vitinho e paulo henrique selecao
Copa do Mundo Brasileirão

Seleção Brasileira: o que Paulo Henrique e Vitinho oferecem caso Wesley seja cortado?

A lateral direita da Seleção Brasileira parecia ter encontrado um dono para a Copa do Mundo. Wesley viveu uma temporada de afirmação, conquistou espaço com Carlo Ancelotti e rapidamente se transformou em uma das principais opções da posição. Porém, uma possível lesão ou corte sempre obriga a comissão técnica a olhar para alternativas, e dois nomes aparecem como candidatos naturais: Paulo Henrique, do Vasco, e Vitinho, do Botafogo.

Embora atuem na mesma posição, os dois laterais possuem características bastante diferentes. Enquanto Paulo Henrique se destaca pela capacidade de apoiar o ataque e participar da construção ofensiva, Vitinho construiu sua reputação através da consistência defensiva e da capacidade de vencer duelos individuais.

Por isso, uma eventual escolha entre eles não dependeria apenas da qualidade técnica, mas também do que Ancelotti pretende para cada partida.

Vitinho oferece segurança defensiva para a Seleção

Botafogo
Reprodução/X

Entre os dois nomes, Vitinho é provavelmente o lateral mais confiável quando o assunto é proteção defensiva.

Os números ajudam a explicar essa reputação. Na atual temporada pelo Botafogo, o jogador soma 49 desarmes em apenas 24 partidas. Na temporada passada, os números também chamaram atenção: foram 104 desarmes em 60 jogos disputados.

Trata-se de uma média extremamente consistente para um jogador da posição, principalmente em uma equipe que costuma enfrentar adversários fortes em diferentes competições.

Outro aspecto importante é sua capacidade física. Além dos desarmes, Vitinho também se destaca nos duelos aéreos. Em 2025, venceu 32 disputas pelo alto ao longo de 60 partidas, característica que pode ser valiosa em jogos internacionais, onde cruzamentos e bolas paradas frequentemente decidem confrontos equilibrados.

A confiança da comissão técnica também ficou evidente quando recebeu oportunidade como titular da Seleção Brasileira na vitória por 5 a 0 sobre a Coreia do Sul.

Naquela partida, realizou três desarmes e participou de uma atuação defensiva bastante segura da equipe. Não foi um jogo que exigiu grande protagonismo ofensivo, mas serviu para mostrar que o lateral consegue entregar exatamente aquilo que se espera dele: consistência, intensidade e segurança sem a bola.

Caso Ancelotti procure um jogador capaz de proteger melhor o lado direito contra adversários mais fortes, Vitinho aparece como uma solução bastante lógica.

Paulo Henrique oferece mais profundidade e participação ofensiva

Paulo Henrique Vasco Seleção Brasileira
Divulgação

Se Vitinho representa a segurança defensiva, Paulo Henrique surge como uma alternativa mais agressiva com a bola nos pés.

O lateral ganhou notoriedade principalmente durante a temporada passada, quando foi um dos destaques do Vasco na campanha que levou o clube à final da Copa do Brasil. Naquele ano, participou diretamente de 12 gols, registrando quatro gols e oito assistências em 58 partidas.

Para um lateral, são números bastante expressivos.

Mais do que os números, Paulo Henrique se destacou pela capacidade de atacar espaços, chegar à linha de fundo e participar constantemente das ações ofensivas. Em muitos momentos, funcionava quase como uma válvula de escape para o ataque vascaíno.

Foi justamente esse desempenho que ajudou o jogador a entrar no radar da Seleção Brasileira e posteriormente conquistar a confiança de Carlo Ancelotti para figurar na pré-lista.

Entretanto, sua temporada atual está longe do mesmo nível.

O lateral vive um momento de oscilação no Vasco e frequentemente é alvo de críticas da própria torcida. A produção ofensiva caiu, enquanto as limitações defensivas passaram a ficar mais evidentes.

Na Seleção, suas oportunidades também foram discretas até aqui. Entrou durante a goleada sobre a Coreia do Sul sem tempo suficiente para influenciar o jogo e posteriormente foi titular na derrota para o Japão.

Contra os japoneses, apresentou um bom índice de acerto de passes, chegando a 96%, mas teve pouca influência ofensiva, justamente a característica que normalmente o diferencia de outros concorrentes da posição.

O estilo de jogo pode definir a escolha de Ancelotti

Carlo Ancelotti, Brasil, Copa do Mundo
Foto: Rafael Ribeiro/CBF

A comparação entre os dois laterais mostra que a decisão não passa necessariamente por quem é o melhor jogador.

Na prática, eles oferecem ferramentas diferentes para o treinador.

Se a ideia for enfrentar uma seleção mais dominante, que ataque bastante pelos lados e obrigue o Brasil a defender por longos períodos, Vitinho parece levar vantagem. Seus números de desarmes e sua capacidade de vencer duelos individuais indicam um jogador mais preparado para suportar pressão defensiva.

Por outro lado, se o plano for enfrentar equipes fechadas, que concedem posse de bola e obrigam o Brasil a construir ataques posicionais, Paulo Henrique pode oferecer soluções mais interessantes. Sua chegada ao ataque, capacidade de cruzamento e histórico recente de participações em gols mostram um lateral com características mais ofensivas.

Talvez essa seja justamente a principal diferença entre os dois.

Vitinho tende a oferecer mais equilíbrio. Paulo Henrique tende a oferecer mais profundidade.

Para uma Seleção Brasileira que ainda busca consolidar sua identidade sob o comando de Carlo Ancelotti, a escolha entre eles dependerá muito menos do currículo individual e muito mais do contexto de cada partida. Caso Wesley realmente fique fora, o treinador italiano terá à disposição duas alternativas com perfis completamente diferentes para preencher uma das posições mais importantes do sistema brasileiro.

(Foto de capa: Reprodução X)

author
Kaique