Adversário do Palmeiras na Libertadores, o Sporting Cristal apostou em um nome conhecido do futebol brasileiro para comandar a equipe: Zé Ricardo. O treinador foi anunciado na última sexta-feira e chega para substituir outro brasileiro, Paulo Autuori.
A escolha reforça uma conexão antiga entre o clube peruano e o Brasil. Ao longo da história, nomes como Enderson Moreira, Tiago Nunes, Renê Weber, José Carlos Amaral e José Luis Carbone já passaram pelo comando dos celestes — além do próprio Autuori.
Mas afinal: faz sentido apostar, mais uma vez, em um técnico brasileiro?
Uma relação histórica com o Brasil
Essa ligação remonta a uma figura emblemática: Didi. Ídolo do futebol brasileiro, ele iniciou sua trajetória como treinador justamente no Sporting Cristal, na década de 1960. Pouco depois, assumiu a seleção peruana e a levou à Copa do Mundo de 1970.
Com o passar dos anos, o clube voltou a buscar técnicos brasileiros, principalmente entre os anos 90 e 2000. E houve resultados: Carbone e Autuori conquistaram títulos nacionais, consolidando a imagem positiva desse intercâmbio.
Não por acaso, o movimento se repete. O mercado brasileiro oferece treinadores com perfil competitivo e capacidade de organização — características valorizadas no futebol peruano.
E Zé Ricardo, o que pode entregar?
Zé Ricardo chega com um histórico consistente, ainda que sem grande protagonismo internacional. Foi ele quem conduziu o Flamengo à Libertadores de 2017 e o Vasco à edição de 2018, além de trabalhos sólidos por clubes como Botafogo e Goiás.
Seu perfil é claro: equipes organizadas, compactas e competitivas — especialmente em jogos como mandante. Um estilo que pode encaixar com o que o Sporting Cristal busca.
Por outro lado, a falta de resultados mais expressivos em confrontos de alto nível levanta dúvidas sobre até onde o treinador pode levar a equipe, principalmente em um grupo exigente na Libertadores.
Após deixar o Criciúma em 2025, o desafio no Peru surge como uma oportunidade de recomeço — e também de afirmação.
Desafio imediato na Libertadores
O início, porém, não foi animador: derrota por 2 a 1 para o UCV Moquegua, em casa. Um sinal de alerta antes de uma sequência pesada. Na Libertadores, o Sporting Cristal está no Grupo F, ao lado de Palmeiras, Junior Barranquilla e Cerro Porteño — um cenário que exige respostas rápidas.
O contrato de Zé Ricardo vai até dezembro de 2027, e o primeiro grande teste será nesta quarta-feira (08), contra o Cerro Porteño, em casa. Já o duelo contra o Palmeiras está marcado para o dia 16, no Allianz Parque, pela segunda rodada da fase de grupos.
Créditos da foto de capa: Divulgação/Club Sporting Cristal

