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UFC da Casa Branca não é caso isolado: relembre os cenários mais malucos da história do MMA

Quando Dana White anunciou que o UFC realizaria um evento na Casa Branca, muita gente pensou que era brincadeira. Afinal, o UFC já passou por cassinos, arenas, ginásios e até ilhas durante a pandemia, mas promover lutas no gramado de um dos edifícios mais famosos do mundo parecia algo saído de um videogame.

Mas o UFC Freedom 250 é real. Neste domingo, o octógono do UFC será montado na Casa Branca, transformando o local em um palco improvável para alguns dos melhores lutadores do planeta. E por mais impressionante que pareça, essa não é a primeira vez que o MMA escolhe um cenário capaz de deixar qualquer fã perguntando: “Como alguém teve essa ideia?”.

Ao longo dos anos, organizações espalhadas pelo mundo encontraram maneiras criativas e algumas vezes completamente malucas de apresentar seus eventos. De mansões luxuosas a anfiteatros romanos, passando por arranha-céus, autódromos e até navios de guerra, o esporte coleciona locais que muitas vezes pareciam mais fases secretas de Street Fighter do que arenas esportivas.

Casa Branca promete entrar para a história do UFC

Antes de relembrar os exemplos mais curiosos, vale destacar a dimensão do desafio que o UFC assumiu para tirar o Freedom 250 do papel.

O responsável por transformar o projeto em realidade é Craig Borsari, produtor executivo da organização e um dos homens de maior confiança de Dana White. O dirigente foi enviado para Washington semanas antes do evento para coordenar cada detalhe da operação.

Segundo White, uma gigantesca estrutura metálica foi construída especialmente para o card. O objetivo é permitir que o público tenha uma visão privilegiada da Casa Branca e também do Lincoln Memorial durante as lutas.

Além da estrutura impressionante, a organização precisou lidar com outro fator imprevisível: o clima. Como o UFC Freedom 250 será realizado ao ar livre, meteorologistas acompanham as condições em tempo real para evitar surpresas de última hora.

O investimento para tirar tudo do papel também chama atenção. Estima-se que o UFC tenha gasto cerca de 60 milhões de dólares na produção do espetáculo, um valor que reforça o tamanho da aposta da empresa. É um número que ajuda a explicar por que o evento já é tratado como um dos mais ambiciosos da história da organização.

Mas se existe uma modalidade acostumada a quebrar padrões, essa modalidade é o MMA.

Quando o Strikeforce levou o MMA para a Mansão Playboy

Muito antes da Casa Branca entrar na conversa, outro endereço famoso dos Estados Unidos já havia recebido um evento de lutas.

Em 2007 e 2008, o Strikeforce promoveu cards dentro da lendária Mansão Playboy, residência que durante décadas foi símbolo da cultura pop norte-americana.

A ideia parecia tão improvável quanto soa hoje. Lutadores profissionais dividindo espaço com um dos locais mais icônicos do entretenimento mundial.

Apesar do cenário chamativo, quem assistia pela televisão nem sempre percebia a dimensão do local. A transmissão mostrava ocasionalmente as famosas coelhinhas da Playboy circulando pelo ambiente, mas o principal indicativo de onde o evento acontecia era o logotipo estampado no cage.

Na edição de 2007, dois nomes conhecidos dos fãs atuais saíram com vitória: Jorge Masvidal e Gilbert Burns.

Um anfiteatro romano virou palco de MMA

Se a Mansão Playboy parece um cenário diferente, o próximo exemplo leva a discussão para outro nível.

A organização croata FNC transformou o histórico Anfiteatro de Pula em palco para seus eventos.

Construída entre 27 a.C. e 68 d.C., a arena romana é uma das estruturas antigas mais preservadas do mundo. O local já recebeu gladiadores há quase dois mil anos e, de certa forma, voltou a receber guerreiros modernos.

Durante os eventos, as enormes paredes de pedra permanecem visíveis ao fundo enquanto os lutadores se enfrentam. Para aumentar ainda mais o espetáculo, efeitos de fogo iluminam a construção durante momentos específicos do card.

O resultado é uma atmosfera cinematográfica que faz qualquer fã imaginar que está assistindo a uma batalha épica.

Um octógono no topo de um arranha-céu

Se existe algo que lembra videogame de luta, é um combate acontecendo no topo de um prédio com uma cidade inteira ao fundo.

Foi exatamente isso que a Æternum Fight League proporcionou recentemente na Cidade do México.

A organização realizou seu primeiro evento no topo do World Trade Center da capital mexicana, utilizando uma plataforma instalada no 46º andar do edifício. Segundo os promotores, tratou-se do evento realizado na maior altitude da história do MMA.

À medida que a noite avançava e as luzes da cidade tomavam conta do horizonte, a estrutura parecia literalmente flutuar sobre a metrópole. Um visual que faria qualquer cenário clássico de videogame parecer modesto.

Times Square virou arena de luta

Nova York também entrou para a lista dos locais improváveis. Após o boxe utilizar a Times Square como palco para um evento da Riyadh Season, a organização Victory Fight League resolveu levar o MMA para o coração comercial de Manhattan.

A movimentação intensa, os telões gigantes e o fluxo constante de turistas criaram um ambiente completamente diferente do que os fãs estão acostumados a ver.

Embora o evento tenha acontecido longe dos holofotes das grandes organizações, muitos consideraram que ele aproveitou melhor a energia caótica da Times Square do que algumas atrações de boxe realizadas anteriormente.

Autódromos, fossos e até navios de guerra

A criatividade do MMA não parou por aí. Em 2017, a PFL realizou um evento dentro do Daytona International Speedway, palco da tradicional Daytona 500, uma das corridas mais importantes do automobilismo norte-americano.

Já a organização japonesa Ganryujima chamou atenção ao apresentar um cenário que parecia cercado por água. O visual criava a impressão de que os lutadores estavam competindo sobre um fosso medieval.

Mais tarde, descobriu-se que tudo era uma ilusão criada por efeitos visuais e fumaça. Ainda assim, a imagem ficou marcada como uma das mais curiosas já vistas em um evento de combate.

Por fim, um dos exemplos mais inusitados aconteceu em 2015, quando a organização KOP promoveu um card a bordo do USS LST 393, um navio de guerra histórico atracado em Michigan.

Sim, o MMA realmente conseguiu colocar um cage em um navio militar.

UFC Freedom 250 eleva a aposta

O esporte já visitou mansões, monumentos históricos, arranha-céus, autódromos e embarcações militares. Ainda assim, a Casa Branca ocupa uma categoria própria dentro da história do UFC.

Independentemente da opinião dos fãs sobre o evento, o UFC Freedom 250 já garantiu um lugar na história do UFC. Não apenas pela importância política e simbólica do local, mas porque reforça uma característica que acompanha o UFC desde seus primeiros anos: a capacidade de transformar praticamente qualquer espaço em um palco para grandes combates.

O UFC ajudou a popularizar eventos em locais cada vez mais diferentes ao longo das últimas décadas, e a Casa Branca representa mais um capítulo dessa trajetória. Se o objetivo era criar uma imagem inesquecível para os fãs, missão cumprida.

E convenhamos: depois de ver lutas em anfiteatros romanos, coberturas de prédios e navios de guerra, talvez fosse apenas questão de tempo até o UFC levar seu octógono para um dos endereços mais famosos do planeta.