A situação do Tottenham na Premier League se tornou ainda mais delicada após uma sequência alarmante de resultados negativos. O clube londrino, atualmente na 17ª colocação, convive com números preocupantes e vê crescer o risco de queda para a segunda divisão inglesa. Sem vencer na liga em 2026, a equipe soma apenas duas vitórias nos últimos 22 jogos, evidenciando um colapso técnico e emocional ao longo da temporada.
As estatísticas ajudam a dimensionar a gravidade do momento. O Tottenham acumula 13 partidas consecutivas sem vitória na liga (cinco empates e oito derrotas), igualando uma de suas piores sequências históricas, um cenário que pode se agravar caso o desempenho não melhore rapidamente. Além disso, o desempenho como mandante, tradicionalmente um ponto de apoio em campanhas de recuperação, tem sido um dos principais entraves: são apenas duas vitórias em 16 jogos em casa, o pior retrospecto da competição até aqui.
O total de 30 pontos em 31 rodadas também chama atenção negativamente, igualando uma das campanhas mais fracas do clube nesse estágio do campeonato desde o início do século XX, deixando a situação do Tottenham ainda mais grave do que o imaginado.
Tottenham segue convivendo com diversos problemas
Dentro de campo, as dificuldades vão além dos números, pois a equipe segue apresentado problemas táticos e decisões contestadas, como substituições consideradas incompreensíveis, caso da saída de Micky van de Ven, uma das peças mais confiáveis do sistema defensivo, por opção técnica durante uma partida decisiva. No gol, o momento também é delicado. O goleiro Guglielmo Vicario chegou a ser vaiado pela própria torcida em diferentes jogos, reflexo direto da insegurança defensiva e da instabilidade coletiva.
Com apenas sete rodadas restantes, o cenário é tratado internamente como uma sequência de decisões. O calendário inclui confrontos diretos e jogos de alto nível, nos quais qualquer tropeço pode ser determinante para o destino do clube. A equipe terá pela frente adversários como Brighton, Wolverhampton, Chelsea e Everton, duelos que exigirão um nível de competitividade que o time ainda não conseguiu demonstrar com regularidade.
Tradicional integrante da elite inglesa e presença constante em competições europeias nos últimos anos, o Tottenham vive uma das temporadas mais turbulentas de sua história recente. O risco de rebaixamento, impensável em outros momentos, tornou-se uma possibilidade concreta. Agora, o clube entra na fase final da competição pressionado por resultados imediatos e pela necessidade de reencontrar um mínimo de estabilidade técnica e emocional) para evitar um desfecho histórico negativo.
Tottenham segue enfrentando crise técnica e tática
Por fim, a crise do Tottenham deixou de ser apenas estatística e passou a ser estrutural. O que se observa em campo é um time desconectado entre setores, vulnerável sem a bola e previsível com ela, um conjunto de problemas que ajuda a explicar por que a equipe entrou na zona crítica da tabela.
O principal problema está na fase defensiva. O Tottenham frequentemente se organiza em um 4-2-3-1 sem a bola, mas a execução é falha principalmente por causa do recuo excessivo da linha defensiva sem acompanhamento do meio, além da falta de proteção dos volantes no espaço entre as linhas e dificuldade nas transições rápidas. Na prática, o time concede espaços generosos entre defesa e meio, facilitando a atuação de meias adversários. Não é raro ver o adversário receber livre na intermediária, girar e atacar uma zaga exposta.
Imagem: AFP