Thomas Tuchel saiu satisfeito com a vitória da Inglaterra sobre a Croácia na estreia da Copa do Mundo, mas não completamente tranquilo. O placar de 4 a 2 animou os torcedores ingleses e mostrou uma equipe muito mais agressiva ofensivamente do que em ciclos anteriores, porém também deixou algumas preocupações que o treinador precisará resolver rapidamente antes do confronto contra Gana.
A seleção inglesa encantou em alguns momentos no ataque, criou oportunidades com frequência e mostrou uma postura que muitos torcedores vinham pedindo há anos. Ao mesmo tempo, a defesa apresentou oscilações que impediram uma estreia mais confortável.
Agora, com a competição entrando em uma fase decisiva, Tuchel se vê diante de duas questões importantes: manter Ezri Konsa na defesa ou devolver a vaga a Marc Guehi? E no ataque, Marcus Rashford fez o suficiente para ultrapassar Anthony Gordon na disputa pela ponta esquerda?
São decisões que podem influenciar não apenas o próximo jogo, mas também o restante da campanha inglesa no Mundial.
A defesa preocupa, mas talvez não pelos motivos que muitos imaginam
Quando a escalação inicial foi divulgada antes da partida contra a Croácia, uma das maiores surpresas foi a presença de Ezri Konsa ao lado de John Stones no sistema defensivo.
Muitos esperavam ver Marc Guehi entre os titulares, especialmente por conta de seu desempenho nos últimos anos com a camisa inglesa. No entanto, para quem acompanha de perto o trabalho de Tuchel, a escolha talvez não tenha sido tão surpreendente assim.
Desde que assumiu a seleção, o treinador alemão demonstrou enorme confiança em Konsa. Os números ajudam a explicar essa preferência. Entre os jogadores de linha, o defensor do Aston Villa é um dos atletas mais utilizados pelo comandante, ficando atrás apenas de nomes como Harry Kane em minutos disputados.
Ainda assim, a atuação contra a Croácia abriu espaço para questionamentos.
Em determinados momentos, a Inglaterra pareceu vulnerável defensivamente. O segundo gol croata, por exemplo, expôs problemas de posicionamento e coordenação entre os defensores. Não foi uma falha individual gritante, mas mostrou que a linha defensiva ainda está longe da perfeição.
Guehi virou opção ou continua sendo peça importante?
A grande discussão na imprensa inglesa gira em torno da possibilidade de Marc Guehi retornar ao time titular.
O zagueiro do Crystal Palace foi durante muito tempo considerado um dos pilares da renovação defensiva da seleção. Sua combinação de velocidade, leitura de jogo e segurança nos duelos individuais o transformou em um dos defensores mais confiáveis do país.
Curiosamente, existe quem acredite que a discussão está sendo feita da maneira errada.
Alguns analistas defendem que a pergunta não deveria ser “Guehi ou Konsa?”, mas sim “Guehi ou Stones?”. Afinal, apesar da enorme carreira construída pelo experiente defensor, sua última temporada foi marcada por problemas físicos e pouca sequência de jogos.
John Stones continua sendo uma liderança importante dentro do elenco e possui qualidade técnica diferenciada para iniciar jogadas desde a defesa. Porém, quando o assunto é intensidade física e enfrentamento direto contra atacantes rápidos, existe um debate legítimo sobre quem oferece mais segurança.
Por enquanto, tudo indica que Tuchel continuará apostando em Stones. Se isso realmente acontecer, a disputa seguirá concentrada entre Konsa e Guehi.
Nem tudo foi problema para a Inglaterra de Tuchel
Apesar das críticas direcionadas ao setor defensivo, existe um ponto importante que não pode ser ignorado.
A Inglaterra venceu. E venceu jogando um futebol mais ofensivo do que o habitual.
Durante anos, muitos torcedores reclamaram que a seleção entrava em campo excessivamente preocupada em esconder suas fragilidades. Contra a Croácia, a sensação foi diferente. A equipe buscou explorar seus pontos fortes, atacou com agressividade e produziu um volume ofensivo capaz de empolgar a torcida.
Isso ajuda a explicar por que Tuchel não parece particularmente preocupado com os problemas defensivos apresentados na estreia.
Na visão da comissão técnica, ajustes coletivos podem ser feitos durante os treinamentos. O mais importante foi perceber que o time possui potencial para criar dificuldades contra qualquer adversário.
Marcus Rashford aproveitou sua chance
Se a dúvida defensiva já movimenta debates, a disputa pela ponta esquerda promete ser ainda mais interessante.
Anthony Gordon começou como titular contra a Croácia, mas teve uma atuação discreta. O jogador recém-contratado pelo Barcelona participou pouco das ações ofensivas e não conseguiu impor a intensidade que normalmente caracteriza seu jogo.
Quando Marcus Rashford entrou em campo, o cenário mudou.
O atacante trouxe velocidade, objetividade e ainda marcou o gol que praticamente matou qualquer chance de reação croata. Foram apenas alguns minutos em campo, mas suficientes para gerar uma nova discussão dentro da seleção.
Rashford parece chegar ao Mundial em um momento de confiança elevada. Sua passagem recente pelo Barcelona ajudou o jogador a recuperar protagonismo, algo que havia sido perdido durante períodos turbulentos no Manchester United.
Contra a Croácia, ele demonstrou exatamente aquilo que os torcedores ingleses gostam de ver: aceleração, agressividade e capacidade de decidir partidas.
Gordon ainda tem crédito com Tuchel
Isso não significa, porém, que Anthony Gordon esteja fora da disputa pela vaga no time de Thomas Tuchel.
Antes do início da Copa do Mundo, o atacante havia mostrado bons sinais durante os amistosos preparatórios e chegou ao torneio com respaldo da comissão técnica.
Além disso, o próprio contexto de sua reta final de temporada ajuda a explicar a falta de ritmo. Nos últimos meses pelo Newcastle, Gordon teve participação reduzida após a definição de sua saída para o futebol espanhol, algo que naturalmente impactou sua condição competitiva.
Por isso, Tuchel sabe que ainda existe margem para crescimento.
Em uma competição longa, com possíveis oito partidas em pouco mais de um mês para quem chegar à final, a gestão física do elenco será fundamental. Ninguém dentro da seleção inglesa espera que apenas onze jogadores carreguem o time até o fim.
As dores de cabeça que todo treinador gostaria de ter
Se existe uma conclusão após a estreia da Inglaterra, é que Thomas Tuchel enfrenta problemas relativamente positivos.
Diferentemente de outras seleções que buscam soluções desesperadas para posições carentes, os ingleses discutem qual jogador de alto nível merece uma vaga entre os titulares.
Marc Guehi, Ezri Konsa, Marcus Rashford e Anthony Gordon oferecem características diferentes, mas todos possuem qualidade suficiente para atuar em uma Copa do Mundo.
A decisão final ficará nas mãos de Tuchel, que já mostrou não ter medo de contrariar expectativas quando acredita que determinada escolha beneficia o coletivo.
Contra Gana, algumas respostas podem aparecer para Thomas Tuchel. Mas também existe a possibilidade de que novas dúvidas surjam. E, considerando a profundidade do elenco inglês, isso provavelmente continuará acontecendo até os momentos decisivos do torneio.
Para os torcedores da Inglaterra, no entanto, existe uma certeza: se as maiores preocupações da seleção forem escolher entre bons jogadores, talvez o caminho nesta Copa do Mundo seja mais promissor do que parecia há alguns meses.
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