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Futebol Premier League

Tottenham vê história se repetir, mas eles vão mesmo brigar pelo rebaixamento?

No meio da temporada 2025/26, o Tottenham enfrenta um enredo desconfortavelmente familiar, que remete de forma quase direta ao que viveu no ano anterior. Mesmo sem histórico recente de envolvimento direto na luta contra o rebaixamento — e carregando no currículo campanhas europeias relevantes e momentos de protagonismo — o clube londrino vê sua trajetória na Premier League assumir contornos alarmantes. De acordo com análise do The Analyst, a posição intermediária na tabela esconde uma realidade inquietante: em diversos momentos, os Spurs parem mais próximos da zona de descenso do que da briga por vagas continentais, reabrindo feridas ainda recentes da última temporada.

A analogia com o passado não surge por acaso. Há exatamente um ano, as mesmas discussões tomavam conta do noticiário inglês, levantando a possibilidade — até então impensável — de o Tottenham cair para a Championship. Agora, o cenário volta a se repetir. Lesões que afastaram titulares importantes e um rendimento doméstico irregular ampliam a apreensão. Embora o clube ainda esteja fora da zona de rebaixamento, a distância em relação ao 18.º colocado é apenas razoável — e, considerando o nível de competitividade da atual Premier League, a ameaça de lutar contra a queda é mais concreta do que muitos gostariam de admitir.

Os números ajudam a explicar esse clima de incerteza. O Tottenham ainda precisa somar 12 pontos para alcançar a simbólica marca dos 40, geralmente associada à permanência na elite, restando apenas 15 rodadas. Mantido o ritmo recente — com apenas 14 pontos conquistados nos últimos 15 jogos — o time chegaria a aproximadamente 42 pontos ao final da temporada. Um total teoricamente suficiente, mas longe de transmitir tranquilidade. Parte desse problema passa pela falta de consistência coletiva: derrotas inesperadas para equipes da parte baixa da tabela, dificuldade em sustentar vantagens no placar e uma sequência negativa como mandante minaram a confiança do grupo.

A situação em casa é especialmente preocupante. O Tottenham apresenta um dos piores desempenhos como anfitrião na liga, com apenas uma vitória nos últimos dez jogos diante de sua torcida, um dado que ilustra o quão distante a equipe está de seu melhor nível técnico. Ainda assim, não se pode afirmar que o clube esteja caminhando inevitavelmente rumo ao rebaixamento. As projeções do Opta Supercomputer indicam uma probabilidade relativamente baixa de queda, em torno de 1,64%, posicionando os Spurs como azarões nesse cenário extremo.

Esse percentual, porém, não apaga o principal traço da temporada: a instabilidade. O Tottenham vive uma contradição evidente: experiente e competitivo no cenário europeu, mas frágil e desorganizado no campeonato nacional. Enquanto consegue exibir momentos de qualidade em torneios continentais, avançando fases e mantendo viva a esperança de títulos, a aproximação gradual da zona de rebaixamento da Premier League deixa claro que a tão buscada estabilidade ainda está distante.

A repetição dessa narrativa serve como alerta. O Tottenham de 2025/26 escancara a dualidade entre a grandeza histórica do clube e sua vulnerabilidade atual — um contexto que coloca em xeque não apenas sua posição matemática na tabela da Premier League, mas também a confiança da torcida e a gestão das prioridades ao longo da temporada. O próximo compromisso dos Spurs será decisivo: confronto contra o Eintracht Frankfurt nesta quarta-feira (28), às 17h (horário de Brasília), pela última rodada da fase de liga da UEFA Champions League, com a missão clara de garantir vaga direta nas oitavas de final.

Foto: AFP/Getty Images

Tottenham vê ameaça de rebaixamento crescer e aposta na Champions League para salvar a temporada

Tradicional integrante do chamado “Big Six” do futebol inglês, o Tottenham atravessa uma temporada 2025/26 marcada por contrastes profundos. De um lado, enfrenta sérias dificuldades na Premier League; do outro, protagoniza uma campanha animadora na UEFA Champions League. Essa disparidade não apenas ressuscitou o improvável fantasma do rebaixamento, como também transformou o torneio continental na principal fonte de esperança para uma redenção esportiva.

No cenário doméstico, os Spurs flertam perigosamente com a parte inferior da tabela, apresentando um rendimento aquém do esperado para um clube de seu porte. A irregularidade nas últimas rodadas expôs fragilidades estruturais que, se persistirem, podem empurrar o time para uma disputa direta com equipes ameaçadas de descenso. Simulações estatísticas indicam que, embora o Tottenham ainda esteja fora do risco imediato, a proximidade com adversários tradicionalmente mais fracos e o baixo aproveitamento recente reduziram significativamente sua margem de segurança — reacendendo lembranças da tensão vivida na temporada passada, quando a permanência só foi confirmada nas rodadas finais.

Entre os fatores que explicam essa crise estão as lesões em sequência que atingiram jogadores-chave e decisões pouco eficientes no mercado de transferências, resultando em um elenco desequilibrado, especialmente em profundidade. Soma-se a isso a dificuldade recorrente em transformar posse de bola em resultados concretos contra adversários teoricamente inferiores, o que custou pontos preciosos ao longo da campanha.

Em contraste, a trajetória na Champions League desenha uma história quase oposta. Inserido em um grupo competitivo, o Tottenham comandado por Thomas Frank conquistou vitórias relevantes e se mantém entre os destaques da fase de liga, com atuações sólidas — incluindo um triunfo expressivo sobre o Borussia Dortmund. Esse desempenho europeu aliviou a pressão sobre o treinador e reacendeu o entusiasmo de uma torcida carente de respostas positivas após tantos tropeços internos.

Mais do que prestígio esportivo, a Champions representa uma tábua de salvação. As receitas financeiras provenientes da competição, somadas à valorização da imagem do clube, oferecem fôlego em um momento delicado. Além disso, campanhas europeias bem-sucedidas já provaram, em outras temporadas, ser catalisadoras de reações positivas também no cenário doméstico — e essa é a aposta atual dos Spurs.

No fim, o drama do Tottenham em 2025/26 reflete a complexidade do futebol moderno: um clube capaz de inspirar esperança em uma frente e gerar apreensão em outra. Enquanto o risco de rebaixamento mobiliza torcedores e analistas, a possibilidade de uma campanha sólida na Champions League mantém viva a expectativa de que uma temporada turbulenta possa ser redimida por noites europeias memoráveis.

Foto: Getty Images

Tottenham não engrena sob Thomas Frank e sofre na Premier League

Sob o comando de Thomas Frank, o Tottenham vive uma campanha marcada por contrastes e frustrações. Embora haja sinais pontuais de evolução, a equipe ainda não encontrou consistência na Premier League, evidenciando que a filosofia do treinador dinamarquês não se traduziu, até agora, em resultados sólidos. A produção de pontos é baixa, o rendimento ofensivo decepciona e a paciência da torcida se esgota diante de expectativas não correspondidas após a saída de Ange Postecoglou.

Os dados ajudam a dimensionar o problema. O Tottenham registra uma das piores médias ofensivas da competição, com apenas 9,9 finalizações por jogo — o número mais baixo desde a temporada 1997/98. O estilo de jogo adotado tem gerado poucas chances claras, refletindo não só a escassez de criatividade, mas também a incapacidade de converter posse em perigo real ao adversário.

Taticamente, Frank tenta implementar um modelo que combine solidez defensiva e transições rápidas, mas a execução tem sido inconsistente. A equipe encontra dificuldades para progredir no campo, recorre excessivamente a bolas paradas e depende de ações individuais improvisadas. O resultado é um desempenho decepcionante: apenas duas vitórias nas últimas 13 partidas da liga, um retrospecto muito aquém das ambições do clube.

Os problemas não se limitam às estatísticas. O fraco desempenho em casa — onde o Tottenham apresenta uma das piores médias de pontos — e a ausência de uma identidade clara alimentam a insatisfação dos torcedores. Em diversos jogos, a postura passiva em momentos decisivos transformou vantagens em empates ou derrotas, culminando em vaias e protestos direcionados à comissão técnica.

As lesões agravaram ainda mais o cenário. Nomes importantes como Dominic Solanke, Lucas Bergvall e James Maddison ficaram afastados por longos períodos, comprometendo a continuidade do trabalho e forçando mudanças constantes na escalação. Essa instabilidade prejudicou a construção de entrosamento e atrasou a consolidação de um modelo de jogo coeso.

Além disso, a comparação com temporadas anteriores pesa. Apesar de ter chegado com o discurso de maior organização e disciplina, Frank ainda não conseguiu traduzir essa promessa em regularidade dentro de campo. Mesmo com investimentos relevantes em reforços, o Tottenham segue demonstrando confusão tática em momentos-chave, desperdiçando o potencial ofensivo disponível.

Por fim, a disputa simultânea em várias frentes — especialmente na Champions League — pode estar drenando foco e energia de um elenco que ainda busca equilíbrio. Enquanto o torneio europeu oferece lampejos de qualidade, a Premier League expõe as fragilidades de um projeto em construção. Em síntese, a dificuldade do Tottenham em decolar sob Thomas Frank é fruto de uma combinação de ineficiência ofensiva, falta de consistência tática, desgaste físico e pressão psicológica — um cenário que mantém o clube distante do patamar que sua história e torcida exigem.

(Foto: Getty Images)