A Seleção Brasileira saiu com um saldo positivo desta Data FIFA, abrindo espaço para pensar além dos resultados. O confronto contra a França foi complicado, mas, pelo menos, Luiz Henrique teve a oportunidade de demonstrar serviço. Já diante da Croácia, Carlo Ancelotti enxergou outros pontos interessantes, com variações dentro das quatro linhas para sair um pouco da realidade pragmática que vinha marcando seu trabalho com a Amarelinha.
Além de precisar performar e se portar como uma seleção pentacampeã, o Brasil tem a necessidade de usar o talento de sua geração para aumentar a quantidade de cartas na manga. Muito se fala sobre o 4-2-4 de Ancelotti, que não faz sentido, que pouco funciona, porém um treinador deste nível não pode ter apenas uma forma de atuar, e isso ficou claro contra os croatas.
Seleção apresenta variações interessantes
Sem Raphinha e Rodrygo, surgiu uma enorme dúvida sobre como Ancelotti montaria o quarteto ofensivo da Seleção Brasileira. Com Luiz Henrique pela direita e João Pedro como referência, o italiano conseguiu observar boas movimentações. Um dos principais pontos desses quatro jogadores de ataque é justamente a capacidade de se movimentarem e se apresentarem em formato de losango.
João Pedro tem faro de goleador no Chelsea, mas essa fama ainda não se refletiu totalmente na Seleção. Mesmo assim, sua movimentação fora da área chama a atenção dos defensores, como aconteceu no primeiro gol contra a Croácia: ao sair da referência, abriu espaço e ninguém percebeu a chegada de Danilo, que finalizou a grande jogada construída por Vinícius Júnior pelo lado esquerdo.
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Com o esquema utilizado na última terça-feira (31), ficou claro como Matheus Cunha e Danilo flutuaram pelo campo. O jogador do Botafogo mostrou que consegue ocupar diferentes espaços com naturalidade, enquanto Cunha, hoje no Manchester United, demonstrou qualidade para atuar fora da área. Após iniciar sua trajetória na Europa como atacante, ele passou a ser mais visto como um camisa 10 ou segundo atacante, participando da construção e não apenas dentro da área adversária.
Assim como o losango ofensivo se tornou uma alternativa recorrente, Ancelotti também apresentou uma variação com dois atacantes mais próximos da área. Nesse cenário, Vinícius Júnior conseguiu atuar com mais liberdade, algo parecido com o que já viveu ao lado de Kylian Mbappé no Real Madrid. O resultado foi um desempenho mais efetivo, abrindo novas possibilidades para o treinador utilizar seu camisa 10.
De olho nessa ideia de atacantes mais “espetados”, Igor Thiago e Endrick também tiveram boa participação na segunda etapa. Um oferece mais presença física e poder de finalização, enquanto o outro agrega técnica e capacidade de articulação, muitas vezes funcionando como um facilitador para o companheiro.
Foi assim que vimos Igor Thiago cavar um pênalti importante para a Seleção, além de participar de uma jogada em que colocou Gabriel Martinelli em ótima condição para marcar e sacramentar a vitória da Amarelinha.
Essas já são três variações claras e nem foi necessário considerar a presença de Raphinha, que acabou deixando a Data FIFA por lesão. Com o elenco completo, é possível imaginar diferentes combinações ofensivas. Uma delas, talvez a mais interessante, seria com Vinícius Júnior, Raphinha, Luiz Henrique e Matheus Cunha.
Se todos estiverem saudáveis na época da Copa do Mundo, essa pode ser a formação mais equilibrada e dinâmica do quarteto ofensivo da Seleção Brasileira.
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