Na noite deste sábado (14), o Vitória recebeu o Atlético-MG no Barradão em duelo válido pela 6ª rodada do Campeonato Brasileiro. Apesar de ter um início decente no torneio nacional, o Leão da Barra entrou em campo buscando dar uma resposta ao torcedor após a derrota no clássico diante do Bahia na finalíssima estadual (apesar do empate na última rodada do Brasileirão). Já o Galo, que venceu na estreia de Eduardo Domínguez na competição, ainda tentava encontrar seu estilo de jogo para superar um péssimo início de temporada.
E executando seu plano de jogo de forma impecável, o time de Jair Ventura contou com um gol de falta de Renato Kayzer e uma pintura de Erick para consolidar sua segundo vitória na competição, em mais uma atuação fantástica do setor defensivo da equipe. Já o Atlético, que teve um bom início de jogo, não conseguiu praticar um bom futebol após sofrer o primeiro gol e deu de cara com velhos problemas que já eram presentes no trabalho de Sampaoli.
Galo começa bem, mas falha coloca Vitória na frente
O Atlético teve um bom início, principalmente quando atacava pelo setor do meio-campo. Com o estreante Tomás Perez fazendo a função de segundo volante, Eduardo Domínguez escalou Victor Hugo mais avançado, próximo de Reinier. Com dois jogadores de bastante técnica no setor, o Galo conseguiu fazer boas trocas de passe nos minutos iniciais, mostrando muito mais eficácia na criação de jogadas em relação à partidas anteriores, mesmo contra um Vitória escalado com praticamente três volantes de origem (Baralhas, Emmanuel Martínez e Caíque).
O confronto parecia estar em uma situação positiva para o time mineiro, mas na primeira finalização do Leão da Barra, o gol saiu. Aos 20 minutos, em cobrança de falta, Renato Kayzer finalizou forte por baixo da barreira – Reinier pulou e Everson demorou pra reagir e tirar a bola que balançou o fundo das redes. Após sofrer o tento, o bom momento do Galo se esfacelou. Não apenas pelo fator anímico, mas também, pelas atuações individuais que impediram o esquema de Domínguez de ser efetivo.

Com Iván Román atuando como uma espécie de “zagueiro-aberto” (junto à Ruan e Alonso em uma linha de três, mas saindo bastante pelos lados com Alan Franco fazendo a recomposição), Scarpa atuava como ala pela direita – do outro lado, Cuello atuava bastante avançado, praticamente em uma linha de dois atacantes com Reinier. E foram justamente os dois jogadores de lado mais agudos do Galo que fizeram a diferença – mas não positivamente.
Atuações individuais ruins e Leão cresce no jogo
Tanto Scarpa quanto Cuello tiveram atuações muito fracas, seja passando a bola ou segurando-a no ataque. Desta forma, quando Victor Hugo não conseguia “tirar um coelho da cartola”, o jogo do Atlético ficava muito previsível e o Vitória conseguia a recuperação rápida. O Leão da Barra passou a ser melhor no embate, apesar de ainda ter dificuldades de criação – com Matheuzinho sendo o único atleta com capacidade de criação, as transições do time de Jair Ventura ficavam muito previsíveis.
No entanto, quando o contra-ataque era executado com sucesso, Erick, que entrou no lugar do lesionado Marinho, foi muito bem na finalização, sempre trazendo da direita para o meio e apostando na lentidão de Alonso e nos espaços deixados por Renan Lodi para conseguir levar perigo ao gol de Everson.
O segundo tempo foi um duelo entre ataque e defesa. Domínguez colocou Dudu e Hulk em campo na tentativa de encontrar o gol de empate, enquanto o Vitória esperava o momento certo para sair no contra-ataque. Mas assim como em toda a temporada, e com diferentes técnicos no comando, o Atlético-MG foi muito passivo e não conseguiu criar boas chances de gol. Edenilson, entrando no intervalo no lugar de Caíque, foi muito bem defensivamente e deu sequência ao bom trabalho de marcação no meio-campo.
Deserto de ideais no Atlético-MG e Erick define jogo com golaço
Até os 30 minutos do segundo tempo, o Galo tinha apenas duas finalizações contra o gol de Lucas Arcanjo. Para o Vitória, bastava forçar a posse do Atlético para as alas, populando a grande área e deixando Renzo López (que entrou no lugar de Kayzer) como único atleta avançado. E foi justamente o bom posicionamento e o pivô do atacante argentino que serviu como estopim para o segundo gol do Leão.

E desta vez, Erick protagonizou uma verdadeira pintura. Após uma bola espanada, o atacante deu uma “bicicleta” em direção a Baralhas, que dominou pela direita e tocou novamente para Erick. Com sua jogada características, o atacante cortou para o meio e finalizou com a esquerda, colocando a bola no ângulo do gol de Everson.
O jogo ganhou emoção nos minutos finais – Preciado foi bem ao atacar o setor marcado por um já cansado Ramon, mas a dificuldade era muito grande para encontrar Dudu e Hulk em boas condições – a dupla não finalizou uma vez sequer contra o gol de Lucas Arcanjo. A única chance decente do time mineiro na segunda etapa foi com Cassierra, que recebeu cruzamento de Dudu e cabeceou próximo à trave de Arcanjo.
No lado rubro-negro, praticamente todas as substituições acrescentaram em campo (Alexandre Pato, Renzo López e Fabrício Santos). A diferença de qualidade individual é visível entre as duas equipes, mas em campo, o que ganhou a partida foi a diferença de execução do plano tático e de vontade.
Resultado: Vitória 2 – 0 Atlético-MG
Foto principal: Pedro Souza/Atlético