Tunísia Copa do Mundo
Futebol Copa do Mundo

A Tunísia da Copa do Mundo: como joga, principais jogadores e análise das Águias do Cartago

A Tunísia desembarca na Copa do Mundo de 2026 carregando um objetivo que persegue há décadas: ultrapassar pela primeira vez a fase de grupos do torneio. Presente em sete edições do Mundial, a seleção africana construiu uma reputação de equipe competitiva, organizada e difícil de ser batida, mas jamais conseguiu transformar essa consistência em uma campanha realmente histórica. Agora, após um ciclo marcado por estabilidade, renovação gradual e uma campanha impecável nas Eliminatórias, os tunisianos acreditam ter encontrado a combinação necessária para finalmente dar esse passo.

O desafio não será simples. Inserida em um grupo equilibrado ao lado de Países Baixos, Japão e Suécia, a Tunísia sabe que não possui o talento individual dos favoritos, mas aposta justamente em sua principal virtude: o coletivo. Sob o comando de Sabri Lamouchi, a equipe chega aos Estados Unidos, Canadá e México com uma das defesas mais sólidas entre todas as seleções classificadas e a esperança de que a disciplina tática possa compensar a diferença técnica para adversários mais badalados.

Como joga a Tunísia?

Sabri Lamouchi Tunísia
Sabri Lamouchi manteve o padrão tático da seleção tunisiana para a Copa do Mundo (Foto: Getty Images)

A identidade da Tunísia está longe do futebol ofensivo e dominante que caracteriza algumas das principais seleções do torneio. A equipe de Sabri Lamouchi prioriza organização, compactação e controle dos espaços. Na maior parte do tempo, os tunisianos atuam em um 4-3-3 que pode se transformar em um 4-2-3-1 sem a posse de bola, com linhas muito próximas e um bloco defensivo difícil de ser desmontado.

O principal objetivo é reduzir o espaço entre defesa e meio-campo. A Tunísia raramente pressiona de forma agressiva no campo adversário. Em vez disso, prefere esperar o erro do rival, fechar linhas de passe e recuperar a bola em zonas estratégicas para acelerar os contra-ataques. É um modelo que exige disciplina coletiva e grande comprometimento físico dos jogadores, características que se tornaram marcas registradas da seleção ao longo do ciclo.

As transições ofensivas representam a principal arma da equipe. Quando recupera a posse, a Tunísia procura atacar rapidamente pelos lados do campo, explorando a velocidade dos pontas e a chegada dos laterais. As bolas paradas também ocupam papel importante no repertório ofensivo, especialmente diante da dificuldade de criar muitas oportunidades em ataques posicionais.

Os números das Eliminatórias ajudam a explicar o sucesso desse modelo. A Tunísia terminou sua campanha sem sofrer um único gol. Foram dez partidas, nove vitórias e um empate, desempenho que transformou a defesa tunisiana em uma das mais eficientes de todo o processo classificatório mundial. O problema é que essa mesma organização defensiva nem sempre se traduz em produção ofensiva consistente, especialmente quando a equipe enfrenta adversários que entregam a posse de bola e obrigam os africanos a propor o jogo.

Mesmo com a mudança de treinador no começo do ano, o que se viu foi uma Tunísia que continua com o seu estilo de jogo agressivo que pode complicar a vida dos principais favoritos.

Principais jogadores e estrelas

Hannibal Mejbri Tunísia
Hannibal Mejbri é a principal esperança ofensiva da Tunísia (Foto: Getty Images)

Embora não conte com nomes do primeiro escalão do futebol mundial, a Tunísia possui atletas experientes atuando nas principais ligas europeias. O principal deles é Ellyes Skhiri, volante do Eintracht Frankfurt e verdadeiro cérebro do sistema tunisiano. Responsável por dar equilíbrio ao meio-campo, Skhiri é o jogador que conecta os diferentes setores da equipe, liderando a pressão, protegendo a defesa e iniciando a construção das jogadas.

Outro nome fundamental é Hannibal Mejbri. Revelado pelo Manchester United e atualmente no Burnley, o meia representa a nova geração do futebol tunisiano. Mais criativo do que a maioria dos companheiros, Hannibal oferece intensidade, capacidade de condução e uma dose extra de imprevisibilidade ao setor ofensivo. Grande parte das expectativas de evolução criativa da equipe passa por seus pés.

No ataque, Firas Chaouat chega como uma das principais referências ofensivas. O atacante ganhou espaço durante o ciclo e se consolidou como peça importante dentro da proposta de transições rápidas. Sua movimentação constante e capacidade de atacar espaços serão fundamentais para uma seleção que costuma criar poucas oportunidades por partida.

Além deles, nomes como Ali Abdi, Elias Achouri e Alis Ben Slimane completam uma geração que mistura experiência e juventude. Nenhum deles possui o status de estrela global, mas juntos formam um grupo bastante equilibrado e comprometido com a proposta coletiva da equipe.

Como foi o ciclo para a Copa do Mundo?

A classificação tunisiana para a Copa foi construída de forma praticamente irretocável. Em uma das campanhas mais sólidas das Eliminatórias Africanas, a equipe terminou invicta, sem sofrer gols e demonstrando uma regularidade que poucas seleções conseguiram alcançar.

O ciclo também ficou marcado por uma transição geracional conduzida com cautela. Sabri Lamouchi assumiu em janeiro com a missão de continuar a renovação de parte do elenco sem abrir mão da competitividade. Alguns veteranos perderam espaço, enquanto jogadores mais jovens começaram a assumir responsabilidades maiores dentro da equipe.

Apesar do excelente desempenho classificatório, o período também revelou algumas limitações. Em amistosos e partidas contra seleções de maior nível técnico, a Tunísia demonstrou dificuldades para controlar o jogo com a bola nos pés. A falta de criatividade em ataques posicionais segue sendo uma preocupação para uma equipe que provavelmente precisará propor mais em determinados momentos da Copa.

Ainda assim, o saldo do ciclo foi extremamente positivo. A seleção encontrou uma identidade clara, consolidou um sistema defensivo confiável e chega ao Mundial com confiança elevada graças aos resultados acumulados nos últimos dois anos.

Onde pode chegar?

A grande meta da Tunísia é alcançar algo que nenhuma geração anterior conseguiu: avançar para o mata-mata de uma Copa do Mundo. O formato ampliado do torneio aumenta ligeiramente as possibilidades, mas a missão continua sendo complexa.

A Holanda aparece como favorita do grupo, deixando Japão, Suécia e Tunísia em uma disputa direta pela segunda vaga. É justamente nesse equilíbrio que os tunisianos enxergam sua oportunidade. Poucas seleções fora da elite mundial conseguem manter tamanha consistência defensiva durante tanto tempo, e em torneios curtos essa característica costuma ter enorme valor.

Por outro lado, a equipe precisará encontrar soluções ofensivas que nem sempre apareceram ao longo do ciclo. Em Copas do Mundo, partidas equilibradas costumam ser decididas por detalhes, e a Tunísia não pode depender exclusivamente de sua defesa para avançar.

Se conseguir repetir a organização exibida nas Eliminatórias e encontrar maior eficiência no ataque, a seleção africana tem condições reais de disputar uma vaga no mata-mata. Talvez não seja uma candidata a surpreender profundamente no torneio, mas certamente é uma equipe capaz de transformar qualquer jogo em uma batalha extremamente complicada para seus adversários.

Depois de décadas batendo na trave, a Tunísia chega à Copa de 2026 acreditando que finalmente pode derrubar a barreira que sempre separou a seleção da história. E, para isso, aposta justamente naquilo que sabe fazer melhor: defender, competir e nunca facilitar a vida de ninguém.

Jogos da Tunísia na Copa do Mundo

Grupo F

14/06 – 23h: Suécia x Tunísia (Estádio BBVA – Monterrey)
21/06 – 1h: Tunísia x Japão (Estádio BBVA – Monterrey)
25/06 – 20h: Tunísia x Holanda (Arrowhead Stadium – Kansas City)

(Foto: Paul Ellis/AFP)