Volkanovski x Lopes
Lutas UFC

Volkanovski deve evitar revanche contra Diego Lopes? Confira as opções para a primeira defesa do australiano

O UFC vive um momento de indefinição na categoria dos penas. Alexander Volkanovski, novamente dono do cinturão após vencer Diego Lopes no UFC 314, ainda não defendeu seu título. Enquanto isso, o próprio Lopes voltou ao octógono, venceu Jean Silva por nocaute técnico e reforçou seu pedido por uma segunda chance. O cenário coloca em discussão o que seria melhor para a divisão: dar ao brasileiro uma revanche imediata ou abrir espaço para novos desafiantes.

Para o analista e comentarista Michael Chiesa, a lógica aponta para a segunda opção. Ele acredita que Volkanovski deveria enfrentar “rostos novos” nesta sua segunda passagem como campeão, deixando Lopes em stand-by.

“Para o tempo que ainda temos com Volkanovski, eu quero lutas novas”, disse Chiesa em entrevista ao MMA Junkie. “Lerone Murphy já carimbou seu passaporte. Está invicto, venceu Aaron Pico de forma espetacular e merece a chance.”

A visão de Chiesa é pragmática: valorizar lutadores em ascensão, ampliar o leque de desafiantes e preservar o impacto de possíveis revanches para um futuro momento em que o cinturão esteja novamente em jogo, possivelmente até com Volkanovski aposentado.

A sombra de Diego Lopes

Apesar de defender novos nomes, Chiesa não esconde que vê em Diego Lopes o maior perigo para o campeão. No UFC 314, o brasileiro resistiu cinco rounds contra Volkanovski e deixou a impressão de que poderia ter ido além com ajustes técnicos. Desde então, Lopes se dedicou ao wrestling, treinando em Oklahoma State, e segundo Chiesa, esse detalhe pode mudar o panorama de um eventual segundo encontro.

“Um lutador do calibre de Diego Lopes só volta melhor depois de uma derrota, ainda mais no auge da carreira. Para mim, essa é a luta mais perigosa para Volkanovski agora”, analisou.

Essa percepção abre uma reflexão importante: até que ponto evitar Lopes é uma questão de estratégia esportiva e até que ponto pode soar como um freio no merecimento esportivo do brasileiro?

O peso do momento para Volkanovski

Volkanovski, aos 36 anos, já é considerado um dos melhores pesos-pena da história. Seu legado inclui vitórias sobre Max Holloway, José Aldo e Brian Ortega. Mas a derrota para Ilia Topuria e o retorno ao cinturão contra Lopes colocaram sua carreira em um ponto de transição.

Por isso, escolher os próximos adversários não é apenas questão de manter o título, mas também de administrar o que resta de sua trajetória. Enfrentar nomes como Lerone Murphy, Aljamain Sterling ou Movsar Evloev pode garantir desafios interessantes sem necessariamente colocar em risco imediato o reinado. Já uma revanche com Lopes traz consigo a ameaça real de derrota – e a possibilidade de encerrar o ciclo de Volkanovski como campeão de maneira abrupta.

Do outro lado, Lopes tem 30 anos, está em ascensão e ganhou rapidamente o carinho da torcida pela coragem e estilo agressivo. Sua primeira disputa de cinturão contra Volkanovski pode ter terminado em derrota, mas deu visibilidade mundial ao brasileiro, que agora se vê próximo de se consolidar como nome de elite da divisão.

Uma revanche imediata seria justa do ponto de vista esportivo? Argumentos não faltam: Lopes fez frente ao campeão, mostrou evolução e já voltou a vencer. Porém, há também a lógica de que outros lutadores invictos ou em alta, como Lerone Murphy, merecem a fila.

O caminho mais lógico

Chiesa sugere um caminho alternativo que, ao mesmo tempo, preserva a novidade nas disputas de cinturão e não deixa Lopes parado: um duelo entre o brasileiro e Yair Rodríguez para definir o próximo desafiante. Nesse cenário, Volkanovski poderia enfrentar Murphy no fim do ano e, em caso de vitória, abrir caminho para Lopes disputar novamente o título.

Esse tipo de construção mantém a categoria em movimento, evita críticas sobre favorecimentos e oferece tempo para que Lopes amadureça ainda mais seu jogo.

No final, a discussão sobre a revanche entre Volkanovski e Diego Lopes expõe um dilema clássico do MMA: equilibrar o mérito esportivo de quem já teve sua chance e mostrou valor contra a necessidade de renovar o cardápio de lutas.

Para Chiesa, Volkanovski deve escolher o caminho da prudência e se concentrar em novos adversários como Lerone Murphy. Do ponto de vista estratégico, faz sentido. Mas, inevitavelmente, o nome de Diego Lopes continuará à espreita, crescendo a cada vitória e se fortalecendo como ameaça ao legado do campeão.

Mais cedo ou mais tarde, essa revanche parece inevitável. A questão é apenas quando – e se Volkanovski estará pronto para enfrentar, novamente, aquele que muitos já enxergam como seu maior desafio na categoria.