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A Seleção de Ancelotti será a menos “brasileira” de sua história?

Jogar bonito sempre foi uma característica da Seleção Brasileira. São 23 participações em Copa do Mundo, cinco títulos e uma identidade historicamente ligada ao futebol ofensivo, criativo e ousado. Só que, em 2026, Carlo Ancelotti parece disposto a promover uma ruptura em relação a outras versões da Canarinho: abrir mão de um jogo excessivamente propositivo para apostar em transições rápidas e em um modelo mais pragmático.

A “brasilidade” no futebol sempre esteve associada ao drible, à malemolência e à alegria em campo. Porém, desde que a obsessão pelo hexa virou mantra, a Seleção não voltou a levantar uma Copa do Mundo. Talvez, sob o comando de Ancelotti, o caminho para a conquista passe justamente por abandonar alguns conceitos históricos e jogar de acordo com as características do elenco atual.

A potencialização das peças

Vinicius Jr. e Raphinha são titulares absolutos após amistosos? Confira
Foto: Reprodução/CBF

 

O Brasil deixou de chegar como favorito absoluto para uma Copa do Mundo. O ciclo até 2026 foi turbulento: quatro treinadores diferentes e uma geração que parecia perdida em identidade tática e estilo de jogo. Ancelotti, porém, mesmo com pouco tempo de trabalho, já demonstrou entender melhor o perfil dos atletas que possui em mãos — principalmente por conhecer muitos deles do futebol europeu, como Vini Jr., Rodrygo, Endrick e Éder Militão.

A experiência multicampeã na Europa permitiu ao treinador italiano identificar rapidamente quais características poderiam ser potencializadas na Seleção. E há um ponto em comum entre os principais nomes do elenco: velocidade.

Viní Jr., Raphinha, Matheus Cunha, Endrick e outros jogadores convocados têm como principais virtudes a aceleração, o drible em velocidade e a capacidade de atacar espaços em contra-ataques. Diante disso, Ancelotti parece disposto a construir uma Seleção menos presa à tradição estética do futebol brasileiro e mais alinhada ao que o elenco efetivamente entrega.

Não significa abdicar de protagonismo, mas sim compreender o contexto. Em muitos momentos, baixar linhas e apostar em transições rápidas pode ser justamente a melhor maneira de extrair o máximo de um ataque móvel e explosivo. Foi assim, inclusive, na vitória sobre a Croácia, em amistoso recente, quando dois dos três gols surgiram em contra-ataques velozes.

Pode não ser a “brasilidade” clássica que parte da torcida idealiza, mas talvez seja o futebol mais próximo de devolver competitividade e esperança a um país cansado das frustrações recentes em Copas.

Carlo Ancelotti é flexível — e inflexível quanto a isso

Carlo Ancelotti seleção brasileira
Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Ao longo da carreira, Ancelotti sempre demonstrou capacidade de adaptar suas equipes às características do elenco. Milan, Real Madrid, Chelsea e Bayern de Munique são exemplos de clubes em que o treinador implementou modelos distintos — alguns mais dominantes com a bola, outros mais reativos.

O italiano nunca foi refém de rótulos. Sua grande convicção é justamente a de que não existe apenas uma forma correta de jogar futebol.

As próprias passagens pelo Real Madrid ilustram isso. Em 2013/14, quando conquistou a décima Champions League, o time espanhol tinha um estilo mais agressivo, associativo e dominante em posse. O trio BBC — Cristiano Ronaldo, Bale e Benzema — simbolizava essa proposta ofensiva.

Já nas conquistas de 2021/22 e 2023/24, os Merengues passaram a atuar de maneira mais direta, explorando transições rápidas, ataques pelos lados e velocidade em campo aberto — justamente características presentes no atual elenco brasileiro.

Além disso, a Seleção ainda possui jogadores capazes de oferecer criatividade por dentro, como Neymar e Lucas Paquetá, além de um atacante mais físico e de referência, como Igor Thiago. Ou seja: há diferentes possibilidades táticas disponíveis.

Como o próprio Ancelotti afirmou em entrevista ao Jornal Nacional, “certamente vamos competir”. E talvez essa seja justamente a principal promessa do novo Brasil.

O caminho até a estreia na Copa do Mundo

Após a convocação de Ancelotti, os jogadores selecionados se apresentarão à comissão técnica da Seleção Brasileira para a preparação visando os amistosos contra Panamá, no dia 31 de maio, e Egito, em 6 de junho. Ambas as seleções estarão na Copa do Mundo.

O Brasil estreia no Mundial diante de Marrocos, no dia 13 de junho, às 19h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em East Rutherford (EUA).

Créditos da foto de capa: Divulgação/CBF