Vasco
Futebol Copa Sul-Americana

Vasco sofre na bola aérea e é derrotado pelo Olímpia na Sul-Americana

O Vasco chegou para enfrentar o Olímpia em Assunção carregando enorme pressão por resultado na Copa Sul-Americana. Em um grupo extremamente equilibrado, o confronto no estádio Defensores del Chaco ganhou clima de decisão direta pela liderança e também pela sobrevivência tranquila na competição. Isso porque apenas o primeiro colocado avança diretamente às oitavas de final, enquanto o segundo precisa disputar os playoffs contra equipes vindas da Libertadores.

O cenário ganhou ainda mais peso porque Vasco e Olímpia chegaram para a rodada empatados em pontos, transformando o confronto praticamente em uma disputa direta pelo controle do grupo. No primeiro turno, o clube carioca havia vencido os paraguaios por 3×0 em São Januário, resultado importante não apenas pela pontuação, mas também pelos novos critérios de desempate adotados pela CONMEBOL em 2026, que passaram a priorizar confronto direto antes do saldo geral de gols.

Além da importância matemática, o jogo também carregava enorme peso emocional para os dois lados. O Olímpia tentava usar a força histórica de atuar em Assunção para pressionar o Vasco em um dos ambientes mais tradicionais do futebol sul-americano, enquanto o time carioca buscava confirmar sua evolução recente na competição continental e evitar chegar pressionado para a última rodada da fase de grupos. O clima era de decisão antecipada, principalmente porque qualquer tropeço poderia mudar completamente o cenário da chave na reta final da Sul-Americana.

Estratégia do Vasco gera resultado

O primeiro tempo foi marcado por um jogo bastante travado em Assunção. O Olímpia tentava construir suas jogadas principalmente através de muitos cruzamentos para a área, enquanto o Vasco da Gama apostava nos contra-ataques e nas transições rápidas para explorar os espaços deixados pela equipe paraguaia. Apesar das propostas diferentes, os dois times encontravam enorme dificuldade para criar chances realmente perigosas.

A partida ficou muito concentrada em disputas físicas e erros no último passe, fazendo com que as oportunidades claras praticamente não aparecessem nos primeiros 30 da etapa inicial. A primeira principal chance do jogo acabou sendo justamente do Olímpia, aos 32 minutos. O lateral Alan Rodríguez cruzou para dentro da área, a bola desviou em Hinestroza no meio do caminho e obrigou Léo Jardim a fazer uma grande defesa, mostrando ótimo tempo de reação para evitar o gol paraguaio.

O Vasco mostrou reação, e teve uma ótima chance no primeiro tempo que aconteceu aos 39 minutos. Hugo Moura carregou a bola pelo lado esquerdo e encontrou Deivid, que fez o pivô para a chegada de Tchê Tchê finalizar. O chute acabou desviando na defesa e a sobra ficou para Hinestroza, que apareceu cara a cara com o goleiro pelo lado direito da área. Porém, o atacante desperdiçou a oportunidade ao finalizar rasteiro para fora, mandando a bola longe do gol e deixando escapar a principal oportunidade vascaína até aquele momento.

O Vasco da Gama começou a perceber que o jogo poderia ficar favorável para a equipe carioca. As chegadas mais perigosas eram do Vasco, enquanto o Olímpia mostrava muita dificuldade para criar jogadas com qualidade ofensiva e pouquíssima criatividade.

E foi em uma jogada de bola parada que o Vasco conseguiu abrir o placar. Após uma cobrança de falta levantada na área e afastada pela defesa paraguaia, a equipe carioca ganhou escanteio. Na cobrança, Moreira fez um ótimo cruzamento para Cuesta, que apareceu completamente sem marcação dentro da área e apenas empurrou de cabeça para o fundo das redes, colocando o Vasco em vantagem no ultimo minuto do primeiro tempo.

O placar mostrava que a estratégia do Vasco vinha sendo muito bem executada até aquele momento da partida. A equipe carioca apostava claramente nos contra-ataques e em ataques mais diretos, enquanto o Olímpia dominava a posse de bola, mas encontrava enorme dificuldade para transformar esse controle em perigo real.

Os números deixavam isso evidente. O Olímpia terminou o jogo com 71% de posse de bola contra apenas 29% do Vasco, mas tinha uma estratégia ofensiva muito previsível baseada principalmente em cruzamentos para a área. Somente no primeiro tempo, a equipe paraguaia realizou 21 cruzamentos, porém criou muito pouco efetivamente. Foram 14 finalizações ao longo da partida, mas apenas uma chance realmente clara de gol, justamente na defesa importante de Léo Jardim.

Já o Vasco foi muito mais eficiente ofensivamente. Mesmo finalizando apenas cinco vezes, a equipe carioca conseguiu criar duas oportunidades claras e aproveitou uma delas para abrir o placar em Assunção, reforçando a sensação de que o plano de jogo montado para atuar fora de casa estava funcionando quase perfeitamente.

Falhas no jogo aéreo fizeram o Vasco tomar a virada

No segundo tempo, o Olímpia começou a variar mais suas construções ofensivas e passou a atacar também pelo meio de campo. Essa mudança começou a gerar mais faltas próximas da área e também mais bolas paradas perigosas para a equipe paraguaia, que crescia ofensivamente dentro da partida. Ainda assim, mesmo com maior volume pelo centro, o Olímpia continuava utilizando muitos cruzamentos para pressionar a defesa do Vasco. Já a equipe carioca manteve sua estratégia de esperar os espaços para acelerar nos contra-ataques.

A primeira chance da equipe paraguaia na segunda etapa surgiu justamente em uma jogada construída pelo centro. Após um lançamento infiltrado dentro da área no segundo pau, o atacante cabeceou para o meio da área deixando a bola ajeitada para uma finalização completamente livre. O chute saiu forte, mas Léo Jardim apareceu novamente com uma grande defesa, mostrando ótimo reflexo para espalmar a bola para escanteio e evitar o empate do Olímpia em Assunção.

Mas a pressão do Olímpia acabou gerando resultado nos lances seguintes, aos 66 minutos. Após um primeiro escanteio afastado pela defesa do Vasco da Gama, a equipe paraguaia teve uma nova cobrança logo na sequência e conseguiu aproveitar a bola parada em uma jogada muito parecida com o próprio gol vascaíno.

Quintana cruzou para dentro da área e o atacante Gamarra apareceu no meio de três defensores do Vasco para cabecear e empatar a partida em Assunção. O lance evidenciou novamente a dificuldade da equipe carioca na marcação aérea, principalmente diante da pressão crescente do Olímpia no segundo tempo.

A situação do Vasco da ficou ainda mais complicada aos 71 minutos. Após uma roubada de bola do Olímpia ainda no campo defensivo vascaíno, o lateral direito João Vitor chegou atrasado na disputa e acertou uma entrada muito forte no jogador paraguaio

O árbitro expulsou o defensor imediatamente, sem sequer gerar grande reclamação do próprio atleta, que deixou o gramado rapidamente em direção ao vestiário. A expulsão aumentava ainda mais a pressão sobre o Vasco em um momento em que o Olímpia já crescia ofensivamente dentro da partida. Além disso, o cartão vermelho ganhava peso maior por envolver um jogador que ainda tentava aproveitar suas poucas oportunidades como profissional na equipe carioca.

A pressão do Olímpia com um jogador a mais acabou se transformando na virada aos 85 minutos. Em mais uma jogada de bola aérea, novamente iniciada por Quintana, a equipe paraguaia aproveitou a fragilidade defensiva do Vasco da Gama no segundo tempo.

Quintana cobrou falta para dentro da área e Sandoval conseguiu ganhar a disputa de dois marcadores vascaínos para desviar a bola para o fundo das redes, virando a partida em Assunção. O lance voltou a expor os problemas defensivos do Vasco nas bolas aéreas, justamente um fundamento que havia funcionado muito bem para a equipe carioca durante a primeira etapa.

A pressão do Olímpia com um jogador a mais ainda resultou em mais um gol nos minutos finais. E novamente a jogada aconteceu da maneira que mais se repetiu durante toda a partida: cruzamento para dentro da área. Ao todo, a equipe paraguaia terminou o jogo com impressionantes 45 bolas levantadas na área vascaína.

Dessa vez, Sandoval ganhou a disputa aérea no meio de dois defensores do Vasco e ajeitou de cabeça para Ferreira aparecer livre e marcar o terceiro gol do Olímpia em Assunção.

O lance reforçou a enorme queda defensiva do Vasco nas bolas aéreas ao longo do segundo tempo. Se na primeira etapa a equipe carioca havia conseguido suportar a pressão dos inúmeros cruzamentos paraguaios, na reta final do jogo a defesa passou a demonstrar diversas falhas no posicionamento e principalmente nos duelos pelo alto. Em vários momentos, os defensores vascaínos até conseguiam ter vantagem numérica nas disputas, mas falhavam justamente na hora de afastar o perigo dentro da área.

Vasco fica em situação delicada mas ainda tem chances de se classificar

A derrota deixou o Vasco em situação delicada na reta final da fase de grupos da Copa Sul-Americana. Agora, a equipe carioca chega para a última rodada precisando obrigatoriamente vencer em casa o já eliminado Barracas Central para continuar sonhando com a liderança do grupo.

Após a derrota o Vasco depende diretamente do resultado entre Olímpia e Audax Italiano, confronto que acontecerá na casa do Olímpia. O Audax chega empatado em pontuação com o Vasco, ambos com sete pontos, enquanto o Olímpia assumiu a liderança com 10 após a virada em Assunção.

Caso o Vasco vença e o Olímpia também vença o Audax Italiano, a equipe carioca terminará na segunda colocação do grupo e disputará os playoffs contra um dos times eliminados da Libertadores na terceira posição de sua chave.

Já se o Vasco vencer e o Audax Italiano derrotar o Olímpia fora de casa, os três clubes terminariam empatados com 10 pontos, levando a definição da liderança para os critérios de desempate da competição.

Depois de suportar durante grande parte do jogo a pressão ofensiva do Olímpia, o Vasco acabou castigado justamente nos fundamentos que mais conseguiu controlar no primeiro tempo. E agora, além de precisar fazer sua parte na última rodada, a equipe carioca também dependerá de uma combinação favorável para tentar evitar um caminho ainda mais complicado na sequência da Sul-Americana.

(Foto de capa: by Christian Alvarenga/Getty Images)

 

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Kaique