A história das irmãs Williams no US Open pode ganhar mais um capítulo em 2026. Aos 46 anos, Venus Williams recebeu um convite para disputar a chave de simples do Grand Slam de Nova York, 29 anos depois de sua estreia no torneio e 26 anos após conquistar ali o primeiro de seus dois títulos. Mais do que uma simples convite, a decisão da organização representa a oportunidade de uma das maiores jogadoras da história voltar ao palco onde construiu parte importante de seu legado.
Venus estreou no US Open em 1997 e chegou à final logo em sua primeira participação. Três anos depois, conquistou o título ao derrotar Lindsay Davenport e, em 2001, voltou a levantar o troféu, desta vez vencendo Serena na decisão. A final de 2001 foi a primeira de nove decisões de Grand Slam disputadas pelas duas irmãs. Agora, quase três décadas depois daquela estreia, Venus retorna a Flushing Meadows em um momento completamente diferente da carreira.
A questão é que o convite não chega acompanhado de resultados recentes que justifiquem uma expectativa esportiva elevada. Venus perdeu suas dez partidas de simples disputadas em 2026 e acumula 13 derrotas consecutivas. Sua última vitória na modalidade aconteceu em julho de 2025, em Washington. Em Grand Slams, o jejum é ainda maior: a última vitória ocorreu em Wimbledon, em 2021.
Ainda assim, reduzir o retorno de Venus aos números seria ignorar o significado de sua presença. Aos 46 anos, ela continua sendo uma figura capaz de transformar completamente o ambiente de um torneio. No ano passado, tornou-se a jogadora mais velha a disputar a chave de simples do US Open em 44 anos. Mesmo eliminada por Karolina Muchova em três sets, sua entrevista após a partida mostrou que a relação com o esporte já não depende exclusivamente de vitórias.
Serena ainda pode se juntar à irmã
A grande possibilidade que paira sobre o torneio, porém, envolve Serena Williams. Aos 44 anos, a dona de 23 títulos de Grand Slam voltou ao circuito em 2026 depois de quatro anos afastada das quadras. Inicialmente, o retorno aconteceu nas duplas, mas Serena recebeu um convite para disputar simples em Wimbledon.
Agora, existe uma vaga de wildcard ainda disponível na chave feminina do US Open, e a organização aparentemente mantém a possibilidade de entregá-la a Serena. A decisão, entretanto, não depende apenas do interesse do torneio. A estadunidense precisa avaliar se está fisicamente preparada para disputar novamente uma campanha de simples depois de ter jogado apenas uma partida na modalidade desde seu retorno.
Serena perdeu para Maya Joint na primeira rodada de Wimbledon e, posteriormente, sofreu uma lesão no joelho que a obrigou a desistir da participação ao lado de Venus nas duplas. As duas voltaram a jogar juntas em Cincinnati, mas perderam em uma partida emocionante. O reencontro, por si só, mostrou que a capacidade das Williams de mobilizar o público continua intacta.
Por isso, o caminho mais provável parece estar nas duplas. Venus disputou as quartas de final do US Open de 2025 ao lado de Leylah Fernandez e tem apresentado desempenho mais consistente nessa modalidade. Serena, por sua vez, já mostrou que pretende explorar o retorno às quadras sem necessariamente transformar a temporada em uma busca desesperada por resultados.
O US Open pode se transformar em uma celebração das Williams
É justamente aí que a presença de Venus ganha outra dimensão. O US Open não está apenas oferecendo uma oportunidade para uma veterana competir novamente em simples. Está mantendo aberta a possibilidade de transformar a edição de 2026 em um reencontro histórico das irmãs Williams.
A última vez que Serena disputou o torneio foi em 2022, quando se esperava que aquela fosse a despedida definitiva de uma das maiores atletas da história. Quatro anos depois, sua volta altera completamente o significado daquela despedida. Venus, que continuou aparecendo esporadicamente no circuito, agora também recebe uma nova oportunidade em Nova York.
O interesse do público já demonstrou que existe demanda. As arquibancadas ficaram lotadas em Cincinnati para acompanhar o retorno das duas juntas, mesmo em uma partida de duplas. Isso indica que, independentemente do nível competitivo apresentado, Venus e Serena continuam capazes de produzir um fenômeno que ultrapassa o tênis.
E talvez esse seja o principal motivo pelo qual a história ainda não parece encerrada. Venus terá a chance de disputar novamente o torneio que ajudou a transformar sua carreira. Serena pode receber a oportunidade de voltar ao palco onde encerrou, até então, sua trajetória profissional. E as duas ainda podem aparecer juntas nas duplas ou até na nova competição de duplas mistas.
Aos 46 e 44 anos, respectivamente, as Williams já não precisam provar que pertencem à história do tênis. O US Open de 2026 oferece algo diferente: a possibilidade de escrever mais uma página dessa história — desta vez, não necessariamente pela conquista de um troféu, mas pela força de simplesmente continuar competindo.
(Foto: Getty Images)



