Sede da Copa do Mundo em 1954, a Suíça vai para a 13ª participação no torneio. A equipe comandada por Murat Yakin surge como a principal força do Grupo B, que ainda conta com Canadá, Bósnia e Herzegovina e Catar. A seleção tornou-se figurinha carimbada ao conseguir a sexta participação consecutiva, e o objetivo é ir ainda mais longe do que apenas as oitavas de final.
Nas últimas edições, foi difícil para o plantel suíço avançar para a fase eliminatória e, quando o fazia, enfrentava sempre adversários de níveis superiores. Neste século, acumulou eliminações nas oitavas em 2006, 2014, 2018 e 2022, e na fase de grupos em 2010. Nessas quedas, seus algozes foram a Ucrânia, Argentina, Suécia e Portugal.
Esses embates só foram possíveis também porque, nas chaves em que foi sorteada, caiu em grupos com o Brasil (duas vezes), Espanha e França (duas vezes). A única exceção em que foi primeiro lugar foi em 2006, quando foi eliminada sem tomar um gol sequer.
Desta vez, em um grupo do qual é, sem dúvidas, a protagonista, o objetivo é repetir o desempenho de 1954. Naquela ocasião, ‘La Nati’, como é apelidada, foi sede e chegou às quartas de final, ficando em sexto lugar.
Como joga a Suíça?

O elenco da Suíça acumulou rotulações de ser um time “retranqueiro”, mesmo que, a princípio, não fosse. A evolução chegou ao futebol helvécio e hoje dispõe de uma configuração que é, sim, capaz de propor jogo e causar problemas para o adversário.
Sob o comando de Murat Yakin, ex-jogador e irmão mais velho do icônico Hakan Yakin, a equipe tem algumas variações táticas notáveis — e que podem mudar conforme a presença de algumas peças. O time parte, costumeiramente, do esquema 4-2-3-1 ou 4-3-3, e quem geralmente define esta mudança é o meia-atacante Fabian Rieder, do Augsburg-ALE.
No ataque, a Suíça se posta no campo adversário com uma disposição de três zagueiros. Os defensores têm a responsabilidade de iniciar as jogadas, conectar passes com os meias para, assim, a bola chegar ao ataque no seu principal aspecto: a velocidade.
Na frente, ‘La Nati’ conta com o seu principal trunfo, a rapidez e o vigor físico. Com velocistas e jogadores de porte físico mais avantajado, os suíços incomodam o adversário principalmente com os facões dos pontas e laterais na última linha e também na entrada da grande área.
Defensivamente, este desenho se altera. A título de curiosidade, a equipe tem mais variações táticas na hora de se resguardar do que no momento de atacar. À princípio, Murat Yakin protege a meta com um esquema básico do 4-4-2. Porém, isso pode alternar para um 4-1-4-1 ou 5-4-1 — esta última formação só é possível em função das capacidades físicas e versáteis de alguns atletas, como Dan Ndoye.
Principais jogadores

Historicamente, a seleção helvética teve sempre duas ou mais peças de destaque no time titular. Em 2026, isso não é diferente e traz até mais protagonistas no onze inicial.
O primeiro aspecto a ser ressaltado é o de baixo das traves. Depois de duas Copas do Mundo, Yan Sommer não será o titular. O ex-Borussia Mönchengladbach-ALE, Inter de Milão-ITA e Bayern-ALE despediu-se da seleção em 2024 após a disputa da Euro. Sendo assim, quem assume a responsabilidade é Gregor Kobel, do Borussia Dortmund.
Experiente, finalista da UEFA Champions League de 2023/2024 e titular absoluto do time aurinegro, Kobel tem a confiança dos torcedores e do técnico. Dificilmente a sua vaga será tirada, até porque é um goleiro regular e que demonstrou ser protagonista nas edições recentes da Bundesliga e na própria campanha vice-campeã europeia da UCL de dois anos atrás.
Na defesa, os pilares da Suíça são: Manuel Akanji, da Inter de Milão; Ricardo Rodríguez, do Real Betis-ESP; e Silvan Widmer, do Mainz 05-ALE.
Akanji é o principal nome da linha defensiva, sendo o central que fará os passes chegarem aos meias. Essas conexões geralmente quebram as linhas adversárias e fazem com que os centro-campistas recebam a bola com liberdade para distribuir o jogo.
Já Rodríguez é um dos jogadores mais velhos do plantel, embora tenha a confiança do técnico. De todo o modo, o lateral muitas vezes cumpre o papel de terceiro zagueiro e libera Widmer para o ataque — sua principal dedicação.
No meio-campo e ataque, os destaques ficam para Granit Xhaka, Breel Embolo e Dan Ndoye. O meio-campista já é bem consolidado no cenário doméstico e é tratado como liderança do grupo. Embolo, apesar de não ter números expressivos no seu clube, o Rennes-FRA, consegue ter uma boa produtividade pela seleção suíça.
Ndoye aparece como um dos principais nomes da atual geração do país. Talentoso, objetivo e inteligente, Dan é jogador do Nottingham Forest e foi um dos destaques suíços da campanha da Eurocopa de 2024.
Como foi o ciclo para a Copa do Mundo?

Da eliminação dolorosa para Portugal, por 6 a 1, em 2022, até a classificação para o Mundial de 2026, a Suíça teve uma trajetória de muita desconfiança no início. No entanto, conforme o trabalho de Murat Yakin foi se desenvolvendo, o time tomou forma e foi produtivo.
Entre uma Copa do Mundo e outra, os suíços fizeram uma Eurocopa de 2024 interessante. Os helvécios caíram para a Inglaterra nas quartas de final, em um jogo em que foram melhores e apresentaram mais qualidade técnica e tática.
Foi um resultado incompatível com o desempenho dentro de campo, até mesmo pela campanha — ficaram em 2° lugar no grupo A, que tinha Alemanha, Hungria e Escócia. Nas oitavas, eliminou a Itália e só foi impedido pelos ingleses na decisão por pênaltis.
Já nas Eliminatórias para a Copa do Mundo, o caminho foi mais tranquilo. Os comandados de Yakin ficaram em 1° lugar na chave com Kosovo, Eslovênia e Suécia. Com 14 pontos conquistados em quatro vitórias, dois empates e nenhuma derrota, a equipe teve uma média superior a dois gols por partida e só foi vazada duas vezes.
Em outras palavras, a qualificatória de ‘La Nati’ foi irrepreensível. O selecionado ainda contou com uma boa safra de jogadores novos, sem se desfazer dos medalhões.
Onde pode chegar?

A Suíça está em um grupo em que ela é a favorita para classificar-se em primeiro lugar. No quesito de “técnica”, é um plantel enriquecido e que mescla entre a juventude e a experiência.
Essa combinação entre juventude e experiência tem sido um dos trunfos da seleção suíça nos últimos anos. ‘La Nati’ tem time para superar com facilidade a pressão de um dos anfitriões da Copa (Canadá), um time extremamente defensivo (Bósnia) e o país sede do mundial passado (Catar).
É uma seleção que certamente pode chegar às oitavas de final com tranquilidade. No entanto, a partir desta fase, há a possibilidade — cruel — de reencontrarem Portugal. De todo modo, o desempenho nas eliminatórias é satisfatório e possível de ser repetido na Copa do Mundo.
Os jogos da Suíça na Copa do Mundo
Grupo B
13/06 – 16h: Catar x Suíça (Levi’s Stadium – Santa Clara)
18/06 – 16h: Suíça x Bósnia e Herzegovina (SoFi Stadium – Los Angeles)
24/06 – 16h: Suíça x Canadá (Vancouver Stadium – Vancouver)
Créditos da foto de capa: Tim Clayton/Corbis via Getty Images