A Inter sofreu seu primeiro grande tropeço na Serie A. Depois de vencer na estreia e confirmar as expectativas de candidata ao título, a equipe de Simone Inzaghi foi surpreendida dentro de casa pela Udinese. O time nerazzurro abriu o placar, mas cedeu a virada ainda no primeiro tempo e não conseguiu reagir na etapa final, perdendo por 2 a 1 no Giuseppe Meazza.
O resultado mexe com a tabela ainda em seus primeiros capítulos. A Inter permanece com três pontos, agora ocupando a sexta colocação, enquanto a Udinese chega a quatro, subindo para a quinta posição. Mais do que a diferença mínima entre eles, o jogo mostrou contrastes entre uma equipe pressionada por grandes expectativas e um adversário ousado, que soube punir os erros cometidos.
O jogo
A atmosfera em Milão era de confiança. A torcida lotou o estádio esperando mais uma vitória, e os primeiros minutos deram a impressão de que o roteiro seguiria o padrão. A Inter começou pressionando, avançando suas linhas e explorando a velocidade de Thuram. O domínio foi recompensado aos 17 minutos. Dimarco recebeu pela esquerda, fez cruzamento preciso, e Thuram, em grande forma, dominou com categoria antes de deixar a bola para Dumfries. O lateral, sem marcação e com o gol aberto, finalizou com força e inaugurou o marcador.
A vantagem, no entanto, durou pouco. O lance que mudou o rumo da partida veio aos 29 minutos, quando Dumfries, o herói do primeiro gol, acabou se tornando vilão. Em uma bola alçada na área, o lateral desviou com a mão e o árbitro assinalou pênalti. Davis foi para a cobrança, bateu firme no canto direito e venceu o goleiro Sommer, empatando o duelo.
O empate animou a Udinese, que até então vinha recuada e sofrendo com a pressão interista. E a virada não demorou a acontecer. Aos 40 minutos, a saída de bola da Inter foi mal executada, e Davis recuperou na intermediária, encontrando espaço para armar a jogada. Ele abriu para Atta na esquerda, que avançou com liberdade e bateu colocado no canto, sem chances para Sommer. Silêncio no Giuseppe Meazza: em menos de 15 minutos, a Inter havia transformado uma vitória tranquila em desvantagem no placar.
Na volta para o segundo tempo, o time da casa aumentou a intensidade. Lautaro Martínez passou a se movimentar mais, Thuram tentou romper as linhas e Dimarco apareceu constantemente como válvula de escape. Aos 10 minutos, parecia que o empate finalmente viria. Após cruzamento na área, Bisseck fez o pivô e deixou a bola para Dimarco, que acertou um chute de primeira, indefensável. A comemoração explodiu no estádio, mas foi rapidamente silenciada: o gol foi anulado por irregularidade na origem da jogada.
Depois disso, a Inter continuou em busca do empate, mas esbarrou na boa postura defensiva da Udinese e em sua própria ansiedade. A cada minuto que passava, a equipe de Udine se mostrava mais organizada, apostando em contra-ataques rápidos para segurar a vitória. O apito final confirmou a surpresa da rodada: a Udinese saiu de Milão com três pontos preciosos, enquanto a Inter saiu de campo sob vaias.
Udinese pune uma Inter que se mostra frágil
O jogo no Giuseppe Meazza evidenciou duas faces distintas da Inter de Inzaghi. De um lado, um time que continua mostrando volume ofensivo e capacidade de criação, especialmente pelas laterais. De outro, um conjunto que ainda peca em momentos decisivos e se expõe com falhas defensivas evitáveis. O pênalti cometido por Dumfries e o erro na saída de bola que originou a virada são exemplos claros de desatenções que custam caro em um campeonato longo e competitivo.
A Inter até conseguiu reagir após o intervalo, mas faltou clareza no último passe. Lautaro, referência ofensiva, foi bem marcado e teve pouco espaço. Thuram mostrou movimentação e força física, mas não conseguiu transformar suas jogadas em finalizações. Dimarco foi o mais perigoso, aparecendo tanto no gol anulado quanto em cruzamentos precisos, mas isolado em sua inspiração.
Defensivamente, a equipe deixou lacunas preocupantes. A transição defensiva foi lenta, e a Udinese soube explorar exatamente esses buracos. Davis foi peça central, participando dos dois gols: primeiro, convertendo o pênalti, e depois armando a jogada que resultou na finalização certeira de Atta. A dupla foi responsável por transformar uma equipe que parecia acuada em um time letal.
A Udinese, por sua vez, merece destaque pela maturidade. Não se deixou abater após sofrer o gol inicial e teve frieza para virar o placar ainda no primeiro tempo. A defesa mostrou solidez, com marcação compacta, enquanto o ataque foi eficiente nas poucas oportunidades criadas. Essa combinação é o que explica o resultado: não foi apenas sorte, mas sim competência para aproveitar os erros do adversário e coragem para manter a postura até o fim.
No contexto da Serie A, o resultado não significa que a Inter perdeu o rumo, mas funciona como um alerta. A disputa pelo título promete ser acirrada, com rivais como Milan, Juventus e Napoli mostrando força desde o início. Para não se distanciar cedo demais, a equipe nerazzurra precisa corrigir suas falhas rapidamente e reencontrar a consistência.
Para a Udinese, a vitória tem um valor maior do que os três pontos. É uma afirmação de que o time pode, sim, brigar por posições mais altas na tabela, indo além da luta contra o rebaixamento que tradicionalmente marca sua campanha. Ganhar fora de casa, contra um candidato ao título, dá moral e mostra que a equipe pode incomodar os grandes.
Em resumo, a noite no Giuseppe Meazza mostrou uma Inter vulnerável, que precisa se reinventar para sustentar suas ambições, e uma Udinese ousada, que provou ter armas para surpreender. A temporada apenas começou, mas já deixou claro: não haverá jogos fáceis, nem para os favoritos.



