A base fez a diferença no Morumbis e o São Paulo venceu o Athletico por 2 a 1,. pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. Com gols de Pablo Maia e Ferreira, o Tricolor saiu com a vantagem, mas viu o Furacão diminuir com Viveros nos minutos finais. O destaque da partida ficou na conta de Rodriguinho, que desfilou um futebol ousado; e Ferreira, que bagunçou a defesa dos paranaenses. Veja como foi a partida:
Vindo de uma sequência de três vitórias, o São Paulo queria manter a boa fase e, por isso, pôde se dar ao luxo de poupar alguns jogadores. Após repetir praticamente a mesma escalação nas últimas quatro partidas, o técnico Hernán Crespo promoveu mudanças no time titular, embora tenha mantido algumas peças — como Ferreira, que está suspenso para a próxima rodada do Brasileirão por acúmulo de cartões e, por isso, seguiu como titular, já que será automaticamente poupado no fim de semana.
As novidades apareceram principalmente no gol e no meio-campo: Jandrei ganhou uma chance entre os titulares, enquanto Rafael sequer foi relacionado para a partida. No setor central, Rodriguinho e Pablo Maia completaram o meio-campo ao lado de Cédric Soares, Marcos Antônio e Wendell.
Por outro lado, Ferraresi, expulso no duelo da terceira fase contra o Náutico, foi desfalque certo. Assim como Juan Dinenno, que já atuou pelo Cruzeiro nesta edição da Copa do Brasil e, portanto, está impedido de jogar a competição por outra equipe. A lista de lesionados também não teve alterações: Oscar, Lucca, Luiz Gustavo, Jonathan Calleri, Lucas Moura e Ryan seguem fora.
Do outro lado, o Athletico também adotou a estratégia de preservar jogadores, embora com um objetivo diferente. O técnico Odair Hellmann está priorizando a disputa da Série B, com foco total na recuperação rumo à elite do futebol brasileiro. A política de rotação afetou diretamente a escalação inicial, que não contou com Aguirre, Léo Derik, Esquivel, Madson, Raul e Luiz Fernando — todos entregues ao departamento médico, seja por lesão ou como medida preventiva.
Além disso, havia incerteza quanto ao esquema tático: caso optasse por uma linha de três zagueiros, Fernando atuaria como ala pela esquerda; por outro lado, a formação com quatro defensores abriria espaço para mais um meia. No fim, Hellmann optou pela primeira alternativa — com três zagueiros —, o que trouxe bons resultados no aspecto defensivo.
Pablo Maia faz golaço para o São Paulo

A primeira boa chance da partida veio logo aos seis minutos — e foi do Athletico. Com superioridade numérica no meio-campo, a equipe visitante teve a vantagem de contar com um homem a mais para realizar rápidas trocas de passes no setor. Foi assim que Fernando encontrou liberdade para lançar e achou Alan Kardec livre na área; o centroavante testou com perigo, mandando a bola próxima à trave direita de Jandrei.
Era um ponto sensível a ser explorado pelo Furacão: do lado direito da defesa tricolor, Rodriguinho e Cédric Soares demonstravam pouca força de recomposição. Nenhum dos dois acompanhou a jogada, permitindo que o ala tivesse tempo e espaço para fazer o lançamento — além disso, a zaga do São Paulo estava desorganizada, com Arboleda mal posicionado e sem conseguir cortar o passe pelo alto.
Apesar do susto, o São Paulo manteve a identidade de jogo do time titular. A filosofia de Hernán Crespo ficou clara, com a equipe demonstrando sintonia com o plano tático. A ideia era simples: fazer o jogo fluir por dentro, com a qualidade de passes de Rodriguinho e Marcos Antônio. Caso o caminho central estivesse fechado, a construção começaria com os zagueiros e passaria pelos meias até a bola chegar aos alas, especialmente Wendell.
A primeira tentativa funcionou bem com o camisa 18. Ele recebeu um bom lançamento em liberdade, avançou em velocidade, mas a defesa atleticana fez a cobertura e deixou a bola sair. Foi uma boa investida pelo lado, mas o desfecho foi preocupante: Wendell sentiu a parte posterior da coxa direita e imediatamente pediu substituição. Assim, Enzo Díaz — que esperava ser poupado — foi chamado por Crespo para entrar.
Depois da chance inicial com Alan Kardec, o Athletico teve dificuldades para articular jogadas. A posse de bola ficou com o São Paulo, que se impôs territorialmente. Odair Hellmann, ao escalar o time com três zagueiros, reforçou o setor defensivo com uma linha de cinco na proteção da área, reduzindo os espaços entrelinhas. Com isso, Rodriguinho e Marcos Antônio passaram a ter mais dificuldade para encontrar brechas em zonas ofensivas, e os lançamentos para os alas viraram a principal alternativa são-paulina.
A proposta atleticana ao vir ao Morumbi era clara: ceder a bola ao adversário, controlar o ímpeto ofensivo e evitar chances claras. Até os 30 minutos, o plano vinha funcionando bem. No entanto, bastou um chute de média distância para tudo mudar. Pablo Maia pegou o rebote na entrada da área e acertou um belo chute colocado, abrindo o placar para o São Paulo.
Antes disso, porém, vale destacar a jogada que antecedeu o gol. Ferreira, originalmente um ponta, se deslocou para a faixa lateral e criou uma opção de passe. Sua leitura foi perfeita e a movimentação confundiu a marcação de Benavidez, que não acompanhou o camisa 11 — tampouco Enzo Díaz. O argentino fez a ultrapassagem e cruzou para o meio da área, iniciando a jogada que culminou no chute de Marcos Antônio e, no rebote, no golaço de Pablo Maia.
O gol abalou os visitantes, que passaram a deixar mais espaços. Os corredores estavam vulneráveis, e Enzo Díaz quase aproveitou para ampliar a vantagem. O São Paulo foi para o intervalo satisfeito com o desempenho e com méritos pela movimentação inteligente de Ferreira, que desorganizou a defesa rival ao sair da zona central. Já o Athletico, que fazia uma atuação defensiva sólida até então, viu o equilíbrio ruir diante da boa construção ofensiva tricolor.
Rodriguinho faz jogadaça no segundo gol e Viveros diminui

O gol parece ter tranquilizado os mandantes, que não quiseram recorrer a nenhum possível desfalque. Com Cédric Soares já amarelado, Crespo promoveu a estreia do jovem Maik, de apenas 20 anos. Do outro lado, Odair Hellman percebeu que o resultado não era de todo mal e também viu que haviam espaços na zaga do São Paulo. Depois das duas boas com Kardec, o treinador do Furacão deu poder de ofensividade e trocou os jogadores mais avançados: saíram Alan Kardec e Giuliano, entraram Kevin Viveros e Zapelli.
A tônica do primeiro tempo seguiu e o Tricolor Paulista teve mais posse de bola, só que com muito mais vitalidade em razão das presenças de Rodriguinho e Maik — dois jovens talentos da base. Conforme os minutos foram passando, Crespo foi colocando os titulares para consolidar uma boa vantagem para o jogo de volta na Ligga Arena. Foi uma mudança que, a princípio, traria mais ofensividade, porém não teve o efeito esperado.
Os jogadores começam a errar tecnicamente e cederam posses bobas para o Athletico, que também colocou algumas peças titulares. Neste sentido, seriam momentos de tensão que estavam por vir e isso ficaria pior quando Pablo Maia deixou o campo com cãibras.
Só que para a graça de todos os torcedores são-paulinos no estádio, o segundo tento veio e com toques de qualidade. Como citado, a jovialidade teve um grande poder no segundo tempo e foi ela mesma que fez uma ‘jogadaça’ que resultou no gol de Ferreira. Os milhares de adeptos puderam o ver o brilho de uma joia em ascensão chamada “Rodriguinho”, que fez fila e deixou o camisa 11 livre para marcar. 2 a 0 para o Trikas.
O golpe veio para frear um Furacão, que fez trocas para evitar um placar mais elástico. Este plano quase vai por água abaixo com a bola na trave de Enzo Díaz. Esta foi uma digna apresentação de como o São Paulo teve uma qualidade para girar a bola e causar perigo ao adversário com dribles e passes entre as linhas.
Do mesmo modo que as movimentações no meio campo trouxeram um bom fruto aos mandantes, os visitantes também conseguiram tirar proveito. Zapelli e Mendoza combinam e Kevin Viveros diminuiu para os paranaenses. 2 a 1. Foi uma boa jogada e uma reação que, apesar de tardia veio para trazer esperanças para o jogo da volta.
Para o São Paulo, isso trouxe uma preocupação circunstancial que levou uma alteração no panorama do jogo. O Athletico elevou o volume de jogo e começou a acreditar no empate, mas acabou ficando no quase e o fechou a conta assim mesmo. Fim de jogo: São Paulo 2 x 1 Athletico
Compromissos de São Paulo e Athletico
No próximo domingo (03), o Tricolor Paulista fará um confronto direto e vai a Porta Alegre para enfrentar o Internacional, às 20h30 (de Brasília), no Estádio Beira-Rio. O confronto é válido pela penúltima rodada do primeiro turno do Brasileirão e que caso vença, o São Paulo diminuirá a distância em relação ao G-6. A equipe está na oitava posição, com 22 pontos conquistados. Os Colorados estão duas colocações atrás dos paulistas, com apenas uma unidade separando ambas.
Já o Athletico terá pela frente o Paysandu, dentro de casa. Também no domingo, o Furacão medirá forças com o Papão às 18h30, pela 20ª rodada da Série B. Os paranaenses estão em 11° colocado, com 25 pontos — cinco atrás da Chapecoense, primeiro time na zona de acesso.
Ficha técnica da partida
São Paulo 2 x 1 Athletico
Local: Morumbis, São Paulo (SP)
Data: Quinta-feira, 31 de julho de 2025
Horário: 19h30 (de Brasília)
Público: 42.042 torcedores
Árbitro: Ramon Abatti Abel (SC)
Assistentes: Maira Mastella Moreira (RS) e Thiaggo Americano Labes (SC)
Quarto árbitro: Roger Goulart (RS)
VAR: Wagner Reway (SC)
Cartões amarelos:
- São Paulo: Wendell, 8’/1°T; Cédric Soares, 36’/1°T
- Athletico: Lucas Belezi, 11’/1°T
Gol(s):
- São Paulo: Pablo Maia, 31’/1°T; Ferreira, 31’/1°T
- Athletico: Kevin Viveros, 41’/2°T
São Paulo: Jandrei; Alan Franco, Arboleda e Sabino; Cédric Soares (Maik, no intervalo), Rodriguinho, Pablo Maia (Bobadilla, 24’/2°T), Marcos Antônio (Alisson, 14’/2°T) e Wendell (Enzo Díaz, 15’/1°); Ferreira e André Silva (Luciano, 14’/2°T). Técnico: Hernán Crespo.
Athletico: Santos; Belezi, Habraão e Léo; Benavídez, Dudu (Steven Mendoza, 25’/2°T), Riquelme (João Cruz, 39’/2°T), Patrick e Fernando (Felipinho, 25’/2°T); Giuliano (Zapelli, no intervalo); Alan Kardec (Viveros, no intervalo). Técnico: Odair Hellman.
Créditos da foto de capa: Adriana Spaccasassi Bianchi/Mochila Press — Reprodução