São Paulo Roger Machado
Futebol Brasileirão

São Paulo precisará passar pelo primeiro grande desafio com Roger Machado após perder liderança

O São Paulo entrou em campo com favoritismo notável diante do Atlético-MG em confronto muito aguardado na Arena MRV, mas o técnico Roger Machado certamente precisará lidar com os primeiros sinais mais claros de pressão depois de seu primeiro revés no comando do Tricolor, com consequências negativas. Com a derrota por 1 a 0 diante do Galo, o Tricolor perdeu a liderança do Brasileirão na 7ª rodada, criando um sinal de maior pressão e necessidade de vitória no Morumbis no próximo fim de semana, quando haverá a disputa do aguardado clássico diante do Palmeiras.

São Paulo não conseguiu superar o Galo taticamente

Desde o início, o Atlético-MG adotou uma postura de forte competitividade física, com marcação encaixada e transições rápidas. A equipe priorizou recuperações em zonas intermediárias, ligações diretas para o ataque e ataques ao espaço nas costas da defesa paulista. Sem a bola, o time de Eduardo Domínguez variou entre um 4-4-2 e um 4-1-4-1, encurtando espaços por dentro e forçando o São Paulo a circular a bola pelos lados.

O gol da vitória nasceu justamente dessa lógica: recuperação, aceleração imediata e aproveitamento de espaço antes da recomposição defensiva adversária, um retrato fiel da proposta atleticana que enfim conseguiu espantar as impressões negativas dos último jogos.

Por outro lado, Roger Machado tentou impor seu modelo com bola, estruturando-se em um 4-2-3-1, com volantes responsáveis por iniciar a construção, meias buscando jogo entrelinhas e laterais dando amplitude. No entanto, o São Paulo esbarrou em um problema recorrente: a falta de progressão vertical. A circulação foi, em muitos momentos, previsível e pouco agressiva.

Justamente por conta disso, o Atlético-MG conseguiu neutralizar bem o setor criativo do São Paulo ao fechar o corredor central. Além diss, o Galo reduziu bem o espaço entre linhas, além de ter forçado cruzamentos como principal alternativa ofensiva Outro ponto-chave da partida foi o alto número de duelos físicos, especialmente no meio-campo, e o Galo levou vantagem nesse aspecto.

O time de Eduardo Domínguez interrompeu transições do São Paulo ganhando as segundas bolas, impondo ritmo mais fragmentado ao jogo. Esse cenário favoreceu o time da casa, que conseguiu “quebrar” a fluidez são-paulina e levar o jogo para um terreno de disputa física e intensidade, e após abrir o placar, o Atlético-MG adotou uma postura mais conservadora, recuando linhas e protegendo a entrada da área.

Em um jogo de poucos espaços e muita disputa, o Atlético-MG foi mais eficiente ao transformar intensidade em resultado. Com uma atuação pragmática e disciplinada, a equipe soube explorar o momento certo para atacar e, depois, controlar o adversário. O São Paulo, por sua vez, teve mais a bola, mas não o controle do jogo, faltando agressividade e criatividade para furar o bloqueio mineiro, um obstáculo que acabou sendo muito notável.

A culpa já é de Roger Machado?

As primeiras críticas em cima de Roger Machado certamente será um combustivel para todos àqueles que se colocaram contra a contratação do técnico, mas o São Paulo não pode deixar o ambiente externo abalar a confiança em uma aposta de alto risco que foi executada pela diretoria quando resolveu demitir Hernán Crespo.

Imagem: Divulgação