Ilia Topuria ainda nem entrou no octógono para enfrentar Justin Gaethje na aguardada luta principal da Casa Branca, mas o espanhol-georgiano já está olhando várias casas à frente no tabuleiro. E não, o foco não parece ser imediatamente uma superluta contra Islam Makhachev, algo que muita gente imaginava como o próximo passo natural.
Ao que tudo indica, existe um “chefão intermediário” no caminho de Topuria: Arman Tsarukyan.
Segundo relatos recentes envolvendo pessoas próximas ao campeão, Topuria enxerga Tsarukyan como uma defesa necessária para consolidar ainda mais o seu legado no peso leve. E sendo bem sinceros? Faz bastante sentido. O UFC adora narrativas de domínio absoluto, e vencer Gaethje e depois Tsarukyan colocaria o nome de Ilia em um patamar quase impossível de contestar.
Mas antes de pensar em Arman, existe um pequeno detalhe chamado Justin Gaethje. E esse detalhe costuma transformar lutas em cenas de filme de ação dirigido no improviso.
Justin Gaethje ainda é um dos homens mais perigosos do UFC
Existe uma tendência no MMA de subestimar lutadores depois de derrotas ou da chegada de novos fenôenos. Só que fazer isso com Justin Gaethje é quase pedir para aparecer no compilado de nocautes do ano.
Gaethje continua sendo um dos atletas mais violentos e imprevisíveis da organização. O americano já deixou claro que pretende “mudar a cara de Topuria”, em uma declaração que combina perfeitamente com o estilo caótico que ele leva para o cage. Não importa se a luta dura 30 segundos ou cinco rounds, Justin luta como alguém que apertou o botão de acelerar sem intenção de frear.
E honestamente? Esse combate tem potencial absurdo.
Topuria chega invicto, extremamente técnico, confiante e vivendo o melhor momento da carreira. Sua ascensão foi tão agressiva quanto seu boxe. O ex-campeão dos penas não apenas venceu grandes nomes, como fez parecer fácil em vários momentos. A confiança do lutador hoje está naquele nível perigoso em que ele realmente acredita que ninguém consegue tocar nele.
Só que Gaethje não é um lutador comum. Talvez ninguém no UFC consiga transformar uma luta técnica em uma guerra tão rapidamente quanto ele. O americano tem poder de nocaute, chutes baixos brutais e uma resistência absurda. É o tipo de cara que aceita apanhar só para garantir que você também vai sair destruído.
E no peso leve, um erro muda tudo.
O caminho de Topuria até Islam Makhachev pode ser mais longo do que parecia
Durante meses, muitos fãs trataram uma possível luta entre Ilia Topuria e Islam Makhachev como inevitável. Dois campeões dominantes, muita confiança dos dois lados e aquele choque clássico entre grappling sufocante contra precisão no striking.
Só que o UFC parece disposto a cozinhar essa rivalidade um pouco mais.
Segundo informações divulgadas por Carlos Contreras Legapsi após uma entrevista com Topuria, o campeão estaria extremamente interessado em enfrentar Arman Tsarukyan depois do evento na Casa Branca. A fala foi direta: caso vença Gaethje, Arman seria a prioridade para uma defesa de cinturão.
E isso muda bastante o cenário da divisão.
Tsarukyan virou uma espécie de “teste final” do peso leve. O armênio ganhou enorme respeito dentro da categoria justamente por ser completo. Ele tem wrestling forte, pressão física, resistência e uma evolução clara na trocação. Além disso, muita gente ainda lembra da luta equilibrada que ele fez contra Islam Makhachev anos atrás, quando ainda era muito jovem no UFC.
Inclusive, esse detalhe pesa muito aqui.
Se Topuria vence Gaethje e depois supera Tsarukyan, a conversa sobre Islam muda completamente. Não seria apenas uma superluta por hype. Viraria quase uma discussão sobre grandeza histórica e domínio de geração.
Arman Tsarukyan virou uma ameaça real no peso leve
Mesmo sem lutar MMA desde novembro do ano passado, Tsarukyan conseguiu continuar relevante. Algo que nem sempre é fácil em uma categoria tão movimentada quanto os leves.
O lutador participou recentemente de eventos ligados ao Real American Freestyle Wrestling, mantendo seu nome ativo nas redes sociais e entre os fãs. E hoje em dia isso importa muito. O UFC praticamente vive em um equilíbrio entre resultados esportivos e capacidade de gerar engajamento.
Arman oferece os dois.
Além disso, existe um fator importante nessa possível luta: stylisticamente, Tsarukyan talvez seja um desafio até mais complicado para Topuria do que o próprio Gaethje. Enquanto Justin entrega caos e violência pura, Arman pode transformar a luta em um jogo físico e estratégico de altíssimo nível.
E convenhamos: se Topuria conseguir passar por Gaethje e Tsarukyan em sequência, vai ficar difícil encontrar argumentos contra sua grandeza.
O curioso é que o próprio Islam Makhachev continua pairando como uma espécie de “fase final” dessa história inteira. A luta continua sendo enorme comercialmente, continua sendo desejada pelos fãs e provavelmente ainda acontecerá em algum momento.
Mas o UFC parece ter encontrado algo ainda melhor: construir o confronto no tempo certo.
Porque se existe uma coisa que a organização aprendeu nos últimos anos, é que superlutas ficam ainda maiores quando existe um caminho cheio de obstáculos antes delas. E, no caso de Ilia Topuria, esse caminho parece estar ficando cada vez mais perigoso.
Foto: Ed Mulholland/Zuffa LLC