Merab Dvalishvili
Lutas UFC

Vitória de Dvalishvili contra O’Malley mostra que é difícil bater os seus pontos fortes

Merab Dvalishvili voltou a mostrar ao mundo do MMA por que é um dos campeões mais difíceis de se bater atualmente. No UFC 316, realizado em Newark, o georgiano defendeu seu cinturão dos pesos-galos com uma performance impecável contra Sean O’Malley, vencendo por finalização no segundo round após um controle absoluto do combate. Com sua pressão habitual, gás interminável e um arsenal técnico de quedas variadas, Dvalishvili se reafirmou no topo da divisão, e talvez até como um dos campeões mais dominantes da atualidade.

O confronto era cercado de expectativa. O’Malley vinha embalado, buscando vingança após ter perdido o cinturão para Merab em 2024, e prometia ter aprendido com os erros. O americano entrou mais focado, menos espalhafatoso, e parecia disposto a provar que poderia conter a avalanche que é enfrentar “The Machine”. Mas, apesar de toda a preparação e da melhoria técnica evidente em O’Malley, o desfecho foi o mesmo: Dvalishvili não apenas venceu, como anulou as principais armas do desafiante, mostrando que seus pontos fortes continuam intocados — mesmo quando todos já sabem exatamente o que ele vai fazer.

O’Malley nunca esteve confortável na luta

Desde os primeiros segundos da luta, o roteiro de Dvalishvili foi posto em prática. Avançando sem trégua, ele forçou O’Malley contra a grade, pressionou em pé, cortou ângulos e foi minando o desafiante com a trocação antes de finalente conseguir uma queda. Seu wrestling não é apenas funcional — é sufocante. O que chama atenção não é somente a quantidade de quedas, mas a variedade: single legs, double legs, quedas pelo clinch, variações de projeção e até trips de judô. Sean O’Malley, conhecido por sua movimentação ágil e alcance, simplesmente não conseguiu se manter confortável por mais de 30 segundos sem ser perturbado.

O gás de Merab é um capítulo à parte. Enquanto muitos lutadores dos galos cansam após um round de pressão, Dvalishvili parece operar com bateria infinita. Ele acelera com o tempo, e isso transforma qualquer luta em uma batalha de sobrevivência para o oponente.

No segundo round, após múltiplas quedas e transições, o campeão encaixou uma finalização — uma rara finalização norte-sul — e obrigou O’Malley a bater. Era o fim precoce de uma revanche que prometia muito, mas que acabou servindo para confirmar uma verdade já conhecida: o estilo de Merab, mesmo previsível, segue sendo quase impossível de parar.

Além de toda a sua excelência no grappling, o que mais chamou a atenção no UFC 316 foi a melhora visível de Dvalishvili na trocação. Ele não é um striker refinado, mas seus jabs estavam afiados, seus chutes baixos eficientes e, acima de tudo, ele passou a confiança de quem pode trocar sem se colocar em perigo. O’Malley tentou manter a luta em pé e criar espaço, mas o medo das quedas de Merab deixavam o desafiante exposto aos fortes socos do georgiano. Não foi apenas a pressão que venceu a luta — foi uma versão mais completa, mais técnica e mais perigosa de Dvalishvili do que havíamos visto antes.

É difícil (e talvez impossível) parar Dvalishvili

O que torna essa vitória ainda mais impressionante é o contexto. Essa foi sua segunda defesa de cinturão. Em teoria, é o momento em que os rivais mais estudam o campeão, onde os padrões ficam mais visíveis e as falhas, se houverem, começam a ser exploradas. Mas Merab não apenas defendeu com sucesso, ele mostrou que seus pontos fortes não estão em decadência, e sim, mais afiados do que nunca. Todos sabiam o que ele faria, e mesmo assim, ninguém conseguiu pará-lo. Isso é a definição de domínio.

Com essa vitória, Dvalishvili emenda uma sequência impressionante de 13 vitórias consecutivas, com nomes como Petr Yan, José Aldo, Henry Cejudo, Umar Nurmagomedov, e agora duas vitórias sobre Sean O’Malley em seu cartel recente. Sua evolução técnica, combinada com uma mentalidade inabalável, fazem dele um pesadelo para qualquer desafiante na categoria até 61kg. É o tipo de campeão que obriga a divisão a se reinventar. O wrestling, a pressão, o condicionamento e agora a trocação sólida fazem de Merab Dvalishvili não apenas o melhor peso-galo do momento, mas talvez o mais completo da era moderna da divisão.

A pergunta que fica é: quem poderá detê-lo? Cory Sandhagen talvez seja o nome mais próximo de uma ameaça, com seu estilo versátil e movimentação lateral. Ainda assim, não há resposta fácil para o “tanque” que é Merab. Ele não é o campeão mais midiático, nem o mais carismático, mas, dentro do octógono, é um relógio suíço de violência tática.

Todos sabem o que esperar dele. O problema? Ninguém ainda encontrou um jeito de impedir.

(Foto: Matt Davies/PxImages)