O UFC retorna ao Rio de Janeiro neste sábado (11) com um card repleto de implicações maiores do que simples vitórias ou derrotas. O evento, que terá a luta principal entre Charles Oliveira e Mateusz Gamrot, pode servir como ponto decisivo para veteranos testados e para promessas emergentes.
Separamos três dessas narrativas que podem definir futuros no UFC
1. A definição do futuro de Charles Oliveira
Charles “Do Bronx” Oliveira chega ao UFC Rio depois de uma derrota pesada em junho, quando foi nocauteado por Ilia Topuria no primeiro round. Foi a primeira vez em sua carreira profissional que ele sofreu um nocaute limpo — um evento que mexeu não só com o ranking, mas com sua convicção e trajetória.
Ele mesmo admitiu que abandonou a estratégia previamente traçada para esse duelo — diz que não manteve a distância, não usou bem os frontais, permitiu muitas trocas próximas e recebeu mais do que deveria. Esse revés expôs fragilidades que talvez estivessem sendo ignoradas, e agora a luta no UFC Rio aparece como mais do que apenas mais um combate: é uma chance de redenção, de provar que ainda está entre os melhores do peso-leve — ou de revelar que o tempo de reconstrução pode ser maior do que se esperava.
Além disso, Charles disse que se sentiu emocionalmente afetado, inclusive cogitando aposentadoria por alguns momentos devido ao impacto físico e psicológico do nocaute. Mas mesmo assim, ele aceitou retornar com rapidez, apesar de críticas de que foi um retorno precoce. Ele afirma estar recuperado, pronto, e motivado pelos fãs brasileiros, pelo calor da torcida, e por precisar “lavar a imagem”.
Se vencer Gamrot de forma convincente, Charles pode se reposicionar para um retorno à disputa do cinturão — ou ao menos para ter argumentação forte na conversa de contender. Se falhar, ele pode ver seu status entre os grandes cada vez mais ameaçado, com menos margem de erro do que nunca.
2. Deiveson Figueiredo vive uma encruzilhada nos UFC
Deiveson Figueiredo, ex-campeão absoluto dos moscas, migrou de categoria e entrou nos galos. Ele já teve bons momentos na nova divisão, mas acumulou duas derrotas recentes: para Petr Yan e, mais recentemente, para Cory Sandhagen, nessa última com lesão no joelho.
Agora, recuperado da lesão, Figueiredo enfrentará Montel Jackson no UFC Rio. Esse duelo representa uma chance de mostrar que ele ainda pertence à elite da categoria ou ao menos que pode ser relevante entre os melhores dos galos.
Ele mesmo declarou recentemente que considera Merab Dvalishvili uma espécie de “GOAT” dos galos, pela consistência, mas acredita que ele é vencível. Também manifestou desejo de “pular etapas” se tiver uma boa performance no Rio — ou seja: ele não deseja reconstruir devagar, quer voltar forte para a conversa de título.
Para Figueiredo, uma vitória sobre Jackson é quase obrigatória para manter viva a ambição de disputar o cinturão — para mostrar que a mudança de peso valeu a pena e que ele pode lidar com adversários do topo. Uma derrota, entretanto, pode representar retrocesso sério: afastamento da briga por título, perda de credibilidade como contender, e questionamento se seu corpo e desempenho aguentam tamanho desgaste.
3. A possível ascensão brasileira nos pesados
O Brasil sempre teve talentos nas categorias pesadas, mas fez tempo que não tinha dois nomes promissores tão em evidência simultaneamente. No UFC Rio, Jhonata Diniz e Vitor Petrino surgem como apostas de renovação.
Diniz enfrentará Mario Pinto, de Portugal, no card principal. Ele fez provocações públicas ligadas à rivalidade histórica Brasil-Portugal, não só para promover a luta, mas para alimentar a motivação mental. Ele falou em “cobrança na porrada”, referindo-se ao passado colonial e aos símbolos esportivos tomados por Portugal.
Ele também tem mostrado evolução: vem de outros bons desempenhos no UFC e busca consolidar seu estilo de striker que evolui também em grappling.
Petrino, por sua vez, aparece no card preliminar nos pesados contra Thomas Petersen. Ele revela que aposta em seu “trunfo” fora da força: não só o poder de nocaute que muitos esperam de um peso-pesado, mas também movimentação, estratégia, controle de distância e suspensão de ritmo — tentando evitar ser esmagado por adversários mais experientes.
Se ambos vencerem com autoridade — especialmente Diniz, que está em luta de maior visibilidade —, o UFC Rio pode marcar o início de um novo ciclo nos pesados brasileiros. Um ciclo em que não basta haver um nome isolado, mas uma série: lutadores que consigam se manter competitivos entre os top 15/10, que consigam respeito internacional e relevância no ranking.