O Santos não vive nem um terço do que foi planejado para 2025, e agora, as consequências das movimentações da diretoria estão aparecendo cada vez mais. Depois de iniciar um projeto com Pedro Caixinha e diversos reforços, o Peixe se encontra completamente perdido no mapa. Precisa vencer o CRB em Alagoas nesta quinta-feira (22) para continuar vivo na Copa do Brasil.
A passagem de Caixinha até começou com cara de acerto, principalmente porque Neymar estava saudável. Mas, como manda o roteiro do futebol brasileiro, bastou uma sequência negativa de resultados para a paciência evaporar. Ninguém quis saber dos motivos, só do placar final. O português teve que lidar com inúmeros desfalques importantes, além das contratações fracas feitas pela diretoria do Santos. Quando a primeira crise bateu à porta, e resolveu ficar, veio a demissão.
Santos pôs fim em projeto de Caixinha

Logo após a queda de Caixinha, o CEO Pedro Martins, que bancou a contratação do ex-técnico do RB Bragantino, se mostrou bastante incomodado com a decisão tomada pela ala política do clube. Mesmo com o momento ruim do time, a ideia de mandar o português embora não era unânime. Afinal, momentos de instabilidade fazem parte de qualquer reconstrução, e são até considerados “esperados” em muitos projetos sérios.
Essa demissão acabou sendo um ponto final precoce no que seria o projeto do Santos para 2025. O elenco era considerado competitivo aos olhos de Pedro Martins, e Caixinha nunca demonstrou o contrário. Mas no futebol brasileiro, pensar no longo prazo ainda parece coisa de ficção científica, o que manda é o agora.
Agora, o clube precisa arcar com uma rescisão de R$ 15 milhões para Pedro Caixinha. Isso tudo enquanto lida com graves problemas financeiros. Para substituir o português, vários nomes de peso foram cogitados, Luís Castro, Tite, Dorival Júnior… mas a escolha final surpreendeu muita gente: Cléber Xavier, o eterno auxiliar do Tite.
Santos e sua nova cara

Voltando um pouco na linha do tempo, o Santos vinha ensaiando um estilo de jogo que prezava por combates 1×1 com os pontas e trocas rápidas de passes. Isso tudo virou poeira. O que era para ser um projeto com base nas ideias de Pedro Caixinha e reforçado por treinos desde o Paulistão foi jogado pela janela. A consequência? O Santos ficou sem identidade.
Os pontas, que chegaram aos montes com a chancela da diretoria, perderam o propósito tático. Pouco produzem no terço final e, pior, têm sofrido com e sem a bola. No futebol, isso é quase pedir pra perder jogo. Ter carinho pela bola é o mínimo.
A pressão alta sumiu. A ocupação de espaços também. A pintura tática que Caixinha começava a desenhar foi apagada sem dó. E agora o Peixe precisa recomeçar do zero, no meio da temporada, com urgência pra colocar a casa em ordem. Porque, convenhamos, seria bizarro ver o clube cair de novo para a Série B depois de todo o investimento feito.
Após o retorno à elite, de onde nunca deveria ter saído, o clube abriu os cofres. Trouxe Neymar, Rollheiser, Thaciano, Zé Ivaldo e outros nomes para segurar a barra na Série A. Mas como nem tudo são flores, as lesões atacaram logo o coração do projeto: o camisa 10. Sem Neymar, a estrutura desmoronou.
Além do Ney, outros jogadores importantes também caíram no departamento médico: Thaciano, Bontempo, Barreal e Soteldo. Nessas horas, o técnico vira refém das circunstâncias, precisando se virar com peças que não estão à altura. O caso mais gritante é a defesa.
A saída de Jair para o Botafogo foi considerada inevitável. Chegaram outros nomes para compor o setor, mas ninguém do mesmo nível. Zé Ivaldo é o único da zaga titular que se sustenta. O problema é que ele está sozinho. João Basso não consegue manter um bom nível na Série A, Luan Peres ainda parece não ter voltado mentalmente ao Brasil e Gil… bom, o Gil virou um símbolo de tudo que está errado.
A situação do ex-Corinthians é quase uma novela. A transição da Série B para a A foi mal planejada, e Gil, que já havia avisado que sairia no fim de 2024, foi convencido a renovar. Caixinha, ao chegar, afastou o zagueiro logo de cara. Mas sob pressão do elenco e da torcida, teve que recuar e reintegrar Gil. Ali já dava pra sentir que o técnico não tinha tanto respaldo assim.
Depois do Paulistão, o desempenho do veterano foi fraquíssimo. Virou figurinha carimbada no banco. E agora, com Cléber Xavier no comando, Gil foi novamente escanteado, e rumores indicam que ele pode rescindir e se aposentar antes mesmo do fim de 2025.
Esse caso é simbólico. Era óbvio que Gil se aposentaria antes desta temporada, mas mesmo assim insistiram em mantê-lo por mais seis meses, só pra ter certeza de que não daria certo. Para a Série B, talvez até servisse. Mas na elite, não dá mais.
Santos em 2025

Não à toa, o Santos é o 19º colocado do Brasileirão, só à frente do Sport, que ainda não venceu. A situação do Leão da Ilha até lembra a do Peixe: apostaram num técnico desde a pré-temporada, e ao primeiro sinal de crise, mandaram embora. No fim, só os resultados importam. E se não forem vitórias, já sabe…
Desde a saída de Pedro Caixinha, o Santos venceu apenas uma vez, justamente na partida seguinte, contra o Atlético-MG. De lá pra cá, balançou as redes em quatro jogos apenas. E com Cléber Xavier, fez só um gol, contra o CRB, na Vila. Nas últimas três partidas: nenhum golzinho. Nada. Zero. O que complica e muito, a missão que o time tem amanhã, no jogo de volta da Copa do Brasil, em Alagoas.
Foto: Ettore Chiereguini/AGIF