O UFC desembarca em Paris neste sábado, na Accor Arena, para mais uma edição do UFC Paris que promete agitar a Europa. O evento sofreu um baque de última hora com o cancelamento da aguardada luta entre Patrício “Pitbull” Freire e Losene Keita, após o franco-guineense não bater o peso. Mesmo assim, o card principal manteve força e histórias relevantes, colocando em jogo estilos contrastantes e potenciais aspirantes ao título.
A seguir, uma análise das três principais lutas do UFC Paris:
Nassourdine Imavov x Caio Borralho (Peso-médio)
O combate que fecha o show em Paris é também o mais decisivo para a categoria dos médios. O francês Nassourdine Imavov, embalado por quatro vitórias consecutivas, incluindo a mais notável de sua carreira, o nocaute sobre Israel Adesanya, terá a missão de defender sua ascensão diante do brasileiro Caio Borralho, invicto em sete lutas no UFC e apontado como uma das grandes promessas do MMA nacional.
O duelo é praticamente um confronto eliminatório no UFC. O vencedor deve ser o próximo desafiante ao título de Khamzat Chimaev, atual campeão.
Imavov é conhecido por seu estilo paciente, calculista e extremamente técnico na trocação. Seu controle de distância é refinado, e ele raramente se expõe de forma desnecessária. Costuma trabalhar com jabs longos, chutes frontais e combinações limpas, ditando o ritmo do combate em pé.
Borralho, por outro lado, traz um perfil mais físico e agressivo. Sua principal arma é o grappling: clinch forte, wrestling de alto nível e controle posicional eficiente no chão. Mas o brasileiro também evoluiu bastante na trocação, o que o torna perigoso caso a luta se prolongue em pé.
Se Imavov conseguir manter o combate à longa distância, terá a vantagem pelo volume de golpes e pela precisão. Borralho precisa encurtar, colar e testar a defesa de quedas do francês, algo que poucos conseguiram explorar até aqui.
Benoit Saint-Denis x Maurício Ruffy (Peso-leve)
Se há uma luta capaz de incendiar o UFC Paris, é esta. Benoit Saint-Denis é um dos favoritos do público francês. Sua disposição em trocar golpes, seu ritmo incansável e a coragem quase insana em aceitar trocação aberta já o transformaram em ídolo local.
Do outro lado estará o brasileiro Maurício Ruffy, ainda invicto e dono de um arsenal de golpes plásticos, nocauteadores e precisos. Ruffy chega embalado por três vitórias expressivas no UFC, todas por nocaute, e carrega a aura de “novo fenômeno” da trocação.
Ruffy é um striker nato. Prefere manter a luta em pé, controla a distância com chutes e tem explosão para decidir em um único golpe. Sua defesa de quedas é sólida, mas ainda não foi testada contra grapplers da elite. Saint-Denis, por sua vez, é pura pressão. Gosta de encurtar o espaço, grudar no adversário e buscar quedas para trabalhar com seu jiu-jítsu afiado. Além disso, sua resistência física lhe permite impor um ritmo sufocante por vários rounds.
Se Ruffy encontrar brechas na defesa de golpes de Saint-Denis — que gira em torno de apenas 42% —, pode resolver rápido, com um nocaute no primeiro ou segundo round. Caso o francês consiga sobreviver ao ímpeto inicial, levar a luta para o chão e impor seu ritmo, terá condições de virar o combate e conquistar a vitória por finalização ou decisão.
É um duelo de riscos altíssimos: o brasileiro quer confirmar seu lugar entre os grandes nomes da divisão, enquanto Saint-Denis luta não apenas por ranking, mas também pela honra diante de sua torcida.
Modestas Bukauskas x Paul Craig (peso meio-pesado)
Na terceira luta mais importante do UFC Paris, o lituano Modestas Bukauskas enfrenta o escocês Paul Craig, em um duelo que pode redefinir o futuro de ambos na categoria até 93 kg.
Bukauskas aposta em um estilo agressivo de kickboxing. Tem movimentação fluida, poder de nocaute e trabalha bem com combinações. Seu ponto forte é justamente manter a luta em pé, explorando brechas na defesa do rival.
Craig, por sua vez, é um especialista no chão. Seu jiu-jítsu é um dos mais criativos da divisão, capaz de arrancar finalizações improváveis em situações aparentemente desfavoráveis. No entanto, sua trocação continua sendo um ponto vulnerável, e ele tem dificuldades sempre que é forçado a permanecer de pé por muito tempo.
Aqui, o dilema é claro: se Craig conseguir clinchar ou derrubar, terá caminho para vencer. Mas se Bukauskas conseguir impor distância e evitar o grappling, tende a sair com a vitória.
O impacto do cancelamento de Pitbull x Keita
O card de Paris perdeu brilho com o cancelamento da luta entre Patrício Pitbull e Losene Keita. O jovem franco-guineense, considerado um dos talentos mais promissores da Europa, falhou na balança, excedendo o limite da categoria em mais de 1 kg. Sem acordo para catchweight, a luta foi retirada do evento.
Pitbull, um dos maiores nomes da história do MMA brasileiro, não escondeu sua frustração, criticando a falta de profissionalismo do adversário. Para o público, foi uma perda significativa, já que o duelo prometia ser um verdadeiro choque de gerações.
Ainda assim, o UFC Paris manteve força suficiente para oferecer um espetáculo competitivo, com rivalidades intensas e potencial de impacto direto nos rankings.
Confira o card completo do UFC Paris:
Card principal
Nassourdine Imavov x Caio Borralho
Benoit Saint-Denis x Maurício Ruffy
Modestas Bukauskas x Paul Craig
Bolaji Oki x Mason Jones
Axel Sola x Rhys McKee
William Gomis x Robert Ruchala
Card preliminar
Marcin Tybura x Ante Delija
Harry Hardwick x Kauê Fernandes
Sam Patterson x Trey Waters
Brad Tavares x Robert Bryczek
Andreas Gustafsson x Rinat Fakhretdinov
Shauna Bannon x Sam Hughes
(Foto: Divulgação/UFC)