Thiago Motta vive um momento curioso na carreira. O técnico ítalo-brasileiro, que brilhou à frente do Bologna e parecia encaminhado para um salto definitivo no futebol europeu, está parado desde que deixou a Juventus. Mas parado só no banco de reservas, porque nos bastidores seu nome continua sendo assunto quente. Motta ainda tem contrato com a Velha Senhora até junho de 2027 e, enquanto não assina com outro clube, os italianos seguem pagando seu salário.
Esse cenário explica por que a Juventus acompanha de perto os rumores vindos da Alemanha. O Bayer Leverkusen, que recentemente demitiu Ten Hag depois de uma sequência ruim, procura um novo comandante. E, de acordo com a imprensa italiana, um intermediário já teria feito os primeiros contatos com Thiago Motta. Para o clube de Turim, seria um negócio da China: caso Motta aceitasse dirigir os alemães, o alívio financeiro chegaria a quase 15 milhões de euros brutos até o fim do contrato.
Juventus na torcida pelo “sim”
Na Continassa, centro de treinamento da Juve, há uma torcida silenciosa para que Motta aceite a proposta alemã. Não se trata de mágoa ou ressentimento, mas de pragmatismo: pagar um treinador que não está trabalhando não é algo que um clube gosta de fazer, especialmente com os custos altos do futebol atual. Se Motta e seu staff fossem para o Leverkusen, os bianconeri se livrariam dessa despesa e ainda veriam seu ex-treinador recomeçar a carreira em um contexto diferente.
Mas, até agora, o técnico não deu nenhuma resposta positiva. As informações mais recentes indicam que ele prefere passar a temporada fora do banco, aproveitando um “ano sabático” para estudar, se reciclar e escolher com calma seu próximo destino. Em outras palavras, Thiago Motta parece determinado a não repetir erros de outros colegas que aceitaram projetos instáveis e acabaram queimando etapas da carreira.
O risco de um projeto em declínio
A prudência de Motta não é à toa. O Bayer Leverkusen, apesar do brilho recente sob o comando de Xabi Alonso, vive um momento conturbado. O elenco que venceu a Bundesliga e a Copa da Alemanha foi praticamente desmontado na última janela, e o início da temporada tem sido decepcionante. Assumir um time em declínio, com torcida impaciente e ambiente pesado, pode ser uma armadilha para qualquer treinador que está tentando consolidar seu nome.
Thiago Motta sabe disso. Ele se lembra de exemplos como Ciro Ferrara e Andrea Stramaccioni, técnicos italianos que aceitaram desafios complicados cedo demais e acabaram se queimando. Por isso, prefere esperar. Mesmo que, no curto prazo, isso signifique abrir mão de uma vitrine importante como a Bundesliga.
Um técnico em alta no mercado europeu
A postura cautelosa não diminui o prestígio de Motta. Ao contrário, reforça a imagem de um treinador meticuloso, que pensa a longo prazo. Depois do bom trabalho no Bologna, onde levou o time a competir em alto nível e valorizou jovens talentos, ele se tornou um dos nomes mais falados para assumir grandes clubes. Juventus, Inter e Milan já monitoraram seus passos, e agora é a vez de um gigante alemão surgir no radar.
Esse cuidado também pode ter um lado estratégico. Ao não se precipitar, Motta mantém sua cotação em alta e evita associar sua imagem a projetos fadados ao fracasso. Se esperar até o verão europeu de 2025, é bem possível que surjam propostas de clubes em situações mais estáveis — talvez até mesmo da Premier League, onde seu estilo de jogo atrai interesse.
O dilema da Juventus e o futuro de Motta
Enquanto isso, a Juventus segue presa a esse contrato. Para o clube italiano, cada mês que passa sem Motta arrumar um novo emprego significa mais dinheiro saindo do caixa sem retorno esportivo. Mas também há um lado positivo: se o técnico conseguir uma boa colocação em breve, o alívio financeiro virá de forma imediata. É por isso que os dirigentes bianconeri acompanham cada notícia sobre o Leverkusen com tanta atenção.
Para Thiago Motta, o desafio é equilibrar paciência e oportunidade. Ficar parado demais pode fazer o mercado esfriar, mas aceitar um convite errado pode comprometer anos de construção de carreira. Por enquanto, ele parece disposto a apostar na primeira opção, mesmo que isso signifique manter a Juventus pagando sua conta. Resta saber se, até o fim da temporada, não surgirá um projeto mais sólido para seduzir o ítalo-brasileiro — quem sabe na Bundesliga, quem sabe na Premier League ou até em um retorno surpreendente à Serie A.

