um jogador que chegou com expectativa alta, salário importante e status de reforço de peso, mas que hoje já busca um novo clube poucos meses depois.
E no fim das contas, o torcedor santista olha para o elenco e fica com aquela sensação desconfortável: gastou-se muito, mudou-se muito… e o time continua parecendo perdido.