O Vasco está eliminado da Copa Sul-Americana. Depois de conquistar uma vitória importante na Argentina e chegar ao Maracanã com vantagem no confronto, o Cruz-Maltino não conseguiu sustentar o resultado e perdeu por 3 a 1 para o Boca Juniors. A equipe carioca sofreu dois gols ainda no primeiro tempo, reagiu na etapa final com um golaço de Puma Rodríguez e pressionou em busca do empate, mas uma falha de Léo Jardim nos minutos finais acabou com a esperança de classificação.
A eliminação evidencia a dificuldade do Vasco para manter a concentração em momentos decisivos. Depois de começar a partida em desvantagem e apresentar pouca criatividade ofensiva na primeira etapa, o time cresceu após o intervalo e chegou a ameaçar a classificação argentina. No entanto, quando parecia ter condições de buscar o gol necessário, voltou a cometer um erro determinante. O Boca Juniors aproveitou a oportunidade, confirmou a vitória e agora aguarda o vencedor do confronto entre Atlético e Montevideo City para conhecer seu adversário na final.
O jogo
O Vasco entrou em campo com a vantagem conquistada na Argentina, mas o cenário mudou rapidamente no Maracanã. Logo aos três minutos, Sosa cobrou escanteio e Di Lollo apareceu na área para cabecear no canto de Léo Jardim. O gol precoce devolveu confiança ao Boca Juniors e colocou pressão sobre os donos da casa, que precisavam reorganizar o jogo sem perder o controle emocional.
A resposta vascaína demorou a aparecer. Apesar do apoio da torcida, a equipe encontrou dificuldades para construir jogadas e avançar com perigo. O Boca aproveitou os espaços deixados pelo adversário e quase ampliou pouco depois do primeiro gol, quando Leonel Flores parou em Robert Renan. O Vasco também tentou reagir, com Lescano fazendo boa jogada pela esquerda e cruzando para a área, mas Adson e Bruno Duarte não conseguiram concluir.
Ao longo da primeira etapa, o time carioca teve dificuldade para transformar a posse de bola em oportunidades concretas. A equipe buscava circular a bola desde a defesa e acionar os jogadores do meio-campo, mas encontrava pouco espaço diante da marcação argentina. Sosa participava da construção mais recuado, enquanto Lescano e Thiago Mendes tinham dificuldades para encontrar alternativas entre as linhas adversárias.
O Boca, por outro lado, demonstrava maior objetividade quando recuperava a bola. A pressão sobre a saída vascaína provocava insegurança, e as transições argentinas encontravam espaços para avançar. Em uma dessas jogadas, Villa chegou a ameaçar, mas foi parado pela defesa. O Vasco tentava responder subindo ao ataque, porém deixava espaços que o adversário sabia explorar.
Aos 33 minutos, a equipe argentina ampliou. Villa lançou Merentiel em profundidade, e o atacante avançou livre antes de finalizar rasteiro para vencer Léo Jardim. O segundo gol tornou a situação vascaína ainda mais complicada e expôs a falta de repertório ofensivo do time na primeira etapa. Mesmo tentando utilizar os lados do campo, o Cruz-Maltino pouco conseguiu produzir em termos de chances claras.
O intervalo chegou com o Boca em vantagem e mais confortável no confronto. O Vasco precisava mudar a postura, acelerar a circulação da bola e encontrar maneiras de atacar uma defesa que, até então, conseguia controlar suas investidas.
Na volta para o segundo tempo, o Cruz-Maltino apresentou uma postura mais agressiva. A equipe passou a trocar passes com maior velocidade no campo ofensivo, empurrou o Boca para trás e conseguiu ocupar espaços que não havia encontrado antes do intervalo. Os argentinos passaram a apostar principalmente em lançamentos longos para explorar os espaços deixados pelo avanço vascaíno, mas sem conseguir ampliar a vantagem naquele momento.
Apesar da melhora, o Vasco ainda encontrava dificuldades para chegar à área em condições de finalizar. A circulação de bola era mais organizada, mas faltava precisão no último passe. O gol, porém, surgiu em uma jogada que combinou recuperação defensiva e qualidade na conclusão.
Aos 21 minutos, Robert Renan desarmou Villa e iniciou a construção ofensiva. Cuiabá recebeu pela esquerda e cruzou para a área. Depois de um desvio na defesa, Puma Rodríguez apareceu para acertar um chute forte e marcar um golaço. O gol recolocou o Vasco na disputa e mudou o ambiente do confronto: o segundo gol carioca passou a parecer possível, enquanto o Boca precisou suportar uma pressão maior.
O Cruz-Maltino cresceu na partida e passou a buscar com mais intensidade o gol que poderia levar a disputa para outro cenário. A equipe demonstrava mais confiança com a bola e conseguia manter o adversário recuado. O Boca, que havia controlado boa parte do primeiro tempo, já não encontrava a mesma facilidade para sair jogando.
Quando o Vasco parecia ganhar força para buscar a reação, veio o golpe definitivo. Nos minutos finais, Paredes arriscou uma finalização rasteira de fora da área. A bola foi em direção ao meio do gol, mas Léo Jardim caiu de maneira equivocada e não conseguiu defender. A falha permitiu ao Boca marcar o terceiro e praticamente encerrar a disputa pela classificação.
O gol acabou com a esperança vascaína de completar a reação. Depois de uma segunda etapa em que conseguiu melhorar o desempenho e pressionar o adversário, o time carioca viu um erro individual comprometer o esforço realizado. O Boca Juniors confirmou a vitória por 3 a 1 e garantiu a vaga na final da Copa Sul-Americana.
Análise: a reação do Vasco mostrou potencial, mas os erros custaram a classificação
A eliminação do Vasco passa por dois momentos distintos. No primeiro tempo, a equipe foi surpreendida pela intensidade do Boca Juniors e não conseguiu responder ao gol sofrido logo no início. Na etapa final, apresentou uma postura mais competitiva, ocupou melhor o campo ofensivo e recuperou a esperança com o gol de Puma Rodríguez. A mudança demonstra que o time tinha condições de dificultar mais a vida dos argentinos, mas a reação tardia e a falha decisiva impediram uma recuperação completa.
O gol de Di Lollo, logo aos três minutos, alterou o planejamento vascaíno. Com a vantagem construída na Argentina, o time poderia administrar melhor os espaços e escolher os momentos para acelerar. Ao sofrer tão cedo, precisou lidar com a pressão de um confronto que voltou a ficar aberto. O problema não foi apenas sofrer o gol, mas a dificuldade para reorganizar o jogo depois dele.
O Boca percebeu as fragilidades e soube explorar a situação. Com pressão sobre a saída de bola e transições rápidas, encontrou caminhos para chegar ao ataque sem precisar controlar a posse durante longos períodos. O segundo gol, marcado por Merentiel, foi consequência dessa capacidade de aproveitar os espaços. Enquanto o Vasco tinha dificuldades para transformar a posse em chances claras, os argentinos eram mais diretos e perigosos quando avançavam.
A mudança de postura depois do intervalo foi o principal aspecto positivo da atuação vascaína. Com mais movimentação e melhor circulação da bola, o time conseguiu recuar o Boca e assumir o protagonismo que faltou no primeiro tempo. Robert Renan teve participação importante no lance que originou o gol, e Puma Rodríguez mostrou qualidade ao aproveitar a sobra e finalizar com força. A jogada demonstrou que o Vasco podia encontrar soluções ofensivas quando conseguia acelerar as ações e ocupar melhor os espaços.
Ainda assim, a reação não foi suficiente para corrigir os problemas anteriores. O time precisou de boa parte do confronto para aumentar a intensidade e encontrar caminhos para ameaçar a defesa adversária. Quando finalmente passou a pressionar com mais consistência, já estava em uma situação delicada e dependia de manter a concentração até o fim.
É nesse contexto que a falha de Léo Jardim ganha peso. A finalização de Paredes, rasteira e direcionada ao meio do gol, oferecia ao goleiro condições para defender. O erro foi determinante não apenas pelo placar, mas pelo momento em que aconteceu. O Vasco tentava construir uma reação e ainda alimentava a possibilidade de buscar o gol necessário. Ao sofrer o terceiro, perdeu a chance de levar a pressão até os instantes finais.
A atuação também evidencia como partidas eliminatórias exigem regularidade durante os dois tempos. A melhora vascaína depois do intervalo foi real, mas não apagou a desorganização inicial nem o erro que definiu o resultado. Contra um adversário experiente, oscilações desse tipo podem custar caro, especialmente quando a classificação depende de administrar uma vantagem construída fora de casa.
Para o Boca Juniors, a vitória foi construída com eficiência no primeiro tempo e capacidade para resistir à pressão na etapa final. A equipe aproveitou os erros do Vasco, abriu vantagem e soube esperar o momento de definir o confronto. Mesmo diante da melhora carioca, manteve-se viva na disputa e foi premiada com o gol de Paredes, favorecido pela falha do goleiro adversário.
O Vasco deixa a Sul-Americana com a frustração de ter chegado perto de uma reação, mas sem conseguir sustentar o desempenho necessário durante toda a partida. O gol de Puma reacendeu a esperança e mostrou uma equipe capaz de competir, porém os erros defensivos e a falta de precisão ofensiva pesaram demais. A eliminação não se explica apenas pela falha de Léo Jardim, embora ela tenha sido decisiva: o time também pagou pelo início ruim e pela demora para assumir o controle do confronto.
No fim, o Boca Juniors foi mais eficiente nos momentos determinantes e garantiu a classificação. O Vasco teve uma chance de transformar a vantagem conquistada na Argentina em vaga na decisão, mas não conseguiu manter o nível de concentração exigido. A reação mostrou que havia caminho para disputar a classificação até o fim, mas, no futebol eliminatório, uma boa etapa nem sempre é suficiente para compensar os erros cometidos ao longo dos 90 minutos.
(Foto: Mauro Pimentel/AFP)



