A primeira convocação da Seleção Brasileira depois da Copa do Mundo terá um significado maior do que simplesmente iniciar um novo calendário. Eliminado nas oitavas de final pela Noruega, o Brasil encerrou uma geração e Carlo Ancelotti começou a desenhar outra imediatamente após o Mundial. Neymar, Casemiro e Danilo deixaram de fazer parte dos planos do treinador para o ciclo seguinte, enquanto nomes mais jovens passam a ganhar espaço.
Nesse cenário de reconstrução, Bruno Guimarães também pode ficar fora dos primeiros compromissos. O meio-campista, recém-transferido do Newcastle para o Arsenal, sofreu uma lesão muscular durante a vitória sobre o Manchester City na Community Shield e não participou da estreia dos Gunners na Premier League. Mikel Arteta classificou o problema como uma pequena tensão na região, mas as notícias mais recentes são de um problema grau 2 na parte posterior da coxa, que deixaria o jogador afastado por cerca de seis semanas.
A ausência de Bruno, portanto, não representa necessariamente um problema de longo prazo para a Seleção, especialmente porque o próprio Arteta tratou a lesão com otimismo. Mas ela cria uma situação interessante para Ancelotti: quem ocupará o espaço de um dos jogadores que mais participaram da construção da sua primeira Seleção? Com os amistosos contra a Austrália marcados para setembro e a partida contra a Índia em outubro, o treinador terá justamente o ambiente ideal para experimentar.
E há pelo menos cinco nomes que podem aproveitar esse momento.
Confira 5 nomes que podem tomar a vaga de Bruno Guimarães na primeira convocação pós-Copa da Seleção Brasileira:
1. Andrey Santos (Manchester United)
Entre os candidatos, Andrey Santos é provavelmente aquele que mais se encaixa na ideia de renovação que Ancelotti precisa conduzir. O volante já vinha sendo apontado como uma das principais alternativas para ocupar o espaço deixado pela geração de Casemiro, e sua combinação de capacidade física, chegada à área e qualidade para participar da construção oferece ao treinador uma possibilidade diferente daquela apresentada por Bruno.
A grande questão é que Andrey não precisa ser uma cópia de Bruno. Aliás, seria um erro tentar transformá-lo nisso. O jogador pode oferecer uma Seleção mais vertical, com maior presença na área e capacidade de atacar o espaço a partir do meio. Em um Brasil que precisa começar a construir sua equipe para 2030, dar minutos a Andrey significa descobrir se ele pode deixar de ser apenas uma promessa e se transformar em uma peça estrutural.
2. Éderson (Atalanta)
Éderson talvez tenha uma vantagem sobre os demais: já esteve na Copa do Mundo. O volante foi convocado de última hora para substituir Wesley e acabou integrado ao elenco brasileiro no Mundial. Antes disso, já havia entrado no radar de Ancelotti e, inclusive, foi testado em uma função diferente durante a preparação.
Sua característica mais interessante é a capacidade de cobrir grandes espaços. Éderson tem força para disputar duelos, velocidade para pressionar e condução para transportar a bola. Depois de uma possível transferência para o Manchester United não se concretizar, ele permaneceu na Atalanta e chega ao novo ciclo com uma oportunidade clara: transformar uma convocação circunstancial para a Copa em presença permanente na Seleção.
3. João Gomes (Aston Villa)
Outro nome que aparece naturalmente na discussão é João Gomes. O volante já foi observado por Ancelotti e representa uma característica que pode ser particularmente importante em uma Seleção que pretende jogar com maior intensidade: capacidade de pressionar, atacar espaços e competir fisicamente.
João não possui exatamente o refinamento técnico de Bruno Guimarães para controlar a posse, mas pode oferecer algo diferente. Sua presença permite que o Brasil pressione mais alto e tenha um meio-campo agressivo sem depender exclusivamente da capacidade individual de recuperar a bola. Em um ciclo no qual Ancelotti precisa encontrar uma identidade nova, João pode ser justamente o jogador que modifica o comportamento coletivo da equipe.
4. Gabriel Sara (Galatasaray)
Se a ideia for substituir parte das funções que Bruno exercia com a bola na Seleção, Gabriel Sara aparece como uma alternativa particularmente interessante. O jogador recebeu sua primeira convocação de Ancelotti antes da Copa e foi justamente uma das surpresas da lista italiana. A própria CBF destacou que o treinador queria utilizar aqueles amistosos para conhecer melhor jogadores que ainda não haviam tido espaço suficiente.
Sara oferece uma característica diferente dos volantes mais físicos. É um meio-campista capaz de receber entre linhas, acelerar a circulação e aparecer próximo da área. Sua presença poderia permitir que Ancelotti montasse um meio-campo menos preocupado em encontrar um substituto literal para Bruno e mais interessado em redistribuir as funções que o camisa 8 exercia.
5. Lucas Beraldo (PSG)
A quinta opção é a mais surpreendente: Lucas Beraldo. Zagueiro de origem, o jogador passou a ser utilizado também como volante no Paris Saint-Germain e chamou atenção justamente pela capacidade de transportar essa experiência defensiva para o meio-campo. Sua velocidade, qualidade de passe e capacidade de jogar sob pressão fazem dele uma alternativa diferente para uma posição em que o Brasil busca novas soluções.
Beraldo não seria simplesmente uma escolha para substituir Bruno na Seleção. Seria uma tentativa de mudar a própria estrutura do meio-campo. Um jogador de origem defensiva atuando por dentro pode oferecer superioridade na saída de bola e mais qualidade para iniciar a construção desde trás. Ainda é uma aposta, mas o novo ciclo existe justamente para descobrir se apostas desse tipo podem virar soluções.
(Foto: Getty Images)



