seleção
Futebol Seleção Brasileira

Seleção: Neymar e Estêvão podem elevar o nível do Brasil (?)

“A pior Seleção de todos os tempos”. “O futebol brasileiro já não é mais o mesmo”. “Time sem alma”. “Vergonha”. Esses foram alguns dos comentários postados na conta oficial da CBF no X (antigo twitter) após o recente fracasso (mais um) da seleção brasileira na última Copa América, disputada nos Estados Unidos, na qual a equipe treinada por Dorival Júnior venceu apenas um dos quatro jogos que fez, terminando eliminada pelo Uruguai, nos pênaltis, nas quartas de final.

Em meio às críticas (justificadas) dos torcedores, surgiram entre os comentários dois pedidos: a volta de Neymar e a chegada de Estêvão. “Volta logo, Neymar”, “Sem Neymar, Brasil é um time fraquíssimo” e “Ainda dependemos de Neymar” puderam ser lidos nos comentários das postagens da CBF pós-fracasso do esquete canarinho. Assim como “Estêvão é o futuro da Seleção” e “Dorival tem que chamar o Estêvão pra já”.

Em meio a esses comentários, os programas esportivos também discutiram a pauta da provável reunião dos habilidosos atacantes em um futuro próximo, mais precisamente nos dias 6 e 10 de setembro, quando o Brasil voltará a jogar pelas Eliminatórias contra Equador (no Couto Pereira, em Curitiba) e Paraguai (no Defensores del Chaco, em Assunção).

Da mesma forma que os torcedores, os profissionais da imprensa também ressaltaram a perda técnica que o Brasil sofre ao não contar com o veterano camisa 10 de 32 anos, que ficou de fora da convocação por estar se recuperando de uma séria lesão no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo sofrida em 17 de outubro de 2023, justamente quando defendia o Brasil na derrota por 2 a 0 para o Uruguai pelas Eliminatórias.

Neymar rompe ligamento cruzad pela Seleção - Foto: Getty Images
Neymar rompe ligamento cruzado do joelho esquedo em jogo pela Seleção – Foto: Getty Images

Por que o Brasil ainda precisa de Neymar?

“Nenhum jogador se aproxima dele. O Neymar em forma ainda é o jogador que reúne as melhores condições técnicas de longe na seleção brasileira. E não tem nenhum jogador que se aproxime dele em termos de capacidade e até mesmo em alternativas táticas”, falou Maurício Noriega, comentarista e colunista do Trivela.

Outro a concordar com Noriega é o pentacampeão do mundo e ex-coordenador da seleção brasileira na era Tite, Juninho Paulista. Para o ex-jogador, Neymar faz falta não apenas ao Brasil, mas para qualquer equipe do planeta pelo seu diferencial técnico.

“A força do Neymar é uma força técnica, ele tem essa força técnica na Seleção Brasileira e em qualquer clube que ele vá, porque ele é um jogador diferente dos demais. Antes você tinha jogadores diferentes do mesmo nível, hoje você não tem. Você tem um Neymar e os outros jogadores. Então é a liderança o diferencial dele, é o técnico. E ainda hoje a seleção precisa do Neymar? Claro, precisa, desde que o Neymar esteja bem, esteja performando, precisa porque ele é diferente dos demais”, disse Juninho ao CNN Esportes S/A.

Sim, Neymar ainda é o jogador brasileiro mais completo em atividade. Fato. Técnica apurada, dribles, inventividade, inteligência, experiência, bola parada diferenciada e uma finalização precisa dão a Neymar um alto poder de decisão, mesmo que o próprio não viva seu auge técnico e principalmente físico há muito tempo. O gol antológico contra a Croácia, nas quartas de final da Copa do Mundo do Catar, em 2022 (onde caímos dolorosamente nos pênaltis por 4 a 2 após estarmos vencendo na prorrogação por 1 a 0 e tomamos o empate a três minutos do fim), é um perfeito compilado da descrição acima.

Já no primeiro tempo da prorrogação, Neymar dominou na intermediária, tabelou com Rodrygo e depois com Lucas Paqueta para receber na área, ganhar a disputa contra o lateral-esquerdo Borna Sosa e, mesmo com espaço reduzido, driblou o goleiro Livaković e ainda fez a leitura correta do lance para chutar no alto, evitando assim que Sosa (que também leu bem a jogada e se jogou em um carrinho rasteiro junto ao poste para salvar os croatas) impedisse o gol brasileiro.

Neymar comemora gol contra a Croácia na Copa do Mundo de 2022 - Foto: Getty Images
Neymar comemora gol contra a Croácia na Copa do Mundo de 2022 – Foto: Getty Images

Logo, seria loucura dispensar um talento raro como o de Neymar, visto o que ele já fez e ainda pode entregar dentro de campo a favor da Seleção. Vale lembrar que ele, segundo a contagem oficial da FIFA, é nada mais, nada menos que o maior artilheiro do Brasil com 79 gols, superando ninguém menos que Pelé, que marcou 77 vezes com a amarelinha.

Contudo, a má forma física e o aparente desleixo em relação à vida de atleta profissional (isso sem contar as diversas polêmicas extra-campo do eterno Menino Ney) pesam contra o claro talento do jogador e abrem margem para aqueles que defendem que a “Era Neymar” já passou.

Estêvão: o futuro da Seleção

Na contramão do astro que diverge opiniões dentro e fora de campo está Estêvão. Os comentaristas fizeram (à época da Copa América) e ainda fazem coro pela convocação do garoto de apenas 17 anos, devido ao momento de alta vivido pela joia da base do Palmeiras, que possui nove participações em gols no Campeonato Brasileiro em 18 jogos, sendo cinco gols marcados e quatro assistências, dando a ele uma média de 0,5 em participações de gols na competição.

“Para mim, depois da Copa América, na próxima convocação, agora para setembro, tem que ter o Estêvão, sim ou sim. (…) O Estêvão já tem que estar nesse time porque joga muita bola e é realmente impressionante. O Dorival, lá dos Estados Unidos, se estiver olhando um pouco para o Brasileirão, deve estar muito arrependido”, disse Danilo Lavieri, repórter e comentarista do portal UOL, no podcast Posse de Bola, à época da competição continental.

Já Djalminha, ex-jogador da Seleção e hoje comentarista dos canais ESPN, foi mais enfático em sua pedida pela convocação do garoto pelo técnico Dorival Júnior para os próximos compromissos do Brasil durante sua participação no Resenha ESPN logo após a eliminação do Brasil para o Uruguai.

“É craque! O Estêvão está me dando esperança de mudar (de nível). Quem da seleção brasileira joga mais que o Estêvão? Eu não chegava aos pés dele com 17 anos. Nem eu, nem muitos que eu vi. Se evoluir, pode até passar Ronaldinho e Neymar”, disse o comentarista.

A empolgação com o garoto alviverde, que inclusive já está vendido desde janeiro de 2024 ao Chelsea pela bagatela de 61,5 milhões de euros (R$ 358 milhões), de fato é enorme. No entanto, Estêvão vem provando dentro de campo o porquê de tantas expectativas sobre seu futebol. Com a camisa 41 do Palmeiras, o atacante já marcou sete vezes e contribuiu para cinco assistências em 30 jogos em 2024.

Estêvão Palmeiras
Estêvão é o principal nome do Palmeiras em 2024 – Foto: Luiz Erbes/AGIF

Elogios de Neymar

Além disso, as jogadas insinuantes, os dribles desconcertantes, a inventividade e a facilidade de, mesmo franzino e inexperiente, conseguir se sobressair diante de marcadores mais tarimbados e mais fortes fisicamente impressionam no estilo de jogo de Estêvão. Justamente por isso, diversos especialistas e ex-jogadores pontuaram que ele é o jogador brasileiro mais impressionante desde o surgimento de Neymar, em 2009.

O próprio Neymar é outro que já se rendeu ao talentoso prospecto. Durante um evento que aconteceu nos Estados Unidos enquanto a Copa América acontecia, o craque disse: “Acho que é um grande talento que vem surgindo hoje no futebol brasileiro. Acho que ele vai ser um gênio”.

André Cury, empresário conceituado no meio do futebol e que participou da venda de Neymar do Barcelona para o PSG por 222 milhões de euros em 2017 – a maior da história até hoje – é outro que se impressiona com Estêvão, chegando a afirmar que o jovem é melhor do que Neymar era aos 17 anos.

“Não sei se vai ser melhor, porque não tenho bola de cristal, mas, com 17 anos, ele está acima do Neymar. Se puxar Neymar com 17 anos e Estevão com 17 anos, ele (Estêvão) está um degrauzinho acima”, falou Cury ao programa “Domingol”, da CNN, no fim de junho.

Estêvão Palmeiras
Aos 17 anos, Estêvão, a joia palmeirense, encanta até Neymar – Foto: Marcos Ribolli/Palmeiras

Atacantes em fase de recuperação

Atualmente, tanto Neymar quanto Estêvão estão em fase de recuperação das lesões sofridas por ambos. Como já citado anteriormente, Neymar está em fase final de recuperação da gravíssima lesão de LCA, considerada a pior para um jogador de futebol.

Já Estêvão sofreu uma forte pancada no tornozelo esquerdo na derrota por 1 a 0 para o Botafogo, em 17 de julho pelo Brasileirão, que o tirou de combate nos duelos contra Cruzeiro e Fluminense. Voltou em 27 de julho e sofreu uma entorse no mesmo tornozelo na derrota por 2 a 0 contra o Vitória, no Barradão.

O estágio de recuperação de Estêvão segue em sigilo total dentro do Palmeiras, que não toca no assunto desde a lesão contra o Vitória. O garoto não jogou desde então, nem mesmo nos três últimos duelos contra o Flamengo, pela Copa do Brasil (onde o Palmeiras foi eliminado nas oitavas de final) e pelo Brsileirão (empate em 1 a 1). Muitos comentam que Estêvão está sendo claramente preservado por Abel para os confrontos contra o Botafogo, pelas oitavas de final da Libertadores, que começam a ser disputados nesta quarta-feira (14), no estádio Nilton Santos.

O que o Brasil ganha com a futura dupla?

Com tantos comentários a respeito do talento evidente de Estêvão e da possibilidade da iminente volta de Neymar, quem deve estar contando os dias para ver ambos em campo é o técnico da Seleção, Dorival Júnior. O comandante brasileiro será praticamente “obrigado” a reunir os atacantes na Seleção o mais rápido possível. Não só pelo brilhantismo deles, mas por necessidade.

O Brasil se encontra hoje na sexta posição das Eliminatórias Sul-Americanas com apenas sete pontos em seis jogos. Logo, a chegada de Estêvão e o retorno de Neymar dariam ao time verde não apenas mais poderio ofensivo como ampliaria as alternativas táticas para a montagem da equipe.

Diferente de outros tempos, Neymar não atua mais como ponta-esquerda (função que hoje pertence ao consolidado Vinícius Júnior), mas sim como um camisa 10, vindo buscar jogo mais atrás para criar alternativas de ataque e até penetrar na área adversária como elemento surpresa (ver novamente a descrição do gol contra a Croácia).

Dessa forma, pondo em ação sua visão diferenciada e sua qualidade de jogo, ele amplia o leque de jogadas, podendo avançar com a bola e tirar da cartola uma grande jogada individual, ou atrair a marcação e encontrar companheiros que estejam mais bem colocados para finalizar.

Neymar seleção brasileira brasil
Neymar vem atuando como um autêntico “camisa 10” pelo Brasil – Foto: Divulgação/CBF

Assim como Neymar era em suas primeiras temporadas como profissional e em sua gênese na Seleção, o canhoto Estêvão atua (em sua maior parte) na ponta-direita. Contudo, a joia não se limita apenas a esta posição, pois já pôde ser visto como ponta-esquerda, segundo-atacante e até como meia-armador no time do Palmeiras, polivalência que o próprio Abel Ferreira faz questão de ressaltar e elogiar a cada coletiva.

Nas seleções de base, a função de Estêvão é mais de criação. Foi assim na Copa do Mundo sub-17 de 2023, disputado em Cingapura. Foi no Mundial onde Estêvão (que já era apelidado de Messinho devido à perna esquerda de extrema habilidade) encantou o mundo e recebeu a alcunha de “Gênio” dos principais jornais do planeta bola por conta de sua capacidade única de criar e finalizar jogadas em velocidade e com dribles e passes que rompiam linhas em favor do Brasil.

Estêvão na Copa do Mundo Sub-17 - Foto: Getty Images
Estêvão foi ‘o cara’ do Brasil no Mundial sub-17, em 2023 – Foto: Masashi Hara/Getty Images)

Dessa forma, Estêvão pode tanto ser um “substituto de luxo” para Neymar como também pode atuar ao lado do astro, que é justamente o que (quase) todos anseiam ver. Talvez, devido à falta de ritmo de jogo, Neymar não esteja na lista de jogadores que enfrentarão Equador e Paraguai, mas o fato é que o encontro geracional do talento de ambos com a camisa da Seleção é uma questão de tempo.