Antonio Oliveira Sport Brasileirão
Futebol Brasileirão

Troca que não resolveu: Sport afunda ainda mais sob comando de António Oliveira e revela crise estrutural

A demissão de Pepa e a contratação de António Oliveira tinham um objetivo claro: reanimar o Sport, reorganizar a equipe e resgatar, minimamente, a competitividade dentro do Campeonato Brasileiro. Dez dias depois, dois jogos e nenhuma vitória, o cenário piorou. A equipe rubro-negra não só continua sem vencer na Série A, como agora atua mal, perdeu o que tinha de mais funcional e amarga a lanterna da competição com apenas quatro gols marcados em nove jogos.

Mesmo com pouco tempo de trabalho, seis treinos desde sua chegada, é possível afirmar que o início de António no comando do Sport é alarmante. Não pelos resultados isoladamente, mas pela queda abrupta no desempenho coletivo, por escolhas táticas questionáveis e por decisões que expõem uma possível falta de leitura de jogo.

Sport “perdia de pouco”, agora dá vexame

A estreia do novo treinador veio com um goleada humilhante em casa para o Cruzeiro por 4 a 0. A atuação foi amplamente criticada como a pior do Sport na temporada, e o técnico causou espanto com escolhas como a titularidade de Matheus Alexandre, que dias depois foi afastado do elenco, um indício de que a decisão, além de mal recebida, foi insustentável.

O vexame diante da torcida deixou claro que a troca no comando não surtira o efeito desejado. Em vez de revitalizar, o Sport mergulhou ainda mais em sua crise técnica, física e emocional. No segundo jogo, fora de casa contra o Ceará, António buscou ajustar a defesa, alterando o esquema tático para três zagueiros. A mudança, no entanto, não trouxe melhora alguma. Pelo contrário: o Sport sofreu um gol com menos de dez minutos, após erro técnico de Chico, e voltou a ser dominado durante boa parte da partida.

O novo esquema também não ofereceu alternativas ofensivas. Se com Pepa o time ainda conseguia circular a bola próximo à área adversária, mesmo sem grande perigo, agora não há sequer aproximação ofensiva. As jogadas se resumem a iniciativas isoladas, especialmente de Lucas Barletta, que tem sido o único jogador a apresentar lampejos de criatividade ou agressividade.

O ataque segue inoperante, e o Sport não marca há dois jogos. A equipe é dona do pior ataque da Série A, com média inferior a meio gol por partida, uma marca que por si só justifica a lanterna.

Falta de reação e decisões lentas no banco

Além do sistema de três zagueiros não funcionar, o treinador mostrou lentidão nas substituições, o que aumentou as críticas. Carlos Alberto, que não fez nada no jogo, só foi substituído aos 17 minutos do segundo tempo, já com o placar em 2 a 0 para o Ceará. A demora em mexer contrasta com a necessidade urgente de tentar algo novo diante de uma equipe que claramente não funciona.

Mais grave foi a insistência de António no esquema tático, mesmo diante da ineficiência evidente. Ao ser questionado após o jogo, o técnico reagiu de forma irônica, citando Xabi Alonso — técnico do Bayer Leverkusen campeão alemão com linha de três zagueiros — como resposta à manutenção do esquema. A fala, além de deslocada da realidade do Sport, demonstra resistência a rever conceitos e pouca disposição ao ajuste, algo preocupante em um contexto de crise.

Problemas além do banco: elenco desequilibrado

Embora a troca de treinador seja sempre a primeira medida, o que o Sport tem revelado nesta sequência é que o problema vai além do comando técnico. O elenco é limitado, mal montado e desequilibrado. Falta criatividade no meio, consistência defensiva, presença ofensiva e, principalmente, opções no banco.

A ausência de lideranças técnicas dentro de campo também pesa. Em momentos de dificuldade, ninguém chama a responsabilidade, ninguém muda o ritmo ou dita o tom. A consequência é uma equipe passiva, sem confiança e sem soluções.

O Sport hoje é um time sem plano de jogo, sem padrão e sem competitividade. A queda de desempenho é visível, e os resultados refletem isso: duas derrotas, nenhum gol marcado, pior ataque da competição e futebol pobre — talvez o pior da Série A no momento.

O Leão precisa de muito mais do que um novo técnico. Precisa de ajustes urgentes no elenco, contratações pontuais, reposicionamento de ideias táticas e, principalmente, reconstrução emocional. O ambiente está pesado, a torcida perdeu a paciência, e o clube caminha para um cenário de desespero se não reagir imediatamente.

A Série A é longa, mas o Sport não pode se dar ao luxo de esperar. A reação tem que começar agora, ou o Leão corre sério risco de se perder completamente em 2025.

(Foto: Paulo Paiva/Sport Recife)