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UFC vive ‘escassez de superestrelas’ e conta com retorno de dois nomes importantes para mudar a situação

O UFC vive um momento raro: pela primeira vez em anos, a escassez de superestrelas ativas no auge preocupa os bastidores da organização. Conor McGregor, ex-gigante de audiência, está longe do cinturão e ainda sem confirmação definitiva para seu retorno. Israel Adesanya e José Aldo, nomes dominantes até recentemente, amargam derrotas que esfriaram o hype. Resta Jon Jones, o maior talento da história do octógono, mas até ele parece mais interessado em preservar o legado do que testá-lo novamente.

Com Jones se recusando publicamente a enfrentar Tom Aspinall, atual campeão interino dos pesos pesados, a categoria mais nobre do UFC estagnou. Diante desse cenário, a organização passa a mirar dois nomes que, mesmo fora de ação, ainda mexem com a imaginação dos fãs.

A última superestrela que não quer lutar

Jon Jones voltou ao octógono em março de 2023, finalizando Ciryl Gane com facilidade e conquistando o cinturão linear dos pesados. A vitória parecia o início de uma nova era. Mas, desde então, a história se complica. Lesões afastaram Jones por mais de um ano e, com o surgimento do inglês Tom Aspinall como campeão interino, surgiu uma expectativa de unificação. O problema? Jones parece pouco interessado.

Em declarações recentes, ele afirmou que “não faz sentido lutar contra alguém que ninguém conhece”, em referência direta a Aspinall. A recusa de enfrentar o britânico, que nocauteou Sergei Pavlovich e Curtis Blaydes de forma brutal, gerou críticas, inclusive de fãs e ex-lutadores, que o acusam de estar evitando o confronto mais perigoso de sua carreira.

Neste vácuo, um nome volta a ganhar força: Francis Ngannou. O camaronês deixou o UFC em 2023 após disputas contratuais, abrindo mão do cinturão dos pesados. Desde então, fez barulho no boxe e na PFL, inclusive enfrentando Tyson Fury, e demonstrou que ainda tem muito a oferecer. Dana White, que antes era crítico ferrenho da saída de Ngannou, mudou o discurso. Nos bastidores, há um movimento claro: trazer Ngannou de volta e colocá-lo diretamente contra Jon Jones.

A narrativa está pronta. Dois dos maiores pesos pesados da história, um embate que o público sempre quis ver, e a chance de reacender a divisão mais tradicional do MMA. Em entrevistas recentes, o próprio Jones admitiu que essa luta “ainda o interessa”, especialmente como um possível combate de despedida. Ngannou, por sua vez, já disse que não descarta um retorno ao UFC, desde que receba o respeito (e o contrato) que acredita merecer.

Amanda Nunes: a rainha que pode voltar ao trono

Se no masculino a esperança é o retorno do poder de nocaute de Ngannou, no feminino a expectativa gira em torno de Amanda Nunes. A Leoa se aposentou em junho de 2023 após dominar Irene Aldana e encerrar sua segunda passagem como campeã dupla. Mas, desde então, o UFC não conseguiu preencher o vazio que ela deixou.

O cinturão dos galos está com Julianna Peña, mas isso pode mudar no UFC 316, quando Peña enfrenta Kayla Harrison, ex-campeã do PFL e promessa de sucesso no UFC. Amanda já derrotou Peña de forma dominante em 2022, recuperando o cinturão. Com Kayla, existe uma história paralela: ambas treinaram juntas na American Top Team, e uma eventual luta entre elas teria carga emocional, rivalidade e interesse de público.

Fontes próximas à brasileira indicam que Amanda está de olho nessa luta e considera um retorno em 2025, se a vencedora do UFC 316 justificar o desafio. Dana White também já afirmou publicamente que “as portas estarão sempre abertas para Amanda”.

O UFC precisa de nomes, e sabe disso

Por trás das cortinas, o motivo é claro: o UFC precisa urgentemente de estrelas consolidada*. O calendário segue lotado, os contratos com a ESPN e outras plataformas exigem eventos de peso, e o interesse casual do público depende de nomes com apelo. Jones sozinho não basta, ainda mais sem adversários relevantes.

Amanda Nunes e Francis Ngannou não só têm esse alcance, como já provaram ser grandes atrações de pay-per-view. Um card com Amanda enfrentando Kayla ou Peña, e outro com Jones x Ngannou, poderia revitalizar completamente o interesse no segundo semestre de 2025.

O UFC está em um ponto de inflexão. A geração de estrelas que elevou o esporte ao topo do entretenimento global começa a se dispersar. Novos talentos surgem, mas ainda não carregam o mesmo peso. Neste cenário, Amanda Nunes e Francis Ngannou surgem como dois nomes capazes de reacender o entusiasmo, e resolver problemas imediatos de audiência e relevância.

Se voltarem, não estarão apenas lutando por cinturões. Estarão lutando pelo futuro de uma organização que, mesmo gigante, sabe que nenhuma era dura para sempre — a menos que suas lendas estejam dispostas a dar mais um show.

(Foto: Icon Sport)