Quando Alexander Isak trocou o Newcastle pelo Liverpool por 125 milhões de libras no início da temporada 2025-26, a expectativa era de que o negócio marcasse o início de uma nova era para os Reds. O atacante sueco chegava como a contratação mais cara da história da Premier League e como um dos centroavantes mais completos do futebol europeu.
Ao mesmo tempo, o Newcastle perdia o principal jogador de seu projeto esportivo, mas acreditava que os recursos obtidos com a venda seriam suficientes para reconstruir a equipe. Poucos meses depois, porém, o cenário foi muito diferente do esperado.
O Liverpool fracassou na defesa do título inglês, terminou apenas na quinta colocação da Premier League e viu Arne Slot perder o cargo. Já o Newcastle caiu para a 12ª posição e encontrou enormes dificuldades para substituir o jogador que havia sido o centro de seu sistema ofensivo nos anos anteriores.
No fim das contas, a negociação que parecia beneficiar os dois lados acabou gerando problemas para ambos os clubes.
O Liverpool apostou tudo em Isak, mas as lesões mudaram o roteiro

A chegada de Isak fez parte de uma das janelas de transferências mais ambiciosas da história recente do Liverpool. Além do sueco, o clube contratou Florian Wirtz, Hugo Ekitike, Jeremie Frimpong, Milos Kerkez e outros nomes importantes.
A expectativa era de que o elenco se fortalecesse ainda mais após a conquista da Premier League. Muitos analistas chegaram a apontar o Liverpool como favorito para repetir o título e brigar pela Liga dos Campeões.
Mas a temporada rapidamente tomou um rumo inesperado.
Isak sofreu uma grave fratura no tornozelo e na fíbula em dezembro, ficando afastado durante boa parte da campanha. Ao todo, participou de apenas 21% dos minutos do Liverpool na Premier League.
O impacto foi enorme. O atacante marcou apenas quatro gols durante toda a temporada, seu pior desempenho desde os tempos de Borussia Dortmund, em 2017-18.
Os números ajudam a explicar por que sua ausência foi tão sentida. Em seu último ano no Newcastle, Isak havia marcado 18 gols na Premier League mesmo recebendo apenas 36 grandes chances de gol. Isso demonstra uma eficiência acima da média na finalização.
No Liverpool, porém, as lesões impediram qualquer sequência. Além disso, quando esteve em campo, muitas vezes participou pouco do jogo. Um exemplo citado foi o confronto contra o PSG pelas quartas de final da Liga dos Campeões, quando tocou na bola apenas cinco vezes durante os 45 minutos em que atuou.
O resultado foi uma equipe que jamais conseguiu encontrar o equilíbrio esperado e terminou a temporada muito distante das expectativas criadas no início do ano.
O Newcastle perdeu muito mais do que um artilheiro

Se o Liverpool sofreu pela ausência de Isak, o Newcastle sofreu pela sua saída.
O sueco era muito mais do que o principal goleador da equipe. Todo o modelo ofensivo construído por Eddie Howe girava ao redor de suas características.
Na temporada 2024-25, Isak marcou 27 gols em todas as competições e foi decisivo na conquista da Copa da Liga Inglesa. Foi dele o gol da vitória na final contra o próprio Liverpool, encerrando um jejum de 70 anos sem títulos nacionais de grande relevância para o clube.
Além disso, ajudou o Newcastle a garantir uma vaga na Liga dos Campeões, consolidando o crescimento do projeto esportivo.
Por isso, a venda representou uma mudança estrutural.
O próprio Eddie Howe admitiu posteriormente que a saída do atacante marcou o fim de uma versão específica do Newcastle. Segundo o treinador, não existe outro jogador com características semelhantes às de Isak no futebol mundial.
A declaração pode parecer exagerada à primeira vista, mas encontra respaldo nos números.
O Newcastle tinha a terceira melhor taxa de conversão de grandes chances da Premier League em 2024-25, transformando 41,1% dessas oportunidades em gols.
Sem Isak, a eficiência despencou.
Na temporada seguinte, a equipe criou 90 grandes chances, mas converteu apenas 31 delas. O aproveitamento caiu para 34,4%, tornando-se o quinto pior da competição.
Pode parecer uma diferença pequena, mas em uma liga tão equilibrada cada oportunidade desperdiçada faz enorme diferença.
Uma temporada definida por detalhes
A queda de rendimento ofensivo teve consequências diretas.
O Newcastle terminou a temporada como a equipe que mais desperdiçou pontos após estar em vantagem no placar, deixando escapar 27 pontos ao longo da competição.
A dificuldade para transformar chances em gols também dificultou a administração das partidas. Muitas vezes a equipe criava oportunidades suficientes para ampliar a vantagem, mas não conseguia matar os jogos.
Quando sofria o empate, frequentemente encontrava problemas para reagir.
Eddie Howe tentou diversas soluções ao longo da temporada. Nick Woltemade, Yoane Wissa e William Osula receberam oportunidades no comando do ataque, mas nenhum deles conseguiu reproduzir o impacto do sueco.
Enquanto isso, o Liverpool também não conseguiu aproveitar o investimento recorde realizado para contratá-lo.
O desafio agora é provar que tudo foi uma exceção

Apesar dos problemas, existe otimismo nos dois clubes.
No Liverpool, a diretoria acredita que a temporada foi um caso isolado. A avaliação interna é de que as lesões impediram Isak de mostrar seu verdadeiro potencial e que um atacante de seu nível inevitavelmente voltará a produzir quando recuperar ritmo e confiança.
O golaço marcado recentemente pela seleção da Suécia reforça essa percepção.
Já no Newcastle, a prioridade passa por consolidar uma nova identidade coletiva. O clube entende que substituir diretamente Isak é praticamente impossível, mas acredita que uma reconstrução inteligente pode devolver a competitividade da equipe.
A temporada 2025-26 mostrou como a saída de um único jogador pode alterar completamente o destino de dois clubes. O Liverpool apostou que Isak seria a peça final para construir uma equipe dominante. O Newcastle acreditou que conseguiria absorver sua perda sem grandes impactos.
Nenhuma das duas previsões se confirmou. Agora, tanto o atacante quanto os dois clubes entram em 2026-27 tentando provar que os problemas do último ano foram apenas um capítulo isolado e não o início de uma crise mais profunda.
(Foto de capa: Divulgação/Liverpool)



