É um pouco revoltante quando dizem que o Brasil está em decadência no UFC, especialmente quando a memória mais recente de quem faz esse tipo de afirmação remete à época de dominância de Anderson Silva e José Aldo. Essa visão é frustrante porque o Brasil sempre teve uma legião de lutadores no plantel do UFC. Nem todos se tornam campeões, mas a maioria chega a disputar o ouro.
Dito isso, foi uma baita surpresa ver esse card que acontecerá na Austrália recheado de brasileiros que podem se tornar futuros contenders ou até mesmo campeões do evento.
Começando pelo co-main event, temos a habilidosa Tatiana Suarez enfrentando o maior desafio de sua carreira: Zhang Weili, uma das campeãs mais duras que o MMA chinês já produziu.
A campeã tem muitos atributos a seu favor: é experiente, habilidosa tanto na trocação quanto no jogo de chão e já passou por todo tipo de teste. Mas a desafiante traz tamanho combinado com um bom wrestling. Essa luta tem tudo para ser uma das melhores do evento.
O card principal recheado de brasileiros só UFC 312
Abrindo o card principal, Jake Matthews tenta se manter no caminho da vitória, enquanto o rival argentino Francisco Prado busca se recuperar da última derrota. São dois lutadores com bons recursos tanto na trocação quanto no jogo de submissão. Embora não sejam nomes conhecidos pelo grande público, são lutadores que vivem e morrem pela espada.
Jimmy Crute recebeu a ingrata tarefa de enfrentar nosso trator verde e amarelo Rodolfo Bellato em uma luta que promete apenas uma coisa: violência. Dois lutadores que vão trocar socos, chutes e joelhadas. Não tem como não ser empolgante. O brasileiro vive boa fase desde que estreou no evento, conquistando sua vaga pelo Contender Series, e agora busca sua segunda vitória consecutiva. Provavelmente essa luta não chegará até os juízes.
O caldo sempre engrossa quando dois pesos-pesados entram no cage. Tallison Teixeira, ainda invicto, impressionou no Contender Series ao mostrar agilidade e mãos pesadas. Seu oponente, Justin Taffa, tem um cartel irregular, mas nem por isso é menos perigoso. Afinal, nessa categoria, qualquer mão bem encaixada pode mudar o rumo da luta.
E para coroar o evento, a disputa pelo título dos médios promete outra batalha épica no segundo encontro entre Sean “Meio Brasileiro” Strickland e o sul-africano Dricus du Plessis. No primeiro confronto, muitos viram vitória do americano — melhor amigo de Poatan —, mas quem levou a melhor na decisão dividida dos juízes foi Dricus.
Ambos têm estilos pouco ortodoxos e, para alguns, até “feios” de assistir, mas talvez esse seja o charme de seus jogos, pois entregam combates táticos e agressivos ao mesmo tempo. E se engana quem acha que essa luta pode terminar novamente nas mãos dos juízes. Ambos têm um único objetivo: resolver de vez a polêmica do primeiro confronto.
Apesar das reclamações de alguns fãs, esse é um evento que promete alta carga de adrenalina.
Estão prontos? Pois nós estamos!
(Foto: divulgação/UFC)