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Thomas Frank no Tottenham: promessa de evolução, mas sem garantia de sucesso

O técnico Thomas Frank finalmente deixou o Brentford, depois de ter sido vinculado a diversos times do topo da Inglaterra nas últimas temporadas. O nome do dinamarquês chegou a ser colocado nas conversas sobre o novo comandante do Liverpool, mas Arne Slot acabou vencendo essa corrida. Entretanto, quando um profissional tem potencial, novas oportunidades aparecem diante de seus olhos, e desta vez, foi o Tottenham quem abriu as portas para ele.

Apesar dos Spurs terem conquistado a Europa League e colocado um ponto final num tabu de 41 anos, Ange Postecoglou não conseguiu permanecer no cargo. A péssima campanha do australiano no Campeonato Inglês falou mais alto, e o rendimento fraco no cenário nacional pesou demais. Diante dessa situação, Thomas Frank foi o escolhido para comandar o Tottenham, tendo, pela primeira vez, a chance de dirigir uma equipe na Champions League.

O sucesso do dinamarquês começou no Brentford em 2021, quando conquistou o acesso para a Premier League e, ao longo de quatro temporadas, conseguiu manter os Bees na elite, sempre fazendo barulho. Não teve o maior investimento do mundo, mas constantemente colocou seus times para jogar um belo futebol, fez mudanças inteligentes e mostrou que entende muito das quatro linhas.

É super comum ver treinadores de times menores brilharem e logo virarem alvo dos gigantes do país. Porém, nem todos conseguem entregar o mesmo resultado em ambientes maiores, afinal, são apostas. Mas essa é uma aposta bem interessante no caso de Thomas Frank. Ele acredita no próprio potencial e, com mais investimento, pode ir ainda mais longe do que já foi.

Nova fase de Thomas Frank

Thomas Frank
Foto: James Gill – Danehouse/Getty Images

 

Depois de seis anos e sete meses no Brentford, Thomas Frank resolveu dar um salto maior na carreira. Ele nunca foi um dos técnicos mais badalados da Premier League, mas sempre fez questão de aparecer bem nas competições. Mesmo com poucos recursos, era visível o crescimento de jovens talentos sob seu comando, como se ele soubesse exatamente como extrair o melhor dos seus jogadores.

Estamos falando simplesmente da segunda menor folha salarial do Campeonato Inglês, mas que ficou na 10ª colocação na última temporada. Agora, chegou a hora da verdade para Thomas Frank: novos desafios surgem diante dos seus olhos, junto com a pressão que ele vai carregar assim que pisar no campo de treino do Tottenham.

No Brentford, Thomas Frank trabalhava praticamente sem pressão. Um dos fatores essenciais era a paciência que a diretoria lhe proporcionava, e isso fez diferença para ele construir um ótimo trabalho ao longo de seis anos. Por outro lado, o Tottenham não é conhecido por sua paciência. Os últimos técnicos que passaram por lá que o digam: o clube já mostrou dificuldade em lidar com tropeços e momentos de crise.

Ainda assim, Thomas Frank parece ter um bom respaldo da diretoria, principalmente de Johan Lange, diretor-técnico dos Spurs. Lange sempre foi fã do trabalho de Thomas Frank e, não à toa, tentou levá-lo quando ainda estava no Aston Villa. Agora, finalmente os dois se encontram com a chance de fazer história juntos em Londres.

A dúvida que fica é: Thomas Frank vai se encaixar no Tottenham ou será engolido pela pressão? Ele sempre foi elogiado como um ótimo gestor de grupo, com estabilidade emocional e mentalidade coletiva, fatores que podem ajudar a conquistar a torcida, ainda ressentida pela saída de Ange.

Thomas Frank, o camaleão tático

Thomas Frank
Foto: Alex Davidson (Getty Images)

 

Analisando os últimos momentos de Ange Postecoglou no Tottenham, ficou claro que ele teve dificuldade para se adaptar ou reinventar seu próprio estilo. Sempre bateu na tecla de que não abriria mão das suas ideias, mas, justamente por isso, os Spurs foram atropelados em várias partidas.

Esse cenário parece improvável com Thomas Frank, simplesmente porque o dinamarquês age como um verdadeiro camaleão. Quando estava na Championship com o Brentford, montava seus times num 4-3-3 de saída curta e alta intensidade, buscando um futebol agressivo e ofensivo. Já na Premier League, diante do abismo financeiro e técnico, ele adaptou o estilo para algo mais direto, vertical e reativo.

Desde que colocou os Bees na elite, Thomas Frank se mostrou confortável jogando com blocos médios ou baixos, alternando bem entre linhas de quatro e cinco defensores, sempre prezando pela objetividade e transições rápidas. Não era raro ver o Brentford finalizando mais que o adversário mesmo com menos posse de bola.

Entre seus grandes feitos, Thomas Frank levou o Brentford à Premier League e evitou o rebaixamento com folga por três temporadas consecutivas. Seu currículo inclui vitórias marcantes sobre Liverpool, Manchester United, Arsenal, Manchester City e Chelsea, cada uma com uma estratégia diferente. Mesmo após perder peças importantes, conseguiu manter a identidade do time.

A grande incógnita agora é como Thomas Frank vai lidar com adversários que se fecham e esperam o Tottenham tomar a iniciativa. No Brentford, ele costumava deixar o jogo nas mãos do adversário para responder depois. No Tottenham, isso deve mudar bastante. Essa pode ser a maior aposta dos Spurs: ver se Thomas Frank consegue transformar sua flexibilidade tática em um estilo dominante.

Comparando o Brentford com o elenco atual do Tottenham, há boas similaridades: zagueiros móveis e agressivos, volantes versáteis e físicos, pontas verticais e com boa finalização. Como Thomas Frank já provou ser excelente em potencializar jogadores, o céu pode ser o limite para um time que possui diversos jovens talentos.

Foto: Reprodução/Sky Sports