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Steelers acertam em apostar novamente em Aaron Rodgers, mesmo que decisão não os leve imediatamente ao Super Bowl

Desde a aposentadoria de Ben Roethlisberger, o Pittsburgh Steelers vive uma contradição curiosa. A franquia continua vencendo jogos em temporada regular, segue competitiva dentro da AFC e mantém viva uma das culturas mais estáveis da NFL, mas ao mesmo tempo parece presa em um limbo que impede qualquer salto real rumo ao topo da liga.

As 111 vitórias acumuladas desde 2015 colocam os Steelers empatados com a terceira melhor campanha da NFL no período, um número impressionante para qualquer organização. O problema é que esse sucesso praticamente desaparece quando janeiro chega. Pittsburgh venceu apenas três jogos de playoffs em mais de uma década, e o último triunfo aconteceu ainda em 2017.

Essa seca criou uma sensação permanente de estagnação ao redor da franquia. O time nunca afunda completamente, mas também não ameaça seriamente os grandes favoritos da AFC. E isso ajuda a explicar por que a decisão de renovar mais uma vez com Aaron Rodgers divide tanto opiniões dentro e fora de Pittsburgh.

À primeira vista, apostar novamente em um quarterback de 42 anos parece um movimento conservador demais para uma franquia que claramente precisa pensar no futuro. Grande parte da torcida preferiria assistir o desenvolvimento de Drew Allar ou Will Howard, mesmo que isso significasse encerrar a histórica sequência de temporadas sem campanhas negativas. Existe um entendimento crescente de que os Steelers talvez precisem finalmente aceitar um período de transição real em vez de continuar perseguindo competitividade imediata.

Mas internamente, a visão da franquia parece completamente diferente.

Pittsburgh não acredita estar em reconstrução

Talvez o aspecto mais importante dessa decisão seja justamente esse: os Steelers não se enxergam como um time em reconstrução. Em nenhum momento a organização deu sinais de que considera 2026 um ano de transição ou preparação para o futuro. Pelo contrário. A permanência de Rodgers deixa claro que Pittsburgh acredita genuinamente possuir elenco para competir agora, e olhando friamente para o roster, não é uma visão totalmente irracional.

A equipe reforçou o ataque nesta offseason. Michael Pittman Jr. chega para finalmente oferecer um alvo confiável e físico no jogo aéreo, algo que Rodgers claramente sentiu falta em vários momentos da última temporada. Germie Bernard adiciona explosão e profundidade ao grupo de recebedores, enquanto Rico Dowdle fortalece um jogo terrestre que precisa aliviar a pressão constante sobre o quarterback veterano, mas talvez a mudança mais importante esteja na linha ofensiva.

Os Steelers passaram anos tentando reconstruir o setor após o envelhecimento da antiga linha que protegeu Roethlisberger no auge da franquia. Agora, pela primeira vez desde 2020, existe a sensação de que Pittsburgh finalmente pode voltar a ter uma unidade dominante nas trincheiras. A chegada de Max Iheanachor, tackle extremamente atlético vindo de Arizona State, somada ao desenvolvimento de Zach Frazier, Troy Fautanu e Mason McCormick, cria um cenário muito mais favorável para Rodgers do que aquele encontrado em sua primeira temporada na equipe.

Rodgers não foi o problema em 2025

Existe uma tendência natural de associar qualquer fracasso coletivo ao quarterback, principalmente quando esse quarterback é Aaron Rodgers. Mas internamente os Steelers parecem acreditar que o veterano esteve longe de ser o principal culpado pela eliminação precoce nos playoffs.

A derrota para o Houston Texans no Wild Card serviu mais como uma exposição das limitações ofensivas do elenco do que propriamente uma prova de decadência definitiva de Rodgers. Pittsburgh permaneceu vivo no jogo durante boa parte da partida antes de desmoronar após um touchdown defensivo dos Texans. O ataque produziu apenas seis pontos, mas a falta de playmakers capazes de vencer individualmente ficou evidente o tempo inteiro.

Rodgers ainda mostrou capacidade de decidir jogos importantes. O touchdown da vitória contra Baltimore na Semana 18 virou praticamente o símbolo daquilo que os Steelers acreditam ainda existir no quarterback: a habilidade de elevar o nível em momentos críticos. O problema é que Pittsburgh exigiu demais dele ao longo da temporada.

Durante muitos jogos, Rodgers precisou carregar praticamente sozinho um ataque sem criatividade, sem separação consistente dos recebedores e sem equilíbrio terrestre confiável. Aos 42 anos, isso se torna inviável por uma temporada inteira. Nem Tom Brady conseguiu vencer Super Bowls nessa fase da carreira sem um elenco forte ao redor. E os Steelers entendem isso.

A renovação com Rodgers não parece baseada na ideia de que ele ainda consegue dominar a NFL semanalmente como fazia em Green Bay. A aposta é outra: cercá-lo de estrutura suficiente para que ele precise decidir apenas os momentos realmente importantes.

O plano também envolve o futuro

Talvez o aspecto mais inteligente da decisão seja que ela não exclui necessariamente o desenvolvimento dos quarterbacks jovens. Pelo contrário. Pittsburgh acredita que manter Rodgers cria o ambiente ideal para Drew Allar e Will Howard amadurecerem sem pressão imediata. Essa é uma diferença importante em relação a várias franquias desesperadas da NFL.

Os Steelers não parecem querer forçar nenhum dos dois jovens quarterbacks ao campo antes da hora apenas para acelerar uma reconstrução artificial. A organização continua extremamente fiel à própria identidade histórica: estabilidade, desenvolvimento interno e paciência.

Mike McCarthy aparentemente comprou completamente essa ideia ao aceitar o trabalho sabendo exatamente qual era o cenário da posição. Para um treinador acostumado a trabalhar com quarterbacks veteranos e sistemas ofensivos estruturados, Rodgers representa tanto uma solução competitiva imediata quanto um mentor extremamente valioso para os jogadores mais jovens.

Pittsburgh acredita que ainda pode competir em 2026 sem sacrificar completamente o futuro. E essa talvez seja a principal diferença entre os Steelers e outras franquias veteranas tentando desesperadamente espremer uma última chance de título.

Ainda assim, a decisão carrega riscos evidentes. A AFC continua brutalmente competitiva, e existe um teto natural para qualquer equipe dependente de um quarterback de 42 anos. Rodgers ainda pode produzir momentos brilhantes, mas já não consegue sustentar alto nível físico e atlético durante uma temporada inteira da mesma forma que fazia há cinco ou seis anos.

Além disso, Pittsburgh continua cercado por dúvidas importantes. A defesa ainda oscila em jogos grandes, o grupo de recebedores segue sem possuir uma superestrela consolidada e a adaptação da nova linha ofensiva precisará acontecer rapidamente para que o projeto funcione.

A aposta dos Steelers é menos desesperada do que parece

Por isso talvez seja injusto tratar a permanência de Rodgers como puro desespero ou negação do futuro. A verdade parece mais complexa. Os Steelers enxergam um elenco melhor, mais profundo e mais equilibrado do que aquele eliminado pelos Texans. Também enxergam um quarterback veterano que, mesmo claramente distante do auge físico, ainda consegue produzir em momentos decisivos.

Mais importante ainda: a franquia continua acreditando profundamente na própria capacidade de desenvolver seu próximo quarterback franquia sem precisar destruir completamente o presente para isso.

Pode dar errado? Claro. Rodgers pode finalmente sentir o peso definitivo da idade, a linha ofensiva pode não evoluir como esperado e Pittsburgh pode terminar mais uma temporada preso exatamente no mesmo limbo competitivo dos últimos anos.

Mas internamente, os Steelers não enxergam essa aposta como uma tentativa desesperada de evitar o inevitável. Eles enxergam como uma oportunidade real de competir agora enquanto continuam preparando silenciosamente o próximo capítulo da franquia.

(Foto: Kevin Sabitus / Getty Images)