A temporada 2025-26 do futebol europeu ficou marcada não apenas por títulos e campanhas surpreendentes, mas principalmente pelo impacto de treinadores que conseguiram transformar completamente o nível competitivo de suas equipes. Entre reconstruções históricas, trabalhos inesperados e clubes alcançando feitos improváveis, vários técnicos acabaram sendo protagonistas diretos de alguns dos momentos mais marcantes do ano no futebol europeu.
Alguns devolveram gigantes ao topo. Outros desafiaram equipes muito mais ricas financeiramente. Também houve espaço para jovens treinadores começando a ganhar protagonismo continental e para nomes experientes reforçando ainda mais seu legado.
Mikel Arteta recolocou o Arsenal entre os gigantes da Europa

Depois de anos de frustrações e reconstrução, Mikel Arteta finalmente conseguiu levar o Arsenal novamente ao topo da Premier League. O título encerrou um jejum de 22 anos sem conquistas inglesas para os Gunners e coroou um projeto que começou ainda em 2019.
Mais do que apenas ganhar o campeonato, Arteta mudou completamente o ambiente do clube. Quando assumiu o Arsenal, a equipe vivia um cenário de instabilidade esportiva, críticas internas e perda de identidade competitiva.
A evolução aconteceu gradualmente. Primeiro vieram as classificações para competições europeias. Depois a transformação em candidato real ao título inglês. Agora, finalmente, o troféu da Premier League.
Além disso, o treinador espanhol também devolveu o Arsenal ao protagonismo europeu. O clube voltou a disputar fases decisivas da Champions League após muitos anos longe da elite continental e ainda disputará a final da competição neste sábado (30) diante do PSG.
Unai Emery transformou o Aston Villa em potência competitiva

Poucos trabalhos na Europa foram tão impactantes nos últimos anos quanto o de Unai Emery no Aston Villa.
Quando assumiu o clube em 2022, o Villa ocupava apenas a 17ª colocação da Premier League e vivia cenário extremamente preocupante. Três temporadas depois, a realidade é completamente diferente.
Nesta temporada, Emery levou o Aston Villa ao título da Europa League e ainda garantiu vaga entre os quatro primeiros colocados da Premier League.
O mais impressionante talvez seja o contexto financeiro. Enquanto diversos rivais investiram cifras gigantescas no mercado, o Aston Villa precisou trabalhar dentro de limitações econômicas consideráveis.
Mesmo assim, o treinador espanhol conseguiu transformar a equipe em uma das mais competitivas da Inglaterra.
Iraola fez campanha histórica na Premier League

Se existia alguma dúvida sobre o nível de Andoni Iraola antes desta temporada, ela praticamente desapareceu em 2025-26.
O treinador espanhol levou o Bournemouth à primeira classificação europeia da história do clube mesmo convivendo com perdas importantes ao longo da temporada.
Jogadores como Illia Zabarnyi, Dean Huijsen, Milos Kerkez e Antoine Semenyo deixaram o elenco, mas ainda assim o Bournemouth terminou a Premier League na sexta colocação, apenas três pontos atrás da zona de Champions League.
A campanha ganhou ainda mais força graças a uma sequência impressionante de 18 jogos sem derrota no campeonato inglês.
Outro ponto importante foi o desenvolvimento de jovens jogadores. Eli Junior Kroupi e Rayan, ambos de 19 anos, terminaram a temporada como algumas das maiores promessas do elenco.
Regis Le Bris encerrou jejum histórico do Sunderland

Talvez nenhuma campanha tenha surpreendido tanto na Europa quanto a do Sunderland.
Recém promovido à Premier League, o clube inglês terminou o campeonato na sétima colocação e garantiu vaga na próxima Europa League.
O feito ganha proporção ainda maior quando se observa o histórico recente do clube. O Sunderland voltou a disputar uma competição europeia pela primeira vez desde 1973, encerrando um jejum continental de mais de 50 anos.
Além disso, Regis Le Bris precisou reformular praticamente todo o elenco após o acesso. Foram 15 contratações para a temporada, mas o treinador conseguiu rapidamente criar um grupo competitivo e extremamente organizado.
Luis Enrique voltou a colocar o PSG no topo europeu

Luis Enrique voltou a confirmar seu status como um dos grandes treinadores do futebol europeu atual. O espanhol conquistou mais um título francês e levou o PSG novamente até a final da Champions League, algo que o clube jamais havia conseguido em temporadas consecutivas.
O trabalho ganha ainda mais peso pelo contexto vivido pelo Paris Saint-Germain nos últimos anos. Depois de temporadas marcadas por enorme pressão e frustrações europeias mesmo com investimentos gigantescos, Luis Enrique conseguiu transformar o PSG em uma equipe muito mais coletiva e competitiva.
A campanha europeia ficou marcada principalmente pela semifinal histórica contra o Bayern de Munique. A vitória por 5 a 4 no confronto de ida foi tratada por muitos torcedores e analistas como uma das maiores semifinais da história recente da Champions League pela intensidade ofensiva e pelo nível técnico apresentado pelas duas equipes.
Outro ponto importante foi a forma como Luis Enrique conseguiu lidar com a pressão constante em torno do PSG. Em temporadas anteriores, o clube costumava demonstrar enorme instabilidade emocional em jogos decisivos da Champions. Desta vez, a equipe mostrou maior maturidade competitiva durante o mata mata europeu.
Independentemente do resultado da final contra o Arsenal, a temporada reforçou ainda mais a imagem de Luis Enrique como um treinador capaz de montar equipes extremamente competitivas tanto no cenário nacional quanto europeu.
Pierre Sage levou o Lens a conquista da Copa da França

Pierre Sage talvez represente um dos trabalhos mais eficientes da temporada europeia.
Mesmo enfrentando um PSG extremamente forte, o treinador conseguiu manter o Lens competitivo durante grande parte da Ligue 1 e terminou apenas seis pontos atrás da equipe parisiense.
Mas o grande momento da temporada aconteceu na Copa da França.
O Lens conquistou o primeiro título do torneio em sua história após vencer o Nice por 3 a 1 na decisão.
Para uma primeira temporada no comando da equipe, o trabalho de Sage superou praticamente todas as expectativas possíveis.
Vincent Kompany recuperou domínio do Bayern

Vincent Kompany chegou ao Bayern cercado por desconfiança, principalmente pela pouca experiência em clubes do mais alto nível europeu.
Mas a resposta dentro de campo foi extremamente forte.
O treinador conduziu o clube ao título da Bundesliga e também da Copa da Alemanha, recuperando parte do domínio nacional do Bayern.
Além disso, ajudou a montar um dos ataques mais produtivos da Europa. Michael Olise, Harry Kane e Luis Díaz ultrapassaram juntos a marca de 100 gols na temporada.
Outro ponto muito elogiado foi sua gestão interna dentro do Bayern, clube historicamente conhecido pela pressão e pela complexidade política nos bastidores.
Julian Schuster manteve o Freiburg competitivo após saída histórica

Substituir Christian Streich parecia uma das tarefas mais difíceis do futebol alemão recente. O ex treinador havia se transformado no maior nome da história do Freiburg após mais de uma década no comando do clube, criando uma identidade extremamente forte dentro e fora de campo.
Mesmo diante desse cenário de enorme pressão, Julian Schuster conseguiu não apenas manter o Freiburg competitivo, mas também elevar o nível europeu da equipe em sua primeira temporada completa no comando.
O treinador levou o clube até a final da Europa League logo em sua primeira campanha continental como técnico principal, algo extremamente raro para equipes do porte do Freiburg dentro do futebol europeu. Embora o título não tenha vindo após a derrota para o Aston Villa, a campanha aumentou ainda mais o respeito continental pelo clube alemão.
Além disso, Schuster ainda conseguiu garantir vaga na próxima Conference League ao terminar a Bundesliga na sétima colocação, mantendo o Freiburg novamente presente em competições europeias.
Cesc Fàbregas colocou o Como na Champions League

O trabalho de Cesc Fàbregas no comando do Como foi uma das maiores surpresas positivas do futebol europeu nesta temporada. Em poucos anos, o clube italiano saiu de um cenário distante da elite para conquistar uma vaga histórica na próxima Champions League.
E o mais impressionante talvez tenha sido o contexto da campanha.
Mesmo possuindo um elenco muito menos badalado do que gigantes tradicionais da Serie A, o Como conseguiu superar equipes como Milan e Juventus na reta final do campeonato italiano para garantir a classificação continental.
Além dos resultados, o time chamou atenção pela personalidade dentro de campo. O Como apresentou um futebol ofensivo, corajoso e tecnicamente muito organizado, características que rapidamente passaram a ser associadas ao estilo de Fàbregas como treinador.
Outro ponto extremamente elogiado durante a temporada foi a evolução de jovens jogadores sob comando do espanhol. Nico Paz viveu talvez o melhor momento da carreira até aqui, enquanto nomes como Jacobo Ramón, Jesús Rodríguez e Martin Baturina cresceram bastante tecnicamente ao longo do ano.
Essa capacidade de desenvolver atletas jovens acabou aumentando ainda mais o prestígio de Fàbregas dentro do futebol europeu, principalmente porque muitos desses jogadores passaram a despertar interesse de clubes maiores após a temporada.
Além da vaga histórica na Champions League, o Como também chegou até as semifinais da Copa da Itália, reforçando ainda mais a sensação de que o clube deixou de ser apenas uma surpresa pontual para se transformar em um projeto realmente competitivo no futebol italiano.
Para alguém em início de carreira como treinador, a temporada serviu como uma enorme confirmação do potencial de Fàbregas à beira do campo.
Iñigo Pérez levou o Rayo Vallecano a primeira final europeia

Fechando a lista aparece Iñigo Pérez, responsável por uma das campanhas mais marcantes da história recente do Rayo Vallecano.
O treinador conseguiu levar o clube até a final da Conference League, não ganhou a taça, mas foi algo extremamente raro para equipes do porte do Rayo dentro do futebol espanhol.
Além da campanha continental, o time também terminou La Liga na oitava colocação e encerrou a temporada vivendo sequência de nove jogos sem derrota.
O trabalho ganhou ainda mais reconhecimento após o Rayo conseguir empates contra Barcelona e Real Madrid atuando em casa, reforçando a competitividade construída pela equipe ao longo do ano.
(Foto de capa: Jean Catuffe / Getty Images Sport / Getty)



