Rayan Cherki recebe recados de Pep Guardiola, após o jogo entre Manchester City e Villarreal, pela 3ª rodada da fase de liga da Champions League. Foto: Jose Breton/Pics Action/NurPhoto via Getty Images
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O segredo para o sucesso de Cherki é seguir os passos de Messi, de acordo com Guardiola

Rayan Cherki já começa a causar impacto sob o comando de Pep Guardiola, mas o treinador tratou de estabelecer limites à empolgação. Considerado um jogador “especial”, o francês de 22 anos passou a ser comparado a nomes como Phil Foden e Kevin De Bruyne — associações que agradam ao técnico. A analogia com Lionel Messi, no entanto, acendeu um sinal de alerta.

Contratado pelo Manchester City em junho, por 34 milhões de libras, após se destacar no Lyon, Cherki desponta como um dos principais candidatos a “contratação da temporada”. Seu talento no terço final do campo tem sido decisivo para os Citizens — mas Guardiola deixou claro que o processo de amadurecimento exige mais do que lances espetaculares.

“Perto da área do adversário, ele é um jogador excepcional. É um gol fantástico. Eu vi isso muitas vezes com Phil [Foden] e com Kevin [De Bruyne] antes” — disse Guardiola, após o chute certeiro de Cherki da entrada da área contra o Brentford.

O momento foi mais um lampejo de brilho do francês. Ainda assim, o treinador fez questão de conter o entusiasmo excessivo — e foi justamente aí que surgiu a comparação com Messi.

“Nunca vi o Messi fazer esse tipo de coisa. A maior qualidade do Messi é a simplicidade. Ele faz as coisas simples perfeitamente”, afirmou Guardiola. “Com todo o talento que o Rayan tem, ele precisa aprender isso. Mas ele é muito jovem.”

Um talento raro que ainda precisa ser lapidado

Rayan Cherki comemora o gol marcado. Foto: Michael Regan/Getty Images
Rayan Cherki comemora o gol marcado. Foto: Michael Regan/Getty Images

 

Toda contratação do City convive com a dúvida: adaptar-se ao método de Guardiola ou ser engolido por ele. Poucos jogadores, especialmente recém-chegados, teriam confiança — e liberdade — para tentar uma rabona logo nos primeiros meses em um novo clube. O lance virou manchete, mas a atuação de Cherki contra o Sunderland foi bem mais ampla do que um gesto técnico isolado.

A fala de Guardiola, ao reforçar a importância do “simples”, não soou como advertência severa, mas como um cuidado pedagógico com um talento em plena ascensão. Apesar da pouca idade, Cherki não chega cru: estreou profissionalmente aos 16 anos e soma 185 partidas pelo Lyon, bagagem que o credencia a dar o próximo passo.

Na última temporada, foram 12 gols e 20 assistências em 44 jogos — números que indicavam maturidade para um salto competitivo. No City, ele confirma o potencial: são seis assistências em seis partidas como titular na Premier League, mesmo após ficar seis semanas afastado por lesão na coxa.

Versátil, Cherki atua como armador central, mas também pela direita — setor em que Guardiola mais o utiliza. Ambidestro, imprevisível e criativo, oferece soluções distintas para defesas fechadas.

“Rayan tem uma qualidade especial, única. Às vezes você o ama, às vezes o odeia, mas ele é especial. A compostura, a personalidade e o ritmo que ele nos dá, especialmente no terço final, são muito importantes”, resumiu Guardiola.

Querido pela torcida, mas ainda em fase de ajustes

Cherki vibra com a torcida. Foto: Divulgação/Manchester City FC.
Cherki vibra com a torcida. Foto: Divulgação/Manchester City FC.

 

O estilo ousado e a personalidade forte ajudam Cherki a conquistar rapidamente os torcedores. Seus dribles e passes de efeito aparecem com naturalidade, como na assistência para Phil Foden contra o Crystal Palace, quando atravessou o meio-campo adversário antes de deixar o companheiro em condição ideal.

A identificação com a arquibancada também passa pela postura fora de campo: na comemoração contra o Brentford, Cherki imitou as celebrações de Erling Haaland, e, na última quinta-feira (18), declarou publicamente seu carinho pelo clube. O impacto vai além do espetáculo: a parceria com Foden, nas últimas quatro partidas, ajudou a aliviar a dependência ofensiva sobre Haaland.

Ainda assim, Guardiola reforça que o francês não é um produto acabado. Contra o Brentford, Cherki foi substituído aos 66 minutos por não cumprir integralmente as exigências defensivas.

“Na carreira dele, tenho a sensação de que ele fez o que quis. Aqui, ele precisa fazer o que o time precisa”, explicou o treinador. “Quando entender isso por completo, vai jogar muitos minutos por muitos anos neste clube.”

O recado é claro: talento abre portas, mas disciplina sustenta carreiras. Foi o que o veículo inglês Sky Sports destacou: “Um lembrete de que ele ainda não é um produto finalizado. Se este é Cherki no City após cinco meses, como será depois de cinco anos?”

O próximo passo na trajetória de Cherki

O francês volta a campo no sábado (20), no duelo entre Manchester City e West Ham, pela 17ª rodada da Premier League. A partida será disputada ao meio-dia, no Etihad Stadium.

Na perseguição ao Arsenal, atual líder do campeonato, o City precisa vencer e torcer por tropeços dos Gunners. Para Cherki, cada jogo representa mais um capítulo em um processo que Guardiola faz questão de conduzir com calma — justamente para evitar que comparações grandiosas, como a com Messi, se tornem um peso precoce em vez de inspiração.

Créditos da foto de capa: Jose Breton/Pics Action/NurPhoto via Getty Images