Deiveson FIgueiredo
Lutas UFC

UFC Des Moines: Deiveson Figueiredo pode ter última chance de se provar como top dos galos

Neste sábado, Deiveson Figueiredo faz a luta principal do UFC Des Moines contra Cory Sandhagen, em um confronto que pode definir o rumo de sua trajetória na categoria dos galos. Após um início promissor na nova divisão, o ex-campeão peso-mosca enfrenta agora o momento mais delicado de sua jornada desde a mudança de categoria. A derrota para Petr Yan no UFC Macau expôs limitações e levantou dúvidas sobre sua real capacidade de competir entre os melhores da divisão até 61 kg. Agora, contra Sandhagen, ele terá a chance de responder.

A luta contra Sandhagen representa mais do que uma simples recuperação: é uma prova de fogo. O estadunidense é um dos nomes mais perigosos e técnicos da divisão, ocupando o topo do ranking e sendo um dos lutadores mais consistentes da categoria nos últimos anos. Uma vitória convincente sobre Cory pode recolocar Deiveson no caminho direto para o cinturão. Mas uma nova derrota pode empurrá-lo ladeira abaixo no ranking, reduzindo sua condição de candidato ao título a um mero teste para novos nomes que surgem.

Deiveson dominou os moscas entre 2020 e 2022, em uma rivalidade histórica com Brandon Moreno que entregou quatro lutas espetaculares. Com dificuldades para bater o peso limite dos 56,7 kg, ele optou por subir de categoria, decisão recebida com cautela, mas também com expectativa. Sua chegada nos galos, com vitórias contra Rob Font, Cody Garbrandt e Marlon Vera, deu a impressão de que o poder de nocaute, a força física e a agressividade seriam suficientes para competir com a elite.

No entanto, a luta contra Petr Yan foi um divisor de águas. Apesar de ter momentos competitivos, Figueiredo foi superado por um adversário mais forte e mais acostumado com a velocidade e a envergadura exigidas nos galos. Ele sofreu com a precisão do russo, com as entradas em linha reta e com a dificuldade em impor seu jogo de pressão. A derrota trouxe à tona um questionamento importante: Figueiredo conseguirá se adaptar às exigências táticas e físicas de uma divisão mais profunda e física?

Deiveson e o desafio Sandhagen

Cory Sandhagen é o oposto do que Figueiredo enfrentava nos moscas. Alto, com movimentação fluida, jabs precisos e um repertório de ataques que inclui cotoveladas voadoras e chutes em ângulos improváveis, ele representa um quebra-cabeça para qualquer striker. Para Deiveson, o desafio é claro: fechar a distância sem se expor, resistir à diferença de envergadura e, principalmente, manter o ritmo físico em uma luta que deve durar cinco rounds.

Sandhagen vem de boas apresentações e é conhecido por sua durabilidade, mas vem de derrota para Umar Nurmagomedov, que recentemente disputou o cinturão. Assim como Deiveson, ele precisa provar que pode vencer um top 5 para ser alavancado para o título. Por isso, Figueiredo não poderá depender apenas de explosões. Vai precisar de uma estratégia bem definida, que envolva mais do que seus tradicionais socos potentes e quedas forçadas.

O UFC Des Moines é mais do que uma simples luta numerada. É a encruzilhada para Deiveson Figueiredo. Com 37 anos, o brasileiro não tem tempo a perder. Uma derrota o tira momentaneamente da corrida pelo cinturão e, dependendo da forma como for superado, pode fazê-lo cair do top 10 da divisão. Em um cenário ainda mais radical, pode forçar uma mudança de rota: retornar aos moscas ou aceitar o papel de “porteiro” da divisão — função ingrata de receber jovens promessas para testes de fogo.

Por outro lado, uma vitória contra Sandhagen resgata sua moral, recoloca seu nome nas conversas pelo topo e fortalece o argumento de que ele é um dos poucos lutadores brasileiros ainda em condições de disputar um cinturão em uma das divisões mais difíceis do UFC.

A luta entre Deiveson Figueiredo e Cory Sandhagen não é apenas sobre estilos contrastantes. É sobre narrativa. É sobre um campeão consagrado tentando provar que ainda pode ser relevante em uma nova divisão. É sobre um americano técnico e cerebral querendo afastar qualquer ameaça que possa tirá-lo de perto do título.

Para o UFC, é um confronto de alto nível técnico com implicações diretas no futuro da categoria. Para Figueiredo, é tudo ou nada: ou ele prova que ainda é contender, ou começa a conviver com o peso de ter deixado sua melhor versão nos moscas.

(Foto: Divulgação/UFC)