O Vasco da Gama volta a campo nesta semana pela Copa Sul-Americana com a missão de se reencontrar após um duro revés no Campeonato Brasileiro. A equipe comandada por Fernando Diniz enfrenta o Independiente Del Valle, do Equador, na fase de playoffs do torneio continental, em busca de uma resposta imediata após a derrota no clássico contra o Botafogo. O tropeço do último fim de semana expôs novamente fragilidades que o time cruz-maltino precisa corrigir se quiser avançar na competição internacional.
No clássico, o Vasco não conseguiu lidar com a marcação agressiva e coordenada imposta pelo Botafogo, sob comando de Davide Ancelotti. O treinador italiano, recém-chegado, montou um time que sufocou a saída de bola vascaína desde o primeiro minuto, anulando o estilo propositivo e de construção a partir da defesa que caracteriza o trabalho de Diniz. O resultado foi um Vasco que, pressionado e sem tempo para pensar, cometeu erros técnicos e ficou preso no campo de defesa.
A derrota revelou um padrão de vulnerabilidade do Vasco contra adversários que pressionam alto, impedindo a fluidez da posse de bola e obrigando o time a recorrer a lançamentos precipitados ou erros na saída curta — um terreno fértil para a recuperação rápida do rival e criação de chances de perigo.
Del Valle: um adversário com DNA de pressão
Agora, o desafio na Sul-Americana traz um cenário semelhante. O Independiente Del Valle é conhecido por seu estilo de jogo intenso, vertical e de marcação adiantada, características que lembram o que o Vasco enfrentou diante do Botafogo. O time equatoriano, mesmo longe dos grandes centros do continente, construiu sua reputação justamente por impor ritmo acelerado e dificultar a construção dos adversários, especialmente em Quito, onde o fator altitude também pesa.
Desde 2018, o Del Valle vem tendo coesão na escolha de seus treinadores, buscando técnicos com uma identidade tática bem definida. Foi assim que a equipe revelou grandes nomes para o futebol sul-americano, como Miguel Angel Ramirez, Renato Paiva e Martin Anselmi. Agora, sob o comando do espanhol Javier Rabanal, eles têm um estilo de jogo propositivo, que mistura o tiki taka tradicional espanhol com o futebol holandês, onde o treinador foi formado.
Por isso, a tendência é que o Vasco encare um cenário de jogo parecido: um rival que pressiona desde o campo de ataque, buscando sufocar o primeiro passe vascaíno, algo que exige do time de Diniz um ajuste imediato na forma de sair jogando e na mobilidade dos meio-campistas.
O que Diniz precisa ajustar
O técnico cruz-maltino terá que pensar alternativas para quebrar essa pressão. Contra o Botafogo, o Vasco não conseguiu utilizar seus volantes como saída qualificada, e a transição ofensiva ficou travada. Thiago Mendes, recém-contratado, pode ser uma alternativa para dar mais qualidade e força ao meio-campo, oferecendo uma rota de escape em meio à pressão adversária.
Além disso, o time precisa retomar o dinamismo no setor ofensivo. Philippe Coutinho pode ser peça-chave para escapar da marcação com passes verticais e inteligência posicional. O problema é que, sem uma base sólida de construção, o talento individual tende a ser insuficiente contra equipes organizadas como o Del Valle.
Outra questão urgente para o Vasco é o comportamento defensivo quando perde a bola. Contra o Botafogo, a recomposição lenta e os espaços deixados entre linhas facilitaram o jogo do rival. O Del Valle, que aposta em transições rápidas para garantir espaço de campo e ataques pelos lados, pode explorar essa mesma fragilidade se o Vasco não compactar melhor o meio-campo.
A importância da Sul-Americana para o Vasco
A Sul-Americana, para o Vasco, não é apenas um torneio alternativo — é uma oportunidade concreta de afirmação internacional e um caminho possível para um título que recolocaria o clube no mapa sul-americano. A equipe tem elenco para avançar, mas precisa demonstrar que sabe competir fora do padrão confortável que o estilo de Diniz oferece quando o adversário recua.
O Del Valle impõe uma prova de maturidade para o Vasco: vencer não será apenas questão de qualidade técnica, mas de entender o jogo do adversário e encontrar soluções para escapar da pressão, algo que faltou contra o Botafogo. Mais do que nunca, o Vasco precisa de uma atuação coletiva sólida, madura e coesa.
A resposta que o torcedor espera pode começar já nesta semana. E se o Vasco quiser seguir vivo na busca por um título continental, o primeiro passo é aprender com os erros do clássico e transformar o revés em combustível para crescer na temporada.
(Foto: Thiago Ribeiro/AGIF)