Sob o comando de Erik ten Hag, o Manchester United figurava entre as equipes menos criativas da Premier League nas jogadas de bola parada. No entanto, esse cenário mudou drasticamente desde a chegada de Rúben Amorim. Os dois gols originados em faltas na vitória por 2 a 1 sobre o Crystal Palace, no último domingo, destacaram uma eficiência inesperada nesse tipo de lance — algo que raramente era associado ao clube. Agora, os Red Devils se preparam para encarar o West Ham nesta quinta-feira (4), às 17h (horário de Brasília), no Old Trafford, pela 14ª rodada.
Enquanto isso, clubes como Arsenal, Chelsea, Tottenham e o próprio Crystal Palace vêm recebendo elogios pela qualidade exibida em jogadas de bola parada nesta temporada — e, em alguns casos, há bem mais tempo. Mas os dois gols marcados pelo United em Selhurst Park colocaram o time no topo do ranking de gols de bola parada da Premier League, somando 10 tentos (incluindo gols contra). Esse dado surpreendeu muitos torcedores e analistas, reforçando que Amorim está conseguindo tornar os Red Devils competitivos de igual para igual para a temporada 2025/26.
Como o Arsenal demonstrou nos últimos anos na competição, ter força em jogadas de bola parada é uma vantagem enorme — especialmente para times que não costumam construir goleadas com frequência, caso do Manchester United. Exemplo disso é que os 21 gols marcados pelos Red Devils na temporada os deixam atrás de apenas quatro equipes, mas os 20 sofridos ainda indicam fragilidade, embora representem melhora em relação a algumas temporadas anteriores. O saldo de gols, de apenas +1, evidencia o equilíbrio delicado da equipe.
Consequentemente, 47,6% dos gols marcados pelo United na temporada vieram de bolas paradas — a maior porcentagem entre todos os clubes da liga. E dos 21 pontos somados até aqui, 12 estão diretamente ligados a tentos oriundos desses lances (exceto pênaltis). Naturalmente, se esses 10 gols não tivessem acontecido, o time talvez encontrasse outras maneiras de marcar; portanto, não há razão para sugerir que os Red Devils estariam ameaçados de rebaixamento sem eles. Mas é inegável o peso que as bolas paradas têm tido no projeto de Amorim.
Apesar do Manchested United não receber muitos elogios nos últimos anos na Premier League, aqui há um mérito claro — não só pela eficiência atual, mas também pelo contraste com o passado recente. A torcida certamente se lembra do quão pouco perigoso o time parecia em bolas paradas durante a era Ten Hag, quando ainda era técnico dos Red Devis, antes da chegada de Rúben Amorim no Old Trafford em novembro de 2024. O clube até marcava ocasionalmente, mas ficava muito atrás dos rivais diretos nesse quesito.
Em 2022/23, por exemplo, o time anotou apenas seis gols em jogadas de bola parada — o menor número entre todos os clubes da Premier League naquela temporada. E mais: todos os outros times que terminaram entre os cinco primeiros fizeram pelo menos o dobro. Ainda assim, o United encerrou o campeonato em terceiro lugar, resultado considerado animador diante da queda de rendimento em 2021. No entanto, se tivesse chegado perto dos 18 gols do Liverpool (líder no quesito, empatado com outro clube), a distância para Manchester City (14 pontos) e Arsenal (nove pontos) não teria sido tão grande.

Amorim revoluciona o Manchester United e transforma bolas paradas em arma decisiva na Premier League
Desde que Rúben Amorim assumiu o comando da equipe, o Manchester United passou por uma mudança das mais significativas em seu estilo recente — e um dos sinais mais claros dessa evolução está justamente nas bolas paradas. Um setor que por anos foi pouco produtivo tornou-se, agora, uma das principais fortalezas do time.
Na temporada 2025/26, o United já marcou dez gols em lances de bola parada — número que o coloca ombro a ombro com o Arsenal no topo da liga. Isso ganha ainda mais impacto ao observar que quase metade dos gols marcados pela equipe (47,6%) surgiram de lances fixos.
A evolução não é apenas numérica, mas estrutural. Sob o comando anterior, o clube raramente gerava perigo nesse tipo de jogada: em 2022/23, por exemplo, registrou somente seis gols, pior marca da elite inglesa naquele ano.

Trabalho tático detalhado e aperfeiçoamento constante
Amorim atribui a transformação ao treino intensivo e à constante busca por aprendizado. Ele já admitiu que sua comissão técnica analisa padrões de outros clubes da Premier League e até adapta certas rotinas para aperfeiçoar as execuções nas bolas paradas. “Trabalhamos muito, temos mais tempo para treinar e aprendemos bastante na Inglaterra”, afirmou recentemente — brincando que a equipe “anda roubando” ideias táticas de adversários para marcar mais.
A mudança também é evidente nos escanteios e nas cobranças: jogadas previsíveis deram lugar a variações, mudanças de posicionamento, movimentos coordenados e mais bolas direcionadas ao segundo poste, dificultando o trabalho das defesas adversárias.

Resultados práticos em um momento crucial da temporada
Esse crescimento se refletiu diretamente em campo, como na virada por 2 a 1 contra o Crystal Palace, em que Bruno Fernandes foi responsável pelos dois gols oriundos de bolas paradas. A eficiência se tornou peça-chave na ascensão do United na tabela e consolidou os lances fixos como pilar do sistema ofensivo da equipe.
Além disso, o elenco conta com atletas fisicamente preparados para explorar esses momentos — jogadores altos, fortes no jogo aéreo e capazes de converter as jogadas ensaiadas em gols.

Desafios para o futuro
Apesar da evolução clara, surge uma questão inevitável: até que ponto a dependência de bolas paradas é sustentável a longo prazo? Como equilibrar essa arma com uma maior consistência no jogo em transição e nas ações de campo aberto? São dilemas que o United ainda terá de resolver na busca por voos mais altos na temporada.
Ainda assim, é evidente que, sob o comando de Rúben Amorim, o Manchester United encontrou uma nova identidade — e, no momento, ela tem sido fundamental numa Premier League cada vez mais equilibrada.

Como o Manchester United deve tentar superar o West Ham nas bolas paradas — no mesmo estilo da vitória sobre o Crystal Palace
Buscando encostar no G4 da Premier League, o Manchester United retorna aos gramados nesta quinta-feira, 4 de dezembro de 2025, no Old Trafford, com um plano bem definido: usar novamente as bolas paradas como principal arma diante do West Ham. Os últimos jogos confirmaram a força dessa estratégia, assim como expuseram fragilidades defensivas do adversário.
A fórmula de Rúben Amorim já se provou eficaz. Contra o Crystal Palace, o United mostrou saber como aproveitar faltas e escanteios — e a tendência é de repetição. Com jogadores fortes fisicamente e dominantes no jogo aéreo, a equipe deve insistir em cruzamentos precisos, movimentação agressiva na área e presença estratégica no segundo poste para criar finalizações.
Além disso, o contexto da partida favorece os donos da casa: o West Ham vem demonstrando dificuldades defensivas longe de seus domínios na Premier League, principalmente contra times que trabalham bem a posse de bola e têm repertório ofensivo variado. Isso aumenta as chances de o Manchester United impor ritmo, gerar faltas, criar escanteios e, consequentemente, transformar bolas paradas em oportunidades reais de gol — e, possivelmente, em mais três pontos no Teatro dos Sonhos.
Em resumo, o Manchester United deve entrar em campo reforçando a missão de converter cada cobrança de falta ou escanteio em ameaça concreta — estratégia que já deu certo e que pode ser decisiva diante de um West Ham vulnerável e em uma noite na qual o Old Trafford promete ser um aliado importante, nesta quinta-feira (4), no fechamento da 14ª rodada da Premier League.
(Foto: Getty Images)