O UFC 316 já ficou para trás, e é hora de olhar para o futuro. Com atuações decisivas e resultados impactantes, Merab Dvalishvili, Sean O’Malley, Kayla Harrison e Julianna Peña saem do evento com perspectivas distintas, caminhos bem traçados e decisões estratégicas a tomar.
No entanto, o que podemos esperar do futuro das estrelas do evento? Entre superlutas, recomeços e tentativas de consolidar legados, vamos abordar quais devem ser os próximos adversários dos quatro principais lutadores do evento em Nova Jersey.
Dvalishvili tem mais um osso duro de roer pela frente
Merab Dvalishvili, campeão dos pesos-galos, saiu consagrado de sua segunda defesa de título ao vencer Sean O’Malley mais uma vez, agora de forma ainda mais dominante. A finalização no segundo round foi o ponto alto de uma performance que mostrou todas as armas que fazem de Merab uma força quase intransponível: volume ofensivo, pressão incansável, wrestling variado e, cada vez mais, uma trocação em pé que não é mais apenas funcional, mas perigosa. O que impressiona no georgiano é que, apesar de todos saberem como ele vai lutar, ninguém consegue impedir seu ritmo.
Com o cinturão bem defendido e sem adversários imediatos capazes de interromper sua sequência de 13 vitórias consecutivas, a lógica aponta para um próximo desafio claro: Cory Sandhagen. O norte-americano, número 4 do ranking, vem de vitória convincente contra Deiveson Figueiredo e já se credencia como o desafiante natural ao cinturão dos galos.
Sandhagen tem um estilo de movimentação e trocação muito diferente do de O’Malley, e seu domínio técnico no chão também representa um teste mais complexo para Merab. Ainda assim, o favoritismo segue com o campeão, que já manifestou publicamente desejo de lutar mais duas vezes ainda em 2025, o que encaixa perfeitamente na agenda de Sandhagen.
Sean O’Malley vive momento de indefinição
Por outro lado, Sean O’Malley vê sua situação complicar. Derrotado por Dvalishvili pela segunda vez em menos de um ano, o americano enfrenta agora uma bifurcação em sua carreira. Uma terceira luta contra Merab não faz sentido competitivo ou comercial no curto prazo, e o próprio O’Malley parece entender isso. Com o topo da categoria momentaneamente fechado para ele, duas alternativas surgem no horizonte.
A primeira é se manter entre os galos, mas enfrentar alguém abaixo de seu ranking para reconstruir sua posição. Nomes como Song Yadong ou Umar Nurmagomedov são mencionados como potenciais adversários. Ambos representam desafios difíceis, mas possíveis — e trariam a O’Malley a chance de mostrar evolução e maturidade após as derrotas.
A segunda alternativa, e talvez a mais atraente para o lutador e para o UFC, é a mudança para a divisão dos penas. Com sua estatura e alcance, O’Malley já é frequentemente apontado como alguém que poderia competir bem até 66kg. A divisão dos penas oferece um leque de novos desafios e narrativas, além da oportunidade de buscar um novo título no UFC sem a sombra de Dvalishvili.
Kayla Harrison e a luta que todos querem ver
No co-main event, Kayla Harrison protagonizou a performance mais imponente da noite. Com domínio absoluto sobre Julianna Peña, a bicampeã olímpica finalizou a americana com uma kimura no segundo round e conquistou o cinturão dos pesos-galos femininos em apenas sua terceira luta no UFC. Desde que deixou a PFL, Harrison era tratada como um fenômeno físico e técnico. Agora, com o cinturão no ombro, ela confirma as expectativas e já mira o maior desafio possível: Amanda Nunes.
A brasileira, aposentada desde 2023, manifestou recentemente interesse em voltar para um único combate, e Kayla Harrison é a oponente ideal. Ambas bicampeãs em outras organizações, ambas dominantes, ambas com base no grappling. A superluta entre as duas já é ventilada internamente no UFC e tem apoio direto de Dana White.
Seria o maior evento feminino do MMA desde Rousey vs. Holm, e traria não só prestígio, mas uma enorme bilheteria. Harrison parece pronta, e Amanda, mesmo afastada, ainda é o nome mais temido da história da organização. A luta deve ser marcada ainda para 2025.
Ainda com moral no UFC, Peña deve retornar forte
Já Julianna Peña, embora derrotada, segue viva na disputa. Seu nome ainda tem peso e a competitividade mostrada até a finalização contra Harrison garantiu o respeito do UFC. O plano para a ex-campeã parece já traçado: enfrentar a brasileira Norma Dumont em um title eliminator.
Dumont vem de boas vitórias e representa um desafio físico e técnico considerável. Para Peña, trata-se de uma chance de reabilitação. Para Dumont, é o maior teste de sua carreira. A vencedora provavelmente será a próxima desafiante ao cinturão, muito provavelmente contra Harrison, já que é difícil pensar que Amanda continuará no UFC para fazer uma defesa de título se vencer.
(Foto: Getty Images)